Forum Cidade

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Partido Socialista
António Costa

Definição e Objectivos
Empenhada na promoção da participação dos seus militantes e dos cidadãos em geral na vida e no futuro da cidade de Lisboa, a Comissão Política Concelhia de Lisboa (CPCL) do Partido Socialista decidiu criar e institucionalizar de forma permanente um espaço de debate político e social: o Forum Cidade. Contribuir para a construção, em termos programáticos, de uma alternativa de governo para a cidade de Lisboa e alargar a base de participação dos cidadãos na reflexão sobre a gestão da cidade, propondo iniciativas a desenvolver pelos autarcas socialistas numa lógica territorial adequada ao tecido social e urbano em análise são os dois grandes objectivos que o Forum Cidade se propõe prosseguir. O Forum Cidade será uma estrutura informal da Comissão Política Concelhia de Lisboa, que deverá envolver militantes do PS e cidadãos independentes no compromisso de reflectir conjuntamente sobre as potencialidades e os problemas de Lisboa, tendo em vista a procura e a formulação de propostas que visem o desenvolvimento sustentável da cidade, a busca de soluções para questões inadiáveis ou até a tomada de posição em matérias que considere relevantes.
Forum Conclusões Conclusões dos grupos de trabalho do Forum Cidade apresentadas em Lisboa no dia 2005/05/03:
(documentos em pdf)

Conclusões (694 KB)
Qualidade Vida/Ambiente (296 KB)
Escola e Comunidade (177 KB)
Política Urbana (234 KB)
Desporto (241 KB)
Espaço Público (152 KB)
Segurança Rodoviária (258 KB)
Modelo Económico (480 KB)

Forum Conclusões
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Estrutura informal da Comissão Política Concelhia de Lisboa
sexta-feira, outubro 31, 2003
 
Lisboa-Vista Castelo

Dinamizar o mercado de arrendamento

A habitação continua a ser um problema para muitos lisboetas. É certo que o esforço desenvolvido pelo PS nos anos em que governou Lisboa, na coligação, foi no sentido de acabar com uma das vertentes principais desta questão – as barracas – objectivo socialmente justo e imperativo do ponto de vista do ordenamento do território. Se Lisboa já não tem praticamente barracas, e quem não se lembra da vergonha que era para todos a existência do Bairro do Relógio, das barracas das Musgueiras ou do Bairro Chinês, autênticos antros de miséria social, a verdade é que subsistem ainda outros ângulos no campo da habitação sobre os quais importa reflectir e encontrar propostas de resolução.
Não sendo este o espaço para uma análise detalhada de toda esta problemática quero aqui lançar algumas pistas sobre como poderemos dinamizar o mercado de arrendamento em Lisboa, uma vez que a oferta é pequena e está inflaccionada para níveis incomportáveis. E se o faço, é porque julgo que a dinamização deste mercado pode ser um dos meios que impeçam que a cidade continue a perder habitantes. As pessoas saem da cidade porque as casas são muito caras, quer sejam para vender ou para alugar. Os jovens casais em início de vida abandonam os bairros onde vivem porque a oferta é pouca e cara, procurando alternativas na cintura metropolitana da cidade. Se a oferta for maior e substancialmente mais barata é minha convicção que muitos optarão por alugar casa e ficar em Lisboa. Como dar a volta a esta situação? Aqui ficam algumas ideias para reflexão:
a) em primeiro lugar defender uma política fiscal de penalização progressiva no tempo de quem tem casas devolutas e não as arrende;
b) em segundo lugar beneficiar em termos de isenção ou desagravamento de taxas municipais os projectos que incluam habitação para arrendamento;
c) em terceiro lugar criando empresas mistas – de capital municipal e privado – que só construam habitação para arrendamento, em terrenos municipais e a custos controlados, com o objectivo de regular o mercado e induzir uma significativa queda do actual valor médio das rendas em Lisboa. A própria EPUL deveria ser reorientada para este objectivo.
Espero, sinceramente, que o debate esteja lançado.
Miguel Coelho
10/31/2003 12:30:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



quinta-feira, outubro 30, 2003
 
Lisboa-Estação do Oriente

Cidade e não-cidade

Porquê a tendência da humanidade, pelo menos a ocidental, para a urbanização? Porquê a quase completa identificação da mudança, do progresso, com os valores urbanos? O que é afinal a cidade na nossa civilização?
A cidade não é apenas um lugar que reúne um conjunto de pessoas ou de comunidades. A cidade é, originalmente, um modelo de vida, o lugar onde a cultura, no sentido mais nobre do termo, se exerce, uma referência cultural. Se recuarmos à época do império romano veremos como a renovação urbana ou a construção de cidades novas não se resumia a um mero programa de edificações públicas, mas assentava num vasto programa de educação social e de transformação dos hábitos de vida das pessoas.
E, ao assumir-se como um projecto de cultura, a cidade torna-se o lugar central da vida política. Com efeito, a palavra política vem de "pólis?, a cidade estado da Grécia Antiga, o emblema da nossa civilização, o lugar onde os valores da cultura e da democracia se fecundam. Sem cultura e democracia não se podem, pois, construir e desenvolver cidades. Como dizia há dias Eduardo Prado Coelho no Martinho da Arcada, numa brilhante intervenção no âmbito deste Forum Cidade, ?o principal valor de uma cidade é o usufruto, e não a mera troca de serviços?. Para isso é preciso mudar alguns hábitos mentais e sociais. A propósito vale a pena ler as actas de uma conferência intitulada ?As Cidades a a História?, realizada há anos na Fundação Calouste Gulbenkian, onde Jorge Alarcão, da Universidade de Coimbra, configurava a questão desta forma: ?na época de Augusto e ainda em boa parte do séc. I d.C., uma das dificuldades que se terá feito sentir ao nível dos meios técnicos humanos, terá sido a de pessoal operário especializado. Mas, de todos os problemas este terá sido o mais fácil de resolver: rapidamente os indígenas, que até aí só usavam barro ou saibro como ligamento das pedras, terão aprendido a fazer argamassa ou um reboco de cal; rapidamente, também, terão compreendido como se armava o vigamento de um telhado ou como se ajustavam tégulas e ímbrices. Terá sido mais fácil ensinar aos indígenas a construir do que a frequentarem ou servirem-se dos edifícios construídos. Construir era só uma técnica, e a técnica era coisa que podia aprender-se sem que fosse necessária grande mudança de hábitos mentais ou sociais. Mas como ensinar os indígenas a servirem-se de umas termas, se dantes só se banhavam no rio ou se lavavam nas fontes? E como interessá-los no teatro ou nos jogos de anfiteatro, quando os seus divertimentos, até então, eram apenas aquelas danças ao luar, em frente de suas casas...?
Quando uma cidade deixa de poder afirmar os seus valores, os valores da cultura, entra em declínio (os edifícios a cair, lixo nas ruas, passeios intransitáveis, praças e jardins deixadas ao desleixo). E os habitantes abandonam-na, emigram para as periferias à procura de um ?mundo? melhor, um ?mundo novo?, fogem de um modelo que, para eles, já não não se refere ao progresso, mas ao passado, ao retrocesso, ao andar para trás. Um lugar assim, uma não-cidade, é imensamente triste. Haverá pessoas (os romântico-melancólico-depressivos?) que certamente apreciam este tipo de lugares, talvez porque a esta vivência lhes permite desenvolver outros imaginários. Mas estou certo que a maioria dos habitantes das cidades não gosta destes cenários urbano-decadentes, porque não pode imaginar o futuro como progresso. Uma cidade assim é um mau exemplo, um símbolo de decadência, de abandono.
Por isso ao pensar Lisboa devemos começar por pensá-la como projecto cultural de longo e largo alcance, para que Lisboa se possa afirmar entre nós e no mundo como capital cultural, e não como mais um lugar pitoresco do planeta (ele há tantos por esse mundo fora, principalmente no terceiro mundo, destruídos pela voracidade do turismo sem regras), um lugar onde nos orgulhemos de crescer, um lugar onde possamos dar, receber e fruir, permeabilizarmo-nos a outras culturas e modos de vida.Um projecto deste tipo, que resulta do conhecimento e intercâmbio de muitas e diversificadas culturas, é, evidentemente, um projecto cosmopolita. Elitista? Sim, sem dúvida, não me repugna o termo (às vezes, o termo é utilizado de uma forma pedante, e aí não gosto, mesmo nada) se o sentido fôr o da procura de ideais nobres, de educação, civismo, respeito pela cidadania. O progresso refere-se sempre a qualquer coisa; sem referências não há progresso.
Num projecto cultural para a cidade devemos, pois, apostar nos valores da excelência, e não nos da mediocridade, da mediana confrangedora (do fado, a que às vezes parecemos predestinados) para que possamos dar um rumo à cidade, criar um sentido, desenhar um horizonte, uma utopia. Porque é com as utopias que se constroem os futuros, ninguém duvide. Pensar o contrário é ligeireza, falta de tino, rasquice, irresponsabilidade e desleixo cultural, forçar a bigbrotherização da sociedade (note-se que não estou a moralizar) que infelizmente teima (porque nós, cidadãos, permitimos) em vulgarizar e rebaixar a vida a um nível extremo. A educação pela cultura é um valor, uma responsabilidade social acrescida nas circunstâncias actuais, porque é o que faz a diferença entre ser cidade e não-cidade, ser cidadão e não-cidadão.
Manuel Valente Alves
10/30/2003 01:33:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



quarta-feira, outubro 29, 2003
 
Lisboa-Castelo

Falar de Lisboa

Falar de Lisboa é falar de Luz, de Mar e Sol e de muitas e variadas gentes.
É falar de passado milenar, multicivilizacional, da epopeia percursora da globalização, da troca de cheiros, de olhares e de culturas e também de muitos prantos em canto convertidos.
É falar de presente, cheio de vontades, desejos e sonhos raramente cumpridos. É, sobretudo, falar de futuro num Mundo com equilíbrios diferentes e difíceis, de competições que abalam os “acquis” civilizacionais, que esmagam os que não combatem e que desprezam os que se deixam ficar para trás. E que futuro queremos nós construir para a cidade?
Um futuro em que a cultura prevaleça sobre os pragmatismos de um mercado sem regulação, onde o azul do céu não seja moldado pela má utilização dos recursos naturais, onde os risos das crianças e dos jovens não sejam esmagados pela ausência de oportunidades e onde as várias gerações convivam sem barreiras para além daquelas que elas próprias considerem de preservar. Um futuro em que a sua forma de ver, pensar e influenciar não se esgota no seu espaço territorial, mas antes se transporta, se transmite e se afirma em todos os centros do mundo onde chegar: na Europa onde tem espaço próprio, em África onde chegou, deu, recebeu e partiu, nas Américas onde morou e muitas vezes revisita e no Oriente onde teima em deixar raios de luz que recebe umas horas mais tarde.
Só com bom senso, ambição e visão estratégica conseguiremos construir esse futuro. Governando a cidade não em função da imagem mas da substância, apostando na qualificação das pessoas, no conforto da sua mobilidade e circulação, na beleza dos espaços habitacionais e de trabalho, no investimento qualificado e nos tempos de lazer, cultural e recreativo que sustentam a elevação, a descompressão e a alegria de viver, para viver com alegria.
Maria de Belém Roseira
10/29/2003 01:12:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



terça-feira, outubro 28, 2003
 
Lisboa-Eléctrico

Recuperar o Amarelo

Os tempos contemporâneos incitam ao transporte próprio. As pessoas tendem a usufruir do seu meio de transporte, constantemente, e não prescindem de o levar para qualquer local. O carro torna-se um género de porta-chaves ambulante. Não se abdica dele, por nada, pois só com as quatro rodas se conseguem abrir as diversas portas. Do trabalho, da casa, da escola, do café. Hoje, há quem não saiba realizar qualquer deslocação sem o seu próprio carro, por que o simples facto de andar a pé ou num transporte público é algo impensável, acabando por se tornar estranho qualquer deslocação que não se faça à frente do volante.
A cidade começou, sem o querer, a estender um tapete aos automóveis. Os passeios, espaço destinado aos peões, serviam de parque de estacionamento. Em boa hora, há uns anos, a EMEL devolveu a calçada às pessoas, disciplinando o estacionamento. Agora, infelizmente, o automóvel reconquistou, outra vez, por descuramento de quem de direito, o espaço pedonal.
Mas, se já nos apercebemos e sentimos esta peleja volúvel, entre carro e peão, outro facto resulta desta falta de harmonia. A cidade descaracteriza-se aos poucos, isto porque, abandona-se e esquece-se um meio de transporte colectivo muito característico da nossa bela cidade: o eléctrico. Não me refiro, naturalmente à carreira 15, mas sim aos tradicionais amarelos da CARRIS.
O eléctrico é parte integrante da cidade. É uma marca da cidade. Por entre as colinas, a sua passagem não é indiferente e pelos sítios onde já rolou, a saudade regressa, sempre que se olha para os carris que jazem no alcatrão. Os mais velhos sentem a falta do transporte que tantas vezes os levou a desbravar a cidade e os mais novos começam a conceber a cidade sem o eléctrico, com a excepção da parte antiga.
Cabe-nos a todos escolher, se queremos uma cidade que não abdica do seu património e o valoriza ou a trata como um espaço artificial. Por isso, é preciso devolver o amarelo à cidade, à Lisboa de todos as eras, por que o amarelo também tem o condão de nos proporcionar o Tempo que nós, tantas vezes, desprezamos.
CMC
P.S. - Estava anunciado para hoje, terça-feira, o texto de Vicente Jorge Silva. Devido a uma impossibilidade pessoal, o artigo será colocado na próxima semana.
10/28/2003 02:46:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



segunda-feira, outubro 27, 2003
 
Lisboa-Eléctricos

A nossa cidade

A nossa cidade dispõe de um significativo potencial e mantém grandes factores de atracção - população diversificada e qualificada, grupos económicos de dimensão variada, recursos técnicos e humanos, infraestruturas, grande representatividade política e financeira.
Ela tem, pois, capacidade para promover e dinamizar o progresso e a modernização não só da área metropolitana de Lisboa mas de todo o território nacional.
De facto, é uma cidade com uma forte relação de interdependência não só com as zonas vizinhas mas também com o restante território, relação concretizada em elevados fluxos pendulares de pessoas, bens e informação, que resultam de desajustamentos espaciais levando a sucessivas centrifugações de camadas populacionais cada vez mais distantes.
A função de capitalidade que Lisboa possui, constitui um factor de competitividade a nível nacional e internacional que tem de ser aprofundado.
Lisboa tem de apostar em novas valências, nomeadamente nas políticas sociais, desportivas e culturais, em particular nos bairros mais desfavorecidos.
Ela tem de se assumir como uma “cidade providência” ligada à ideia de cidadania e democracia e na primeira linha de combate às novas exclusões.
A nossa cidade é um receptor natural da população rural, de comunidades imigrantes dos PALOP’s e, mais recentemente, dos países de Leste.
A cidade pode dar uma grande contribuição ao reforço da solidariedade entre os povos, desenvolvendo relações multilaterais e multisectoriais com áreas urbanas de povos irmãos.
Mas é uma cidade que tem as suas contradições – dinamismo do centro e solidão das periferias, riqueza e níveis de pobreza ultrajantes, actividades inovadoras e marginalidades, etc.
É uma cidade que tem vindo a ser “embrulhada” na expressão feliz de Helena Roseta. Embrulhada nas promessas não cumpridas de Santana Lopes, mergulhada em decisões que marcarão negativamente o território e o tecido social, embrulhada na propaganda que desceu sobre a cidade sob a forma de enormes cartazes publicitando o óbvio.
OBRA POUCA, PROPAGANDA LOUCA – este é o resumo deste tempo de desgoverno do PSD.
Esta cidade merece um governo local que, em sintonia com a AML, compatibilize um equilibrado desenvolvimento económico e tecnológico com uma correcta defesa do património e melhoria ambiental.
Merece que se abra espaço de afirmação para as novas gerações e que se apoie os melhores criadores e as suas iniciativas.
Merece ser um espaço de afirmação de realidades pluridimensionais, porque mais importante que os edifícios e as infraestruturas são as pessoas.
A nossa cidade merece ser aquilo que ela é – simultaneamente uma cidade renascentista, veneziana, multicultural e mestiça.
Encruzilhada de culturas, de proveniências, de gente que faz e ama a sua cidade, esta é a cidade de cada um de nós e dos “outros”.
Dos outros que deixaram ou vão deixando marcas – marcas mediterrânicas, árabes, romanas, atlânticas, asiáticas, brasileiras, africanas.
Somos orgulhosamente herdeiros de tudo isso.
A nossa cidade pode e deve ser uma placa giratória de afectos e de diálogo.
Diálogo que queremos e esperamos se cumpra no FORUM CIDADE, iniciativa que se saúda vivamente.
Celeste Correia
10/27/2003 12:30:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



domingo, outubro 26, 2003
 
Agenda





Participarão no Blog:

Feira - Celeste Correia
Feira - Carlos Castro
Feira - Maria de Belém
Feira - Valente Alves
Feira - Miguel Coelho
10/26/2003 10:20:00 da tarde . - . Página inicial . - .



sexta-feira, outubro 24, 2003
 
Lisboa-Janela

Uma marca para a Cidade

A comunicação e a cidade são duas questões indissociáveis, mais ainda quando a cidade se quer projectar como uma cidade cosmopolita e moderna. Criar uma marca para a cidade, é sobretudo devolvê-la à sua identidade, à sua essência. Criar uma marca para a cidade é sobretudo desenhar um plano estratégico de comunicação em coordenação com o que a cidade quer ser. Projectar Lisboa (a nível interno e para o exterior) não é possível sem se saber o que Lisboa quer ser. É esta marca que falta hoje na cidade. Lisboa, cidade de quê? Em plena era da desintegração da coesão urbana, como explicar uma Lisboa sem marca, quando esta funcionaria como algo integrador? Vivemos numa cidade onde tudo se publicita, às vezes de forma agressiva, uma cidade que joga com o virtual e a informação, o lazer, o consumo, as expectativas e as fantasias, então como explicar que Lisboa não tenha uma marca? Onde está a identidade da cidade? Onde está o plano estratégico da cidade de Lisboa?
Lisboa deve, por isso, investir na comunicação. Deve apresentar-se, no seu projecto global, como uma cidade que articula a dimensão cultural e social, a revitalização económica e a requalificação urbana, com destaque para os espaços públicos, mas principalmente, para as pessoas. Lisboa deve ser ousada, deve apostar em intervenções inovadoras para se (re)inventar e criar essa identidade... ao escolher-se uma marca para a cidade deve-se procurar olhar as pessoas e o futuro.
Mas um futuro feito também de memórias e tradições vivas e de pessoas. Um futuro em que Lisboa deve assumir-se como uma cidade aberta, comunicativa, com preocupações sociais. Uma cidade que não esquece o seu passado, as suas margens e os habitantes que vivem à margem. Uma cidade que quer mais do que centros comerciais; quer fazer emergir as vivências e as rotinas quotidianas de forma a fazer emergir as pessoas. Lisboa deve ser uma cidade solidária. Lisboa deve chamar a si o combate à solidão, à exclusão. Lisboa devia inventar uma lei contra a solidão. Devia encerrar em si projectos capazes de a transformar numa urbe solidária, atenta à diversidade, que promove a inclusão e a cidadania.
Ser cidade é também estar em renovação, aceitar a mudança. Uma cidade não é só o que de fora vemos dela; é ela própria, a sua complexidade e segredos, a gente que nela vive. Lisboa do futuro não tem necessariamente que ser uma coisa muito diferente, cheia de extravagâncias ou objectos pós –modernistas. O grande desafio da Lisboa do futuro será talvez o de trazer às pessoas a capacidade de se enamorarem pela cidade. Uma espécie de afeição, de grau de envolvimento que só se consegue numa Lisboa com identidade, com marca. Uma Lisboa que sabe o que é e o que quer ser.
Ângela Morgado
10/24/2003 01:26:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



quinta-feira, outubro 23, 2003
 
Lisboa-S.Sebastião Pedreira

Era bom que reparassem…

As diversas tentativas de alterar o Plano Director Municipal (PDM), por via do regime simplificado, levadas a cabo nos últimos tempos pela maioria PSD/PP, sugerem-nos três observações e outros tantos comentários.
Observações:
A primeira é uma questão de validade. Com efeito, alterações que interferem com parâmetros urbanísticos (índices, cérceas, usos, etc.) que alteram os princípios do uso, ocupação e transformação do solo, só podem ser viabilizadas através dos procedimentos de alteração (dita normal, para se distinguir da simplificada) ou revisão, nunca por via do regime simplificado.
A segunda é uma questão de legitimidade. Não é, nem moral, nem politicamente, aceitável alterar, profundamente, por uma via que se pode considerar meramente administrativa (que, inclusivamente, não integra a fase de participação da população) um instrumento cuja elaboração foi amplamente participada pela população que vive e trabalha em Lisboa.
A terceira é uma questão de oportunidade. Não faz sentido efectuar alterações ao PDM descontextualizadas, sem se fundamentarem em qualquer tipo de estudo, numa altura em que se procede à revisão deste plano e em que o Plano de Urbanização da Zona Ribeirinha Oriental está em fase de aprovação (as diferentes alterações propostas apresentam uma grande incidência nesta área da cidade).
Comentários:
Perante tamanhas fragilidades, é por demais evidente que esta insistência em alterar o PDM, por via do regime simplificado, só se poderá justificar por uma questão de timing. Efectivamente, o timing político desta câmara não se coaduna com os prazos subjacentes aos processos de elaboração/revisão dos instrumentos de ordenamento do território (lamentavelmente morosos), ao ponto de se correr o risco de hipotecar o futuro da cidade em nome de objectivos de curto prazo que se desconhecem.
Mesmo que por artes mágicas, ou por via de uma interpretação jurídica extensivíssima, se inventasse fundamentação legal para alterar o PDM de forma simplificada, por uma questão de transparência de procedimentos, e até como prática pedagógica de estímulo à participação, seria da mais elementar justiça democrática que se desse a oportunidade de participar neste processo a todos os que vivem ou trabalham em Lisboa (obviamente os mais interessados) e que, inclusivamente, já participaram na sua elaboração. Este procedimento seria, aliás, bem mais adequado a quem se apresenta como paladino da cidade e do interesse colectivo, arauto do virtuosismo pluralista do processo de planeamento urbanístico.
Uma gestão sustentável da cidade não se pode reduzir a um conjunto de obras e ideias avulsas. Lisboa necessita de um projecto de cidade, de clarificar e precisar os seus objectivos estratégicos, de identificar os projectos estruturantes que mobilizem o colectivo e permitam “fazer cidade”. Isso, sim, poderia constituir o verdadeiro trampolim … para a cidade.
Pedro Costa
10/23/2003 01:59:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



quarta-feira, outubro 22, 2003
 
Lisboa-Sete Rios
Lisboa é um alvo vulnerável

A capital do nosso País poderá ser, por natureza estratégica e até política, um alvo de ataques terroristas. Pelo que, a Câmara Municipal de Lisboa deveria, pelo sim pelo não, planificar - no que respeita a segurança de pessoas e bens - para o pior caso e esperar o pior.
O nosso País, e consequentemente a cidade de Lisboa, tem passado incólume por todas as crises internacionais. Todavia, não podemos esquecer que "pertencemos" à Aldeia Global e, por isso, sujeitos a sermos molestados.
Mas a filosofia do "deixa andar," porque nada nos acontece não existe somente neste caso concreto. Aliás, esta filosofia manifesta-se a todos os níveis da sociedade portuguesa, designadamente em relação à prevenção e segurança.
A cidade de Lisboa possui, no que respeita a bombeiros e protecção civil, o Regimento de Sapadores Bombeiros (o maior e melhor Corpo de Bombeiros Profissionais do País), os corpos de bombeiros voluntários e ainda o Serviço Municipal de Protecção Civil, devidamente organizado. Por este motivo exige-se à Câmara Municipal de Lisboa (organização municipal) a alteração de atitudes e também que reclame ao Governo matéria legislativa que permita uma maior e mais eficaz intervenção por parte dos bombeiros da cidade de Lisboa.
Por outro lado, é importante referir que o crescimento da cidade (aumento demográfico, um maior número de espaços comerciais, de lazer, ou outros) não é devidamente acompanhado com a percentagem de bombeiros profissionais exigida por lei. Ou seja, a cidade cresce e os agentes de segurança diminuem. Não podemos, nesta área, defender uma política de contenção. Pois, este propósito e esta via podem dar origem a piores males.
A nossa cidade possui, no seu coração, aeroporto, rio, área florestal, e toda a envolvência no que respeita a uma "floresta de betão". Assim sendo, é urgente planificar atempadamente toda a intervenção que é necessária efectuar na nossa capital.
Não podemos omitir que, o presidente da Câmara Municipal é, perante a lei, o primeiro responsável pela segurança e prevenção dos habitantes da capital e, por esse motivo, deveria estar mais preocupado e dar mais atenção ao Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa e aos bombeiros voluntários que prestam serviço ininterruptamente nesta grande metrópole.
É urgente que a prevenção e segurança na cidade de Lisboa seja mais cuidada, através de uma maior planificação a nível de instalações, material, efectivos e formação profissional. Se não se acautelarem todas estas situações - directamente ligadas às pessoas e à salvaguarda dos seus haveres - a capital caminha a passos largos para uma época igual aquela em que ocorreu o incêndio do chiado.
Ainda há possibilidade de reparar a maioria dos males mas, se tal não suceder, os níveis de segurança (efectivos, formação, e equipamentos) podem ser iguais aqueles que contribuíram para que o incêndio do Chiado atingisse as proporções catastróficas que todos conhecemos.
Fernando Curto
10/22/2003 02:03:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



terça-feira, outubro 21, 2003
 
Lisboa-Alfama
Bloqueios

Vivemos tempos de bloqueios.
Tempos difíceis de afirmação e construção.
Tempos de glórias efémeras de individualismo e de vandalização.
Tempos de imensos desafios onde palavras esquecidas têm de ser recuperadas para desfazerem os garrotes que nos asfixiam.
Palavras como solidariedade numa cidade Capital, onde ao estuário de ligações retornam as caravelas de um povo com muitas feridas por sarar.
Palavras como inclusão, multiculturalidade e compreensão enriquecedoras dos saberes e sabores que Lisboa tem.
Tolerância e fraternidade, mais palavras a recuperar do desuso, alicerces da felicidade que os urbanos, submersos nos seus bloqueios, cada vez menos alcançam.
Lisboa tem de ser o reencontro de todas as civilizações, tem de ser a capital do cosmos da lusofonia. A galeria da arte, da escrita, da música, de todas as culturas que influenciámos e com as quais nos formámos.
Lisboa tem de ser a fonte de bem estar de quem cá vive, que exerça nos que aqui vêm, a sedução de uma metrópole em explosão de cor, sons e cheiros mediterrâneos.
Mesmo no bulício do desenvolvimento Lisboa tem de se recaracterizar, tem de ser um espaço de amor e desamor, onde gostem de se encontrar os povos da globalização para trabalhar, para decidir, para pensar, para estar.
Lisboa tem de se desfazer dos bloqueios, tem de se manter longe os faróis da projecção pessoal e dos holofotes do mediatismo individualista que lhe travam a partilha da sua cultura universal.
Lisboa tem de voltar a ter a alma de uma nação para que, quando se levantem os olhos e se perscrute o horizonte, as gentes saibam onde estão.
Força Fórum Cidade!
Em busca de soluções.
Luís Novaes Tito
10/21/2003 01:49:00 da tarde . - . Página inicial . - . Comentários (0)



segunda-feira, outubro 20, 2003
 
Lisboa-Rio
A Lisboa que queremos

Gosto de pensar neste blog como um espaço de discussão no qual pensamos na Lisboa que temos com a preocupação de a transformarmos na Lisboa que queremos.
A Lisboa que quero é uma cidade onde os jovens habitem, sejam independentes, possam alugar casa na centro da cidade sem grandes rendimentos, possam viver as ruas sem medo, não estejam constrangidos com as horas para apanhar o comboio, o barco, o autocarro ou o carro para os levar para casa. Onde os jovens tem vários espaços para a prática do desporto, parques desportivos disponíveis para todos os bolsos com segurança.
Uma Lisboa onde a Cultura seja apoiada e onde os seus dirigentes a entendam como um valor e não como um gasto supérfluo. Onde a cultura existe a preços reduzidos e com condições de divulgação que a tornam apelativa para muitos e não apenas para alguns. Onde a cultura e a rua se encontram e dão animação e alegria à vida agitada das pessoas.
Na Lisboa que quero os espaços verdes e o rio Tejo são por excelência um local de encontro de famílias, namorados, pessoas que lêem, pessoas que criam, pessoas que correm, pessoas que meditam, velhices felizes. Nesta Lisboa existem espaços verdes em vários pontos da cidade, não há bairros que se limitam a ser prédios.
Na Lisboa que quero o trânsito não transtorna a manhã e o fim de dia das pessoas, é planeado, o retorno a casa não é uma aventura nem um martírio, os transportes públicos são rápidos e cómodos, existem mais ruas próprias para transportes públicos e em muitas ruas existem faixas para bicicletas. Valoriza-se os veículos menos poluentes e planeiam-se soluções locais para o parqueamento.
Na Lisboa que quero valoriza-se o comércio de bairro, existem estruturas de apoio a este comércio como parques de estacionamento a preços reduzidos e segurança.
As pessoas passam menos horas nos grandes espaços comerciais.
Na Lisboa que quero o centro histórico está preservado, as fachadas estão conservadas e reaproveitadas em edifícios novos, a cultura está presente em cada esquina, é um local de vida e não de trabalho, um espaço de convívio diurno e nocturno, a música é residente fixa e os turistas podem dormir no centro em condições aproveitando o melhor que Lisboa tem. Nesta Lisboa é raro ver lixo no chão e não há entulho deixado por uma qualquer obra que terminou.
Parte desta Lisboa que quero existe para alguns lisboetas mas infelizmente não é uma realidade para a maioria.
A Lisboa que quero leva-me a pensar que muito está por fazer e que definitivamente não me impressiono com cartazes da CML que dizem "Lisboa está mais Bonita".
Se imaginarmos Lisboa sem estes cartazes e a Televisão sem os comentários do Sr. Lopes questionamo-nos: O trânsito melhorou? Há mais jovens a viver no centro da cidade? A Cultura tem mais apoios? Há mais espaços verdes? Há meia piscina em cada bairro? Lisboa está mais segura? A qualidade de vida dos lisboetas aumentou?
Nunca pensei que apenas com Casinos, Parques Mayers, Túneis e Ruas Madalenas tudo ficasse mais bonito. Devem ser muito grandes...Obrigado Marquês Lopes...
Duarte Cordeiro
Coordenador da Concelhia da Lisboa da Juventude Socialista
10/20/2003 12:08:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



domingo, outubro 19, 2003
 
Agenda


Participarão no Blog:

Feira - Duarte Cordeiro
Feira - Luís Novaes Tito
Feira - Fernando Curto
Feira - Pedro Costa
Feira - Ângela Morgado

Dia 22 de Outubro, pelas 21:00 horas, no Martinho da Arcada realizar-se-à uma tertúlia com a participação de Eduardo Prado Coelho, António Mega Ferreira, Jorge Coelho, Manuel Maria Carrilho e Clara Mendes, entre outros.
10/19/2003 11:06:00 da tarde . - . Página inicial . - .



sexta-feira, outubro 17, 2003
 
Lisboa-Rio
Querem gerir Lisboa?
Pois é pena que não se tenham candidatado.


Na passada semana, aterrei em Alfama, vindo de uma semana em Berlim, em missão parlamentar.
Olhando o Tejo, passei a limpo as horas de debate, no velho edifício do Reichstag, sobre a boa forma de usar as novas tecnologias para melhorar a qualidade da democracia, aumentando a transparência do funcionamento das instituições e criando novas formas de interactividade entre cidadãos e eleitos.
Aproveitei a ocasião para rever Berlim, a velha e a nova, passando a pente fino as zonas reconstruídas. Impressionantes as mudanças no tecido repleto de cicatrizes da cidade, culminando na magnífica reinvenção da Potzdamer.
Platz, repovoada de arranha-céus, coexistindo com antiquíssimos monumentos. O processo de reconstrução teve e tem momentos polémicos, é em si mesmo um formidável estaleiro de decisões complexas, em que há que articular o respeito pelo velho e a necessidade de inovar, a preservação de direitos de habitantes tradicionais e a captação de novos residentes, a definição de espaços públicos, a mobilização de recursos federais e locais...
Tudo isso está a ser feito, com assinalável eficácia, a uma escala gigantesca. Chegar a Alfama depois de tomar o café matinal na Avenida das Tílias berlinense tem todo o encanto do regresso e toda a perturbação decorrente do facto de que, “pela ordem natural das coisas”, deveria ser mais rápido o processo de reabilitação da pequena zona histórica onde muitas vezes pernoito do que a reconstrução de um gigantesco tecido urbano ferido por décadas de guerra fria e rasgado a betão pelo Muro em boa hora derrubado.
Mas não é. Ando a pé diariamente pelo bairro, desde a Sé ao Castelo, passando pelo vale chão que leva à Casa dos Bicos e habituei-me a rever, uma a uma, peças magníficas do apertadíssimo casario antiquíssimo, em estados de devastação muito variados, com andaimes aqui e além, mas sem estratégia integrada que dote Lisboa de um velho-novo centro de atracção, que tire partido do passado mourisco e dos fantásticos labirintos cheios de marcas históricas. Há agora medidas desgarradas (vg. videovigilância, restrições de acesso de veículos decretadas à Santana, sem prévia organização de soluções alternativas de estacionamento, em pleno mês de Agosto) e, inevitavelmente, muitos cartazes proclamando que tudo está “mais bonito”. O populismo jetset que domina o executivo camarário decreta, actua, adia, acelera com impressionante indiferença em relação aos destinatários das decisões. Essa redução dos cidadãos à condição de administrados (receptores passivos, privados de dimensões activas de cidadania), a consumar-se, seria uma perigosa regressão, que nos mergulharia em métodos arcaicos de governação, tirando voz aos moradores (ou pondo tampões nos ouvidos dos governantes).
É por isso crucial debater e activar as formas de intervenção cívica propiciadas pelas novas tecnologias de informação e comunicação, articulando-as com as tradicionais.
Por mim, sustento que é num mix equilibrado que reside a boa resposta à diversidade de necessidades comunicacionais. Quando o PS decidiu fazer uma "volta do desassossego" pela cidade antes do debate do tema na Assembleia Municipal de Lisboa, utilizou com pertinência uma fórmula comunicacional assente no poder dos media, condicionando a postura do executivo na discussão e alertando a opinião pública. O que é mais criticável no estilo de governação de Santana Lopes não é o facto de veicular mensagens através dos media de forma espalhafatosa, mas sim o deliberado processo de fechamento sistemático de canais de interacção democrática (velhos e novos), substituindo-os pela propaganda oficial monofónica, paga pelos cofres do município. O pragmatismo cínico que valoriza públicos-alvo muito info-excluídos leva-o a considerar que não vale a pena apostar nas novas tecnologias: cartazes e TV, eis as armas certas para o trabalho certo.
Espantosamente, a “novidade” que a meio do mandato SL trouxe ao debate sobre o estado da cidade foi o anúncio da "Linha Expresso Qualidade Lisboa XXI", assente, ao que vagamente disse, numa linha telefónica e nos olhos vigilantes de aposentados (inculca-se que esses terão audição garantida, já que a qualidade geral dos atendimentos telefónicos camarários é penosa: tenho um gritante caso de saúde pública no andar de baixo do meu prédio, irresolvido, pesem embora as reclamações!). Quanto às formas tradicionais de crítica e intervenção (vg. petições), nenhum problema: quando individuais e invisíveis são fáceis de gerir, quando colectivas e publicitadas replica-se com voz grossa e mantém-se o rumo, de forma imperturbável.
Os moradores do Chiado têm críticas às emissões sonoras na baixa? O porta-voz do vereador Pedro Pinto, Manuel Anta, replica que nada há a fazer. Petição? Desqualifica-se e deslegitima-se a iniciativa: “Há muitos senhores e senhoras que subscreveram o abaixo-assinado que nem sequer moram em Lisboa, há pessoas de Almada e da Parede, por exemplo". Indo mais longe, esboça-se até um esforço de virar tecnologias contra tecnologias, dizendo que a câmara terá recebido inúmeros "e-mails" com reacções positivas aos altifalantes (difusamente referidos, sem menção de origem, certamente nunca vindos da Parede, de Almada ou de um endereço anónimo do hotmail). Salutarmente, Santana Lopes, tornou-se alvo preferencial na blogosfera lisboeta. Através da web vão sendo documentados os dislates, o desperdício, as fanfarronantes promessas incumpridas. Depois do pioneiro "site" Lisboa Abandonada e do Jornal da Praceta, o mapa do santanismo vai sendo agora desenhado em blogs de natureza variável, desde o institucional como este novíssimo Fórum Cidade até outros com nomes significativos: Muro sem Vergonha , Lisboa a Arder, Substrato, Vizinhos do Centro de Lisboa.
A propósito destes últimos o porta-voz santanista enunciou a doutrina democrática dos actuais governantes de Lisboa”: “Querem gerir Lisboa? Pois é pena que não se tenham candidatado”. Há que mostrar-lhes que até à data em que sejam substituídos pelo voto popular, a cidadania não está suspensa, nem se cloroformiza com cartazes.
José Magalhães
10/17/2003 12:01:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



quinta-feira, outubro 16, 2003
 
Lisboa-Intendente
Toxicodependência: diminuir riscos, prevenir danos

Neste novo fórum em que se reflecte sobre os problemas da cidade, quero falar-vos da toxicodependência e, sobretudo, dos consumos problemáticos. Ou seja, dos consumos por via injectável, regulares e de longa duração de opiáceos, como por exemplo a heroína que degrada física e psicologicamente quem a consome.
Portugal é dos países da UE que mais consumidores problemáticos tem, estimando-se que nesta situação se encontrem entre 40.000 a 60.000 indivíduos.
Trata-se de uma população que se encontra em situação de grande precariedade e degradação social, com laços familiares desfeitos e rupturas profissionais profundas, que vivem normalmente em bairros marginalizados das cidades, em situação de grande exclusão e abandono social. A maior parte deles com gravíssimos problemas de VIH-SIDA.
Todos nós recordamos as imagens de miséria e degradação dos toxicodependentes do Casal Ventoso, que agora se disseminaram pela cidade de Lisboa e em particular pelo Intendente e zonas circundantes, numa autêntica Sala de Chuto a céu aberto.
Para um tão grave problema social que se vive em Portugal, e particularmente na cidade de Lisboa, são exigíveis medidas específicas que o combatam de forma eficaz.
Portugal foi polémico mas pioneiro na definição da lei de descriminalização do consumo que permitiu retirar os toxicodependentes do campo criminal para o campo da saúde, onde a punição deu lugar ao tratamento.
Mas, se este passo foi vital na construção de um novo entendimento do toxicodependente e do lugar que deve ocupar no sistema sanitário, muita coisa ainda está por fazer. Devemos continuar a enfrentar o problema sem medo nem reservas, abrindo, se for caso disso, novo espaço à polémica, mas fazendo qualquer coisa que não passe pela mera contemplação de processos que se deslocam e se reiniciam em outros espaços. O Casal Ventoso de ontem não pode ser o Intendente de hoje ou qualquer outro bairro de amanhã.
Temos em vigor um Plano de Acção Nacional de Luta contra a Droga e a Toxicodependência que prevê, no regime geral da políticas de prevenção e redução de riscos e minimização de danos, programas para consumo vigiado. Assim se protegem os consumidores problemáticos dos riscos de infecção, através do incremento de assepsia no consumo intravenoso e consequente diminuição das doenças infecto-contagiosas associadas a este tipo de consumo. Aquilo a que em linguagem comum se designa de Salas de Chuto.
É esta uma das formas de combater a imagem de decadência e abandono em que muitos dos toxicodependentes problemáticos se encontram. Assim o têm provado experiências inovadoras em grandes cidades europeias.
Perante a dimensão social e humana deste problema, não devemos cruzar os braços. Espero que haja coragem política para enfrentar sem preconceitos aquele que, queiramos ou não, é um dos maiores problemas de exclusão social do nosso país e particularmente desta nossa cidade que é Lisboa.
Elza Pais
Encarregada de Missão para a Luta Contra a Droga e a Toxicodependência da AIAP.UNESCO - Portugal
Ex-Presidente do IPDT
10/16/2003 12:41:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



quarta-feira, outubro 15, 2003
 
Lisboa-Túnel
Paremos a irresponsabilidade

Porque não podemos permitir que o Túnel do Marquês seja construído

Nos dias de hoje os partidos políticos e as restantes entidades da sociedade civil organizada, presentes nos países industrializados, que não tenham preocupações sérias com a crise ambiental que o planeta atravessa, podem ser denominados de irresponsáveis.
Dar resposta à crise ambiental global não é um esforço que possa depender opções políticas conjunturais, é um imperativo de sobrevivência da humanidade.
O mais grave problema ambiental da actualidade é processo de alterações climáticas em curso, que têm, com um grau elevado de probabilidade, origem nas actividades humanas.
As consequências deste processo, que se desenvolve de forma exponencial tal como os factores que lhe dão origem, vão desde o crescimento das áreas florestais ardidas à aceleração dos processos de desertificação, da redução dos recursos hídricos disponíveis para consumo humano ao aumento das áreas afectadas por cheias e pela erosão costeira, da redução da área arável e das disponibilidades alimentares à redução da biodiversidade.
Se não conseguirmos mitigar este processo a geração que agora ingressa na população activa, viverá num Mundo bárbaro e atroz. Poucos sobreviverão.
Para conseguirmos inverter o crescimento dos factores que contribuem para o aquecimento global não nos basta levarmos a cabo uma revolução tecnológica, temos que reduzir e estabilizar a um nível sustentável o consumo de energia e de materiais que actualmente mantemos.
Considerando fundamental a acção colectiva, não é possível levar a cabo estas tarefas se aqueles que têm maiores responsabilidades políticas tomam decisões irresponsáveis.
Uma das actividades humanas que mais contribui para o processo de aquecimento global é o transporte de pessoas e mercadorias, sendo o seu contributo aquele que mais cresce. As cidades que cresceram de forma desordenada e em que o nível médio de riqueza permitiu o acesso ao automóvel privado, são aqueles locais onde uma intervenção irresponsável tem custos maiores no futuro.
Isto serve para traçar o quadro em que se devem inscrever as decisões que formatarão os padrões de mobilidade que teremos no futuro que, por força da própria existência da espécie, terão obrigatoriamente que ser sustentáveis.
Promover uma mobilidade sustentável significa tomar medidas que nos permitam alcançar três objectivos:
1-Reduzir a dimensão das grandes áreas metropolitanas, através de políticas de desenvolvimento regional que baseadas no potencial do território o equilibrem;
2-Reduzir as necessidades de deslocação intra-urbanas, aproximando funções;
3-Aumentar a eficiência dos sistemas de transporte urbanos.
Este último objectivo só pode ser conseguido, se conseguirmos reduzir substancialmente proporção de pessoas e mercadorias transportadas através de meios individuais. Tal não é possível aumentando o espaço disponível para a circulação automóvel, uma vez que se encontra demonstrado que investir no alargamento da capacidade das vias rodoviárias, sobretudo as radiais, induz o aumento de tráfego agravando-se, assim, o congestionamento do trânsito e toda a espécie de danos económicos, sociais e ambientais que ele acarreta.
A construção, na cidade de Lisboa, do Túnel do Marquês, duplicando o espaço de circulação disponível para circulação automóvel, para além de ser uma medida irresponsável em si mesma constitui-se num símbolo daquilo que não pode ser feito para que possamos cumprir o programa que as sociedades industrializadas têm obrigatoriamente que levar a cabo se quiserem sobreviver.
É um dever de cidadania desempenhar um papel fundamental não só nas escolhas eleitorais dos programas que consagram, ou mais se aproximam de, um desenvolvimento racional e sustentável da área urbana, mas também respaldados num quadro de participação agirmos activamente no sentido de travar os processos mais negativos de degradação da cidade e cujos malefícios se irão prolongar no tempo.
Enquanto cidadãos responsáveis devemos utilizar os meios políticos de que dispomos para impedir a concretização deste Túnel.
Decorre a recolha de assinaturas para que possa ser requerido à Assembleia Municipal a realização de um referendo que derrote esta opção. Ainda podemos consegui-lo em www.referendotunel.org
Acácio Pires
Promotor do referendo sobre o Túnel do Marquês, membro da Direcção do Núcleo de Lisboa da Quercus
Referendo Túnel
10/15/2003 12:29:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



terça-feira, outubro 14, 2003
 
Lisboa-Túnel

Ver para crer

Poucos dias depois da posse do novo executivo, a Câmara Municipal de Lisboa anunciou um programa de emparedamento de todos os edifícios devolutos existentes na cidade, na sequência de um incêndio que deflagrou num prédio alegadamente ocupado por toxicodependentes na zona do Chiado.
O Presidente da Câmara aparecia, assim, aos olhos da opinião pública, mal refeita da surpresa eleitoral, como homem destemido, capaz de enfrentar os poderosos interesses dos proprietários lisbonenses, guindando uma máquina autárquica que dera mostras de fazer obra para uma nova prioridade política centrada na reabilitação urbana.
Na mesma linha de prioridade, encontrando-se fresca a promessa de reabilitação do Parque Mayer em poucos meses, anuncia-se um fundo imobiliário para a Baixa Pombalina, a saída urgente dos ministérios da Praça do Comércio e, a provar a determinação em travar a expansão da construção nova, a Câmara opõe-se ao licenciamento das torres Colombo (herança da era Abecassis em que o novo Presidente não se revê).
Legitimado por um programa eleitoral onde se escreveram críticas à actuação anterior da Câmara que não havia logrado concluir os Planos de Urbanização e de Pormenor para as unidades operativas de planeamento e gestão identificadas no Plano Director Municipal, assume-se a herança da era Sampaio.
Posteriormente, anuncia-se a conclusão da revisão do PDM antes do final do corrente ano, onde a alusão à cidade dos bairros foi lida, mais uma vez, como uma aposta estratégica na contenção da expansão da cidade para novas áreas e a consequente prioridade à reabilitação e repovoamento das zonas históricas.
Estranhamente, passados 22 meses, talvez embalados por anúncios de novas medidas para o futuro, ou distraídos pelos cartazes que anunciam flores na Avenida e buracos tapados no alcatrão, ninguém se lembra dos emparedados que subsistem sem reabilitação (dos demolidos e dos que já começaram a cair), do fundo imobiliário que não existiu, e dos Ministérios que não saíram -embora tenham sido anunciados os nomes dos chefes de cozinha dos restaurantes que lhes sucederiam…
Estranhamente, depois da enérgica decisão de encomendar ao Arq.º Frank Gehry a reabilitação do Parque Mayer, tomada quase no fim do prazo anunciado na campanha eleitoral para a conclusão da tarefa, e quando tudo pareciam certezas lemos incertezas na boca do projectista, citado pela imprensa…
Estranhamente, quase no fim do prazo marcado pelo Presidente da Câmara para a conclusão da revisão ordinária do PDM, lê-se na imprensa declarações do próprio que afirma afinal que esse processo só se conclui em quatro anos e, em sua substituição, surge aprovada na Câmara uma alteração de âmbito limitado que basicamente destina-se a permitir aquilo que só seria permissível depois de devidamente enquadrado em Plano de Urbanização ou de Pormenor que não se elaborou, e cuja tónica mais vincada pela comunicação social é o fomento da construção nova em altura…
Se as obras do prometido e inútil túnel do Marquês forem mais dinâmicas que a mudança dos cartazes que sucessivamente a anunciam, talvez daqui a dois anos possamos assistir a engarrafamentos matinais no seu interior, gerados por muitos incautos, residentes na linha de Cascais que trocaram o comboio pelo carro, cujo único desejo é emergirem à superfície, onde, ao lado de flores murchas, surge um grande cartaz que questiona: já reparou que construímos um túnel só para si? Meta-se no carro e vá lá ver!
Paulo Prazeres Pais
10/14/2003 01:35:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



segunda-feira, outubro 13, 2003
 
Lisboa- Rio

Fidelidade ao espírito de Lisboa!

Tumulto de formas e cores” – disse da cidade Jaime Cortesão. “Rasga-se em frente a enseada azul do Tejo, tão ampla e tamisada de tons que logo funde tudo o mais em seu esplendor e vastidão”. A cidade foi sempre uma encruzilhada de culturas, a capital dos Descobrimentos, ponto de partida para mil viagens. Não pode ser desprezada ou posta ao serviço de quem não compreende que a história e o urbanismo estão ligados umbilicalmente. Uma cidade sem memória e sem consciência da sua própria história corre o risco de se destruir. Veja-se o que se passa com o centro de Lisboa. Por que razão se assiste ao despovoamento? E por que razão se insiste em soluções que esquecem a natureza e as pessoas? Não basta dizer que se protege o património cultural, quando o ambiente, as tradições e a consciência ecológica são severamente ameaçados. A ideia de património vivo obriga a que a cidade seja devolvida às pessoas e a que haja uma dimensão hospitaleira… Dir-se-á que as áreas metropolitanas são, por definição, opressivas e que nada poderá fazer-se para devolver à cidade uma consciência ética, estética e ecológica. Puro engano. Se há muitos atentados, é preciso pôr-lhes cobro, formando e informando, mobilizando vontades e energias, criando o gosto pela cidade e um melhor conhecimento da sua história e dos seus problemas. Mudar a cidade tem de começar por pôr as pessoas a dizer aquilo de que gostam e de que não gostam – e a fazer os cidadãos participar na tarefa de tornar a cidade mais habitável e mais hospitaleira. E, para amar a cidade, é preciso conhecê-la e vivê-la. O “poboo de lixboa” do fim da Idade Média ainda existe no código genético da cidade, a sua memória não pode ser esquecida. Como pensar a cidade do futuro se esquecermos a ribeira de Valverde, o ribeirão dos Anjos, o esteiro do Tejo, a estacaria de pinho verde da Baixa pombalina, a Judiaria e Alfama, o Carmo e a Trindade, Graça e S. Vicente, a cerca fernandina, a Costa do Castelo e a Mouraria? Mas, a cidade rompeu as suas velhas fronteiras – passou o Bairro Alto, a Estrela, subiu a Arroios e ao Areeiro, abriu a Avenida da Liberdade, foi às Avenidas Novas… Hoje parece haver quem esqueça tudo isso. Mas, como ser indiferente perante os miradouros e as colinas? Como ser cego perante os pontos de vista imortalizados por Carlos Botelho ou por Bernardo Marques? Como esquecer o Rio Tejo, para o qual a cidade esteve de costas voltadas durante muitas décadas, até que Lisboa se descobriu na relação fecundíssima com o estuário – na era da 24 de Julho e da sua movida. A cidade precisa dos seus cidadãos! E o futuro tem de ser preparado com uma nova perspectiva patrimonial – material e imaterial, construída e natural. Cidade das Luzes? Voltaire falou da nossa cidade como símbolo de um novo tempo! Temos de voltar a compreender o carácter pioneiro de Lisboa. Mas não é só a recordação do “Empório Cosmopolita”, a Casa da Índia ou a Praça do Comércio, não é só o porto onde chegaram os ecos do dito longínquo: “Boa ventura! Boa ventura! Muitos rubis, muitas esmeraldas”… Foi e é a cidade da poesia e das tertúlias dos cafés… Foi e é a cidade de Fernando Pessoa, de Almada Negreiros, de Orpheu e de uma cultura plena de saudades de futuro. Lisboa tem de regressar ao seu centro. Lisboa tem de voltar a pensar o futuro a partir do passado. Sejamos fiéis à cidade! Os nossos corvos devem continuar vivos! Recusemos o conformismo! Façamos da cultura uma marca, um sinal!
Guilherme d’Oliveira Martins
10/13/2003 12:31:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



domingo, outubro 12, 2003
 
Agenda





Participarão no Blog:

Feira - Guilherme d'Oliveira Martins
Feira - Paulo Pais
Feira - Acácio Pires
Feira - Elza Pais
Feira - José Magalhães
10/12/2003 02:02:00 da manhã . - . Página inicial . - .



sábado, outubro 11, 2003
 
Carlos do Carmo

Canoas do Tejo (ouvir em Fado.biz)
Link's a não perder : Fado e At Tambur (aqui e aqui)


40 anos a cantar Lisboa

Lisboa é mais bela quando ouve o dedilhar de uma guitarra. Lisboa é mais alfacinha quando o Fado se faz ecoar nas suas ruas e vielas. Lisboa fica mais fascinante quando se encontra deleitada à beira Tejo, perscrutando a voz de quem a sabe cantar.
Carlos do Carmo sabe, como poucos, cantar Lisboa, por que a vive, a sente e a exibe, cantando, com o orgulho e carinho de quem ama esta cidade.
Quando ouvimos Carlos do Carmo sentimos a Alma de Lisboa. Pela sua carreira, 40 anos, resta-nos elogiar o Homem e o grande Fadista.
Parabéns Carlos do Carmo pela distinta carreira!

Canto de Lisboa

Se uma gaivota viesse trazer o céu de Lisboa
… certamente reconheceria no Tejo uma…

Canoa conheces bem / Quando há norte pela proa / Quantas docas tem Lisboa / E as muralhas que ela tem

… no Castelo, mas do leito do rio vê-se…

O amarelo da Carris / Vai da Alfama à Mouraria / Quem diria / Vai da Baixa ao Bairro Alto / Trepa a Graça em sobressalto / Sem saber geografia

… estude-se para aprender, quando as aulas começam, no Outono, procura-se o pregão de…

Quem quer quentes e boas, quentinhas
A estalarem cinzentas, na brasa
Quem quer quentes e boas, quentinhas
Quem compra leva mais calor para casa


… e a caminho do lar, o Tejo pisca-nos o olho e …

Lá vai no mar da Palha o cacilheiro / Comboio de Lisboa sobre a água

Leva namorados / marujos soldados / e trabalhadores / e parte de um cais
que cheira a jornais / morangos e flores / regressa contente / levou muita gente
e nunca se cansa / parece um barquinho / lançado no Tejo / por uma criança
num carreirinho / aberto pela espuma / lá vai o cacilheiro / Tejo à solta
e as ruas de Lisboa / sem ter pressa nenhuma / tiraram bilhete de ida e volta


... por tudo isto e muito mais, serás sempre para nós a nossa…

Lisboa menina e moça / menina
da luz que os meus olhos vêem / tão pura
teus seios as colinas / varinas
pregão que me traz à porta / ternura
cidade a ponto luz / bordada
toalha à beira mar / estendida
Lisboa menina e moça / amada
cidade mulher da minha vida

MCM
10/11/2003 03:43:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



sexta-feira, outubro 10, 2003
 
Lisboa
Para uma Lisboa onde exista qualidade de vida

Aquilo que nós pretendemos é criar as condições que tornem possível a apresentação de uma alternativa, que apresente aos cidadãos de Lisboa uma proposta assente nas pessoas, com as pessoas e para as pessoas.
A nossa linda cidade necessita de um projecto que a humanize, que faça de Lisboa a cidade menina e moça que todos desejamos, mas que infelizmente, actualmente, não temos.
Para esse projecto é necessário, antes de mais, ter a coragem de dizer que as Pessoas terão a primazia!
Significa isto dizer que queremos, de uma vez por todas, colocar o automóvel no seu lugar, o que implica dizer que o automóvel existe para servir o Homem e não para nos fazer «escravos» dele.
Para que consigamos inverter a situação actual temos que assumir perante os cidadãos de Lisboa o compromisso de apostar nos transportes públicos. Isto implica que não é possível Lisboa continuar a ter uma política enganosa para com os cidadãos, os quais são incentivados «a utilizar os transportes públicos, enquanto durem as obras dos túneis» para depois, alegremente, lhes dizermos, «já podem trazer o carrinho, para chegar mais depressa à fila respectiva». Isto não é possível!
Lisboa tem que ter uma política coerente e que permita que todos os cidadãos percebam os objectivos que se pretendem atingir. Não é possível continuar a transmitir mensagens contraditórias, que apenas contribuem para confundir e baralhar os cidadãos.
Essa política tem que assentar nos seguintes eixos:
a)
Primazia aos transportes públicos, em detrimento dos automóveis particulares;
b) Ampliação dos corredores BUS, em toda a cidade, numa lógica de primazia total e absoluta aos transportes públicos;
c) Clara aposta na melhoria dos transportes públicos, designadamente continuando a apostar na complementaridade dos diferentes meios de transportes e na sua modernização e ampliação;
d) Apostar no alargamento da rede de eléctricos rápidos;
e) Garantir que os transportes públicos existem para servir os utentes, o que significa entender a necessidade de alargar os horários de funcionamento das carreiras, bem como a necessidade da existência de carreiras que permitam a mobilidade dos cidadãos no interior das freguesias;
f) Estacionamento com preços diferenciados, com uma discriminação positiva para todos os eleitores de Lisboa, com taxas mais baratas, independentemente de se manter o direito ao estacionamento gratuito na respectiva zona de residência;
g) Construção de parques de estacionamento dissuasores, nas entradas da cidade, com preços baixos, associados a uma ligação aos interfaces dos transportes públicos;
h) Condicionamento da circulação dos automóveis particulares no perímetro central da cidade.
Para implementarmos este projecto é necessário que a EMEL cumpra as funções para as quais foi criada – gestão do espaço público, para o estacionamento - com eficiência e profissionalismo, o que actualmente não está a conseguir fazer. Para conseguir dar satisfação a esse objectivo a EMEL deve continuar a ser uma empresa municipal, cujas orientações e directrizes são traçadas pela Vereação Municipal, afastando-se, de vez, qualquer ideia da sua privatização.
Dias Baptista
10/10/2003 01:05:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



quinta-feira, outubro 09, 2003
 
Lisboa-Ponte


Lisboa das pessoas / Lisboa solidária

A Cidade de Lisboa está a crescer há já alguns anos, ou seja, aumenta a construção do betão mas não se desenvolve.
Falamos portanto de um grupo etário – o maior – abandonado, esquecido, e de que todos precisam – os idosos -. Lisboa, os seus idosos ou seja a sua memória, o seu saber, a sua experiência feita, está de costas voltadas para com os seus idosos.
Cresce e abandona os idosos nos últimos pisos dos prédios sem elevadores, em habitações muitas delas degradadas.
Mas, quando eles pretendem fruir um pouco a cidade ela impede-os. Os passeios ocupados pelos carros, dejectos dos canídeos é a oferta que têm quando pretendem como peões passear pela Cidade.
Os idosos pertencem à Cidade e dão vida aos bairros com as suas tradições, cultura e vivências.
Os idosos de Lisboa têm o direito a ter qualidade de vida, a serviços de apoio de excelência e a serem AMADOS, DESEJADOS E RESPEITADOS.
Para que tal aconteça é imprescindível que o Dr. Santana Lopes cumpra o prometido – projectos sociais integrados e não apenas passeios pelo Tejo e pelo Douro -.
Quando começamos a ver a Cidade de Lisboa como Cidade da convivência inter-geracional, Lisboa espaço vivo para e das pessoas?
O mandato já vai a meio. Passaram 2 anos.
Para quando o cumprimento das promessas Dr. Santana Lopes?
Ana Sara Brito
10/09/2003 12:12:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



quarta-feira, outubro 08, 2003
 
Lisboa-Castelo

Lisboa precisa de quem a pense num registo de longa duração

Lisboa tem um serviço a prestar a Portugal nas primeiras décadas do século XXI: Afirmar-se como a terceira metrópole da Península Ibérica. Caso contrário, Portugal põe em risco a sua independência.
Para cumprir este objectivo Lisboa, que concorre com várias cidades espanholas numa verdadeira super liga, tem de dar um salto qualitativo.
Lisboa não se afirma como uma metrópole moderna da Ibéria e da União a olhar para o passado.
O fado, os cacilheiros, os velhos (e já agora as velhas do Restelo), as igrejas, os ardinas, os pregões, os eléctricos, os cafés, os miradouros são uma parte importante da nossa alma, essenciais para a diferenciação e tal como as impressões digitais confirmam a nossa identidade, mas é minha convicção que são atributos insuficientes para assegurar a nossa competitividade presente e futura.
Lisboa precisa de arejar, de se pôr bonita, de ser atrevida.
Lisboa precisa de ser mais sedutora, mais alegre, mais cosmopolita.
Se Lisboa paga os custos da capitalidade, que se traduzem no essencial em menor qualidade de vida, é justo que goze o brilho, o espectáculo, o glamour de uma cidade moderna.
Os tristes de todos os quadrantes querem, no entanto, uma Lisboa moralista, coitadinha, provinciana, pequenina.
Há outro caminho: Com raízes bem fundas na Portugalidade de Lisboa, procurar construir uma metrópole vanguardista e arrojada.
Para esta Lisboa XXI estão convocadas todas as raças e todos os credos, com a suas cores e os seus ritmos, numa mistura universalista e ecuménica que só lhe traz força, dinamismo, pujança.
Tendo como matriz a liberdade e como opção de alguns a solidariedade, Lisboa tem de se afirmar como uma marca prestigiada na sociedade global do conhecimento.
Em síntese, diria que Lisboa precisa de uma utopia, seguramente de uma estratégia.
Lisboa precisa de quem a pense num registo de longa duração.
Parafraseando Eça: "é preciso que quem governa Lisboa não continue a ser um prestígio à procura de uma ideia construtiva."
Paulo Noguês
10/08/2003 10:15:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



terça-feira, outubro 07, 2003
 
Lisboa-Monsanto

Nem Duarte Pacheco...

O Dr. Santana Lopes assumiu a presidência da Câmara Municipal de Lisboa num momento em que se encontravam resolvidos, pela maioria que o precedeu, grande parte dos problemas que exigiam maior esforço de investimento municipal. Por isso, e apesar da situação de contenção da despesa pública em que vivemos, o Presidente da Câmara dispõe de recursos próprios que lhe permitem cumprir aquilo que prometeu aos lisboetas. Conta também com condições políticas de que não se pode queixar, uma vez que nem Duarte Pacheco (*) teve, no seu tempo, uma influência no Governo tão grande como a que Santana Lopes tem actualmente. Se a isto juntarmos o favor da maior parte da comunicação social, com especial destaque para as televisões, e uma opinião pública naturalmente influenciada por esta atitude dos media, quase poderíamos dizer que Santana Lopes só depende de si próprio para fazer o que quiser. Na verdade não é exactamente assim, porque o eleitorado foi prudente ao atribuir à esquerda a maioria na Assembleia Municipal. Mas, mesmo assim, o Presidente da Câmara não se pode queixar... A maior parte das decisões são tomadas apenas pela Câmara, onde Santana Lopes tem maioria absoluta. A Assembleia tem que pronunciar-se sobre matérias como os orçamentos e planos de actividades, contas de gerência e relatórios respectivos, alteração de regulamentos, operações patrimoniais com algum significado, instrumentos de planeamento urbanístico para intervenções em áreas superiores a dez hectares, organização dos serviços e criação ou extinção de empresas municipais... Não lhe cabe decidir que obras a autarquia deve realizar, que projectos urbanísticos deve licenciar, que programas deve implementar em matéria de intervenção social, de juventude, de desporto, de educação ou de cultura, nem que medidas deve tomar para garantir a segurança dos cidadãos, disciplinar o estacionamento e a circulação ou obrigar os proprietários a recuperar os prédios degradados... Em todo o caso, mesmo em relação à Assembleia Municipal, avaliando as deliberações tomadas, verificamos que foram viabilizadas todas as medidas importantes apresentadas pelo Presidente e em especial aquelas que ele considerava fundamentais para exercer o seu mandato, como os orçamentos e planos de actividades e a reestruturação de serviços e das empresas municipais.
Neste contexto e encontrando-se a Câmara sensivelmente a meio do mandato, é altura de começarmos a perguntar ao Dr. Santana Lopes o que espera para começar a cumprir as promessas que fez... Já sei que o famoso túnel já arrancou, mas essa é a pior de todas as suas promessas...
Vasco Franco
(*) Recordo que Duarte Pacheco foi simultaneamente Ministro das Obras Públicas e Presidente da Câmara de Lisboa
10/07/2003 12:29:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (1)



segunda-feira, outubro 06, 2003
 
Atenção marujos (stop)
Aqui estamos a fazer prova de vida. (stop)
Existem mil e uma formas de usar as tecnologias. (stop)
Este foi o método que adoptámos para o debate. (stop)
Sempre aberto a todas as opiniões, até às dos piratas da Galé. (stop)
Boas navegações, atenção ao escorbuto. (stop)
FC
10/06/2003 07:41:00 da tarde . - . Página inicial . - . Comentários (0)




 
Lisboa-Rio





Uma nova perspectiva para Lisboa


Não é possível inovar, de uma forma responsável, em Lisboa sem uma política de ordenamento do território consistente, sem um planeamento urbano equilibrado que procure satisfazer, simultaneamente, as necessidades do mercado, a valorização do património cultural e a exigência de defesa do meio ambiente.
Daí que o Partido Socialista tenha que apresentar, nestes domínios, alternativas credíveis.
Mais, ainda, deve apresentar alternativas que passem não apenas pela apresentação de propostas responsáveis, como também de candidatos credíveis de alternativa ao actual poder.
E tal deverá ser concretizado em tempo útil, sem receio de provocar alguma polémica interna e sem complexos frentistas.
António Rebelo de Sousa
10/06/2003 09:12:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



domingo, outubro 05, 2003
 

Viva a República !

Biblioteca do Museu da República e da Resistência

Presidente da República
Presidente da República Dr. Jorge Sampaio

Discurso do 5 de Outubro de 2003

Bandeira Nacional

Hino Nacional: Banda Larga (estéreo) ; Cantado
10/05/2003 03:58:00 da tarde . - . Página inicial . - . Comentários (0)



sábado, outubro 04, 2003
 
Balanços
Porque hoje é Sábado e Vinícius já tudo disse, fica um balanço da primeira semana de actividade do Blog do Fórum Cidade.
O contador indica 1400 visitas. Os cinco textos publicados mereceram 88 comentários.
Na coluna da esquerda entraram os "links" em reciprocidade com os Blogs que nos "linkaram" (os que detectámos)
Pelo que apurámos, o Fórum Cidade foi referido nos seguintes 13 Blog's (por ordem alfabética): Assembleia ; Ave de Arremedo ; Blog do Rui e da Maria ; Cidadão Livre ; Jaquinzinhos ; Mar Salgado ; Mata Mouros ; A Natureza do Mal ; Portugal dos Pequeninos ; O Projecto ; Respirar o Mesmo Ar ; Ter Voz e Vizinhos
Foram recebidas muitas mensagens de E-mail que terão a resposta em breve.
A todos, os que disseram bem, os que disseram mal, agradecemos a colaboração e envolvimento.
Quem tenha fotografias da cidade de Lisboa que pretenda ver comentadas, poderá fazer o envio para a nossa caixa de correio.
Segunda-Feira recomeçaremos com os textos da semana.
Equipa Gestora do Blog
10/04/2003 06:58:00 da tarde . - . Página inicial . - . Comentários (0)




 

De um grande amigo de Lisboa. Da lusofonia. Da paixão do universal.

Vinicius de Morais

Hoje é sábado, amanhã é domingo
A vida vem em ondas, como o mar
Os bondes andam em cima dos trilhos
E Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na cruz para nos salvar.

Hoje é sábado, amanhã é domingo
Não há nada como o tempo para passar
Foi muita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo
Mas por via das dúvidas livrai-nos meu Deus de todo mal.

Hoje é sábado, amanhã é domingo
Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado.
Impossível fugir a essa dura realidade
Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios
Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas
Todos os maridos estão funcionando regularmente

Todas as mulheres estão atentas / Porque hoje é sábado; Neste momento há um casamento / Porque hoje é sábado; Hoje há um divórcio e um violamento / Porque hoje é sábado; Há um rico que se mata / Porque hoje é sábado; Há um incesto e uma regata / Porque hoje é sábado; Há um espectáculo de gala / Porque hoje é sábado; Há uma mulher que apanha e cala / Porque hoje é sábado; Há um renovar-se de esperanças / Porque hoje é sábado; Há uma profunda discordância / Porque hoje é sábado; Há um sedutor que tomba morto / Porque hoje é sábado; Há um grande espírito-de-porco / Porque hoje é sábado; Há uma mulher que vira homem / Porque hoje é sábado; Há criancinhas que não comem / Porque hoje é sábado; Há um piquenique de políticos / Porque hoje é sábado; Há um grande acréscimo de sífilis / Porque hoje é sábado; Há um ariano e uma mulata / Porque hoje é sábado; Há uma tensão inusitada / Porque hoje é sábado; Há adolescências seminuas / Porque hoje é sábado; Há um vampiro pelas ruas / Porque hoje é sábado; Há um grande aumento no consumo / Porque hoje é sábado; Há um noivo louco de ciúmes / Porque hoje é sábado; Há um garden-party na cadeia / Porque hoje é sábado; Há uma impassível lua cheia / Porque hoje é sábado; Há damas de todas as classes / Porque hoje é sábado; Umas difíceis, outras fáceis / Porque hoje é sábado; Há um beber e um dar sem conta / Porque hoje é sábado; Há uma infeliz que vai de tonta / Porque hoje é sábado; Há um padre passeando à paisana / Porque hoje é sábado; Há um frenesi de dar banana / Porque hoje é sábado; Há a sensação angustiante / Porque hoje é sábado; De uma mulher dentro de um homem / Porque hoje é sábado; Há uma comemoração fantástica / Porque hoje é sábado; Da primeira cirurgia plástica / Porque hoje é sábado; E dando os trâmites por findos / Porque hoje é sábado; Há a perspectiva do domingo / Porque hoje é sábado.
Por todas essas razões deverias ter sido riscado do Livro das Origens,
O Sexto Dia da Criação.
De fato, depois da Ouverture do Fiat e da divisão de luzes e trevas
E depois, da separação das águas, e depois, da fecundação da terra
E depois, da génese dos peixes e das aves e dos animais da terra
Melhor fora que o Senhor das Esferas tivesse descansado.
Na verdade, o homem não era necessário
Nem tu, mulher, ser vegetal, dona do abismo, que queres como
as plantas, imovelmente e nunca saciada
Tu que carregas no meio de ti o vórtice supremo da paixão.
Mal procedeu o Senhor em não descansar durante os dois últimos dias
Trinta séculos lutou a humanidade pela semana inglesa
Descansasse o Senhor e simplesmente não existiríamos
Seríamos talvez pólos infinitamente pequenos de partículas cósmicas
em queda invisível na terra.
Não viveríamos da degola dos animais e da asfixia dos peixes
Não seríamos paridos em dor nem suaríamos o pão nosso de cada dia
Não sofreríamos males de amor nem desejaríamos a mulher do próximo
Não teríamos escola, serviço militar, casamento civil, imposto sobre a renda
e missa de sétimo dia.
Seria a indizível beleza e harmonia do plano verde das terras e das águas em núpcias
A paz e o poder maior das plantas e dos astros em colóquio
A pureza maior do instinto dos peixes, das aves e dos animais em cópula.
Ao revés, precisamos ser lógicos, frequentemente dogmáticos
Precisamos encarar o problema das colocações morais e estéticas
Ser sociais, cultivar hábitos, rir sem vontade e até praticar amor sem vontade
Tudo isso porque o Senhor cismou em não descansar no Sexto Dia e sim no Sétimo
E para não ficar com as vastas mãos abanando
Resolveu fazer o homem à sua imagem e semelhança
Possivelmente, isto é, muito provavelmente
Porque era sábado.
Vinícius de Morais
10/04/2003 03:27:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



sexta-feira, outubro 03, 2003
 
Amoreiras



Pensar uma cidade para todos


Há dias na Assembleia Municipal de Lisboa tive a oportunidade de dizer ao Dr. Santana Lopes que Lisboa está essencialmente a regredir de um modo nítido em quatro áreas.
Está a regredir no que tem a ver com a Higiene Urbana: a cidade está cada vez mais suja, com dejectos de animais domésticos por quase todos os passeios, os ecopontos são pólos de concentração de lixo no chão das ruas, os parasitas, ratos e baratas proliferam por todo o lado;
Lisboa está a regredir no ordenamento do tráfego, da circulação e mobilidade interna e o estacionamento selvagem, nomeadamente em 2ª fila, é a regra geral em muitas zonas importantes da cidade;
Outra área onde estamos a andar para trás é nas questões que se prendem com a segurança das pessoas e bens. A criminalidade está a aumentar, como aliás o comprova o recente Relatório de Segurança Interna da PSP;
Finalmente a cidade está também a regredir no que se refere à intervenção social nos bairros e no apoio a um determinado tipo de instituições que são importantes para a manutenção de um salutar “tecido social” da nossa cidade: as colectividades, associações recreativas, culturais e desportivas dos bairros. Os apoios têm sido cortados...
É típico de uma gestão de direita populista. O que interessa é o “show off”, os “out doors”, os casinos e os túneis. As pessoas são esquecidas, às pessoas promete-se festas e “jet set”.
É sobre esta Lisboa, uma das cidades mais belas da Europa, que queremos e devemos reflectir. Reflectir nas pessoas que aqui moram, nos rumos de desenvolvimento que queremos para a cidade, no desenvolvimento da sua modernidade, na sua cada vez maior e desejável cosmopolitização. Temos de pensar nos idosos que ou estão isolados em habitações sem um mínimo de condições e até de dignidade e quando saem à rua são confrontados com passeios ocupados pelos automóveis e semáforos para “atletas de alta competição”, temos de pensar nos jovens – sem políticas de fixação no centro da cidade, enfim temos de pensar numa cidade para todas as pessoas, numa cidade solidária.
Espero que o Fórum e este Blog nos ajudem a fazer essa reflexão.
Miguel Coelho
10/03/2003 12:36:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



quinta-feira, outubro 02, 2003
 
Amoreiras


Santana Lopes ou o efeito de embrulho


Os tempos mediáticos que marcam a agenda são muito mais rápidos que os tempos da resolução concreta dos problemas que devem constituir a essência de qualquer política digna desse nome. Os media interpelam e denunciam constantemente. Os políticos não têm resposta imediata para lhes dar. É então que se dá a tentação do chamado “effet d’annonce”, que traduzo em bom português por efeito de embrulho. E o que é o efeito de embrulho? É o acto de substituir a resposta ao problema pelo anúncio da resposta ao problema.
Santana Lopes é um dos políticos portugueses que melhor percebeu as vantagens do efeito de embrulho. Não há medida nenhuma que ele tome ou pense vir a tomar que não seja primeiro anunciada com pompa ou suspense, criando uma vasta expectativa à sua volta. A onda de cartazes que cobre Lisboa com mensagens do género “já reparou” ou “aqui vai nascer” são um produto típico do efeito de embrulho. Em vez da anunciada participação dos cidadãos nas decisões sobre a cidade, temos a mensagem publicitária, omnipresente, obsessiva. Mas mais tarde ou mais cedo vamos ter de desembrulhar tanta promessa. E então poderemos verificar se dentro do embrulho algo mais existe do que um projecto vazio.
Helena Roseta
10/02/2003 01:53:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



quarta-feira, outubro 01, 2003
 
Marquês Pombal


O capital da capital


Lisboa não é apenas a nossa capital. É um dos mais singulares e preciosos capitais de que dispõe um país de recursos escassos como o nosso. Um capital feito de História, mito – a começar logo por um dos maiores: o de Ulisses –, luz, atmosfera, paisagem, geografia.
Quantas cidades europeias podem rivalizar com ela nesse património múltiplo e diversificado, nessa condição natural de capital atlântica do velho continente e janela aberta para o(s) novo(s) mundo(s)? Infelizmente, porém, a questão também se coloca de outra maneira: quantas cidades europeias que gostariam de rivalizar com Lisboa desbarataram o seu capital com a mesma leviandade a que aqui assistimos?
A Expo 98 ficou como a única grande ideia estratégica de renovação e valorização urbana em mais de meio século. Foi um exemplo de imaginação, ousadia e vontade que permaneceu quase solitário, quando deveria ter impulsionado um esforço consistente para devolver Lisboa a si mesma.
É certo que a cidade começou a deixar de estar de costas viradas para o Tejo e que há bairros onde palpita uma alma nova. Mas isso não esconde as marcas mais fundas da degradação física e ambiental, da fealdade arquitectónica, do caos urbanístico, da desertificação da Baixa, ao mesmo tempo que prosseguem as intervenções arbitrárias, puramente casuísticas, de mero “marketing” político e neo-pombalismo saloio da administração municipal.
Quando se converte o novo túnel do Marquês em bandeira principal da gestão camarária, fará algum sentido falar-se de uma cidade mais liberta da pressão infernal do tráfego automóvel? Enquanto a febre exibicionista do actual presidente transforma Lisboa num imenso cenário virtual povoado de cartazes, a falta de uma grande ideia estratégica para a cidade – com a definição coerente e integrada das prioridades essenciais – faz-se sentir de forma cada vez mais gritante.
Vicente Jorge Silva
10/01/2003 03:02:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



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