Forum Cidade

Forum Cidade

Partido Socialista
António Costa

Definição e Objectivos
Empenhada na promoção da participação dos seus militantes e dos cidadãos em geral na vida e no futuro da cidade de Lisboa, a Comissão Política Concelhia de Lisboa (CPCL) do Partido Socialista decidiu criar e institucionalizar de forma permanente um espaço de debate político e social: o Forum Cidade. Contribuir para a construção, em termos programáticos, de uma alternativa de governo para a cidade de Lisboa e alargar a base de participação dos cidadãos na reflexão sobre a gestão da cidade, propondo iniciativas a desenvolver pelos autarcas socialistas numa lógica territorial adequada ao tecido social e urbano em análise são os dois grandes objectivos que o Forum Cidade se propõe prosseguir. O Forum Cidade será uma estrutura informal da Comissão Política Concelhia de Lisboa, que deverá envolver militantes do PS e cidadãos independentes no compromisso de reflectir conjuntamente sobre as potencialidades e os problemas de Lisboa, tendo em vista a procura e a formulação de propostas que visem o desenvolvimento sustentável da cidade, a busca de soluções para questões inadiáveis ou até a tomada de posição em matérias que considere relevantes.
Forum Conclusões Conclusões dos grupos de trabalho do Forum Cidade apresentadas em Lisboa no dia 2005/05/03:
(documentos em pdf)

Conclusões (694 KB)
Qualidade Vida/Ambiente (296 KB)
Escola e Comunidade (177 KB)
Política Urbana (234 KB)
Desporto (241 KB)
Espaço Público (152 KB)
Segurança Rodoviária (258 KB)
Modelo Económico (480 KB)

Forum Conclusões
Digite o seu eMail para ser notificado de novos conteúdos no Forum Cidade!

powered by Bloglet


Arquivos

Julho 2003

Setembro 2003

Outubro 2003

Novembro 2003

Dezembro 2003

Janeiro 2004

Fevereiro 2004

Março 2004

Abril 2004

Maio 2004

Junho 2004

Julho 2004

Agosto 2004

Setembro 2004

Outubro 2004

Novembro 2004

Dezembro 2004

Janeiro 2005

Março 2005

Abril 2005

Maio 2005

Junho 2005

Julho 2005

Agosto 2005

Setembro 2005

Outubro 2005

Março 2007

Abril 2007

Maio 2008

Junho 2008



Correio para:
forumcidade2@gmail.com





Outros WebSites

Partido Socialista

Comissão Política Concelhia de Lisboa


Grupo Parlamentar PS



Outros Blog's do PS

Outros Blog's sobre Lisboa
Diários de Lisboa
Imagens da Cidade
Jornal da Praceta
Lisboa abandonada
Lisboa a arder
Pelourinho da Lisboa
Viver Bem na Alta de Lisboa
Vizinhos

Outros Blog's
Abrangente
Adufe
Almocreve das Petas
Ânimo
Assembleia
Bioterra
Blogo Social Português
Blog sem nome
Bloguítica
O Carimbo
Causa Nossa
O Cheiro a torradas pela Manhã
Descrédito
Estrago da Nação
Forum Comunitário
Fumaças
Gang
Janela para o Rio
Jaquinzinhos
O Jumento
Mar Salgado
Minisciente
O País Relativo
A Pantera Cor de Rosa
Pessoal in Transmissível
À Procura da Cleópatra
República Digital
Respirar o Mesmo Ar
Ser Português (Ter que)
TM&RP
A Toca do Gato
Victum Sustinere
Viva Espanha


PTbloggers

Technorati


Tugir em português


Partido Socialista
Comissão Política
Concelhia de Lisboa



Cartazes 2004/5 Gente que Faz
2003




Forum Cidade
Estrutura informal da Comissão Política Concelhia de Lisboa
quarta-feira, dezembro 31, 2003
 
2004l





Em nome de toda a equipa deste Blog e no meu próprio
desejo a todos os nossos colaboradores e visitantes
excelente 2004


Miguel Coelho
Presidente da CPCL




Retomaremos a actividade deste Blog na semana que vem.
12/31/2003 02:04:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



terça-feira, dezembro 30, 2003
 
Natal

A Cidade e os seus pormenores

Como mote do tema: A Cidade Física da obra Paradigma Urbano – as cidades do novo milénio, diz-nos a pequena nota inicial do sétimo capítulo: As cidades são provavelmente, as mais grandiosas obras de arte da humanidade, as que melhor expressam os seus ideais e aspirações, até em pequenos pormenores como candeeiros e cabinas telefónicas. É um trabalho artístico em permanente mutação, de readaptação do velho, de construção do novo, numa afirmação de dinamismo e de ligação ao passado e à tradição. Saber como as cidades controlam este processo dinâmico é uma questão política importante, já que, parafraseando Churchill, damos forma às nossas cidades e as cidades dão-nos forma a nós.
Importa, realmente, a qualquer cidade preservar o seu espaço físico, os seus pormenores, não só os grandes, mas também o pequenos, os tais pequenos pormenores evidenciados pelo texto. Eles são de uma importância extrema, em primeiro lugar para quem vive na cidade. Fazer de cada espaço um lugar que proporcione o bem-estar é prioritário. Quem gosta de viver num local em que o desmazelo ocupa a rua, na qual ninguém tem prazer em passar?
Costuma ser uma grande prioridade: manter nas melhores condições os locais de referência da cidade, os espaços que servem de modelo a milhares de postais, os lugares sempre convidativos, pois aparecem-nos, pelo menos no cartão, como apresentáveis e são um ponto de referência, os que fazem a marca para turista ver, e também para transeunte passar, mas como todos sabemos, nem o turista é tolo, nem o nativo é parvo.
Qual é a sensação de ter uma fronte asseada se todo a envolvente do dito ponto de referência corresponde precisamente ao seu oposto, isto é: uma cidade suja, ruas cheias de buracos, sem trato, onde a incúria impera?
A cidade deve servir todos e todos devem servir-se da cidade. Por isso, é tão importante dar vida aos grandes palcos da cidade, como à artéria, por mais pequena que ela seja.
Manter com dignidade as ruas que compõe a cidade, os caminhos, os directos e os secundários – estes que tantas vezes são deixados ao abandono mas é precisamente nestes que as pessoas maioritariamente moram, que vão dar às diversas Ágora’s da Polis, são prioridades a defender ao mesmo nível, quer pela Câmara quer pela Junta de Freguesia e também pelo cidadão.
Uma cidade que não sabe cuidar dos seus espaços mais pequenos, certamente engana-se ao pensar que sabe preservar os maiores.
Carlos Manuel Castro
12/30/2003 09:19:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



segunda-feira, dezembro 29, 2003
 
Lg Rato

Instantâneos de Lisboa

Como escreve Diogo Freitas do Amaral no seu último livro, “Ao Correr da Memória – Pequenas histórias da minha vida”, os instantâneos estão para as memórias como a fotografia está para o cinema. São momentos, não são uma linha contínua, nem histórias proteladas no tempo. Mas são instantes, que pela sua força, ficaram gravados na memória. Do ano autárquico lisboeta de 2003 ficaram-me os seguintes 10 instantâneos:
O PS/Lisboa na rua: A Volta do Desassossego que o PS/Lisboa realizou no dia anterior ao Debate do Estado da Cidade na Assembleia Municipal de Lisboa marcou o debate e o nosso relacionamento com os lisboetas e a comunicação social. Teremos de estar sempre presentes onde existem problemas, teremos de os identificar e difundir de um modo atraente do ponto de vista comunicacional, teremos de marcar a agenda política e de apresentar soluções alternativas aos lisboetas.
A nossa postura construtiva: Os debates sobre as alterações ao PDM em Regime Simplificado e sobre o IMI revelaram a postura construtiva do PS. Avaliando cada situação em concreto, do ponto de vista do que faríamos enquanto poder, o PS/Lisboa deverá estar sempre contra o que é mau para a cidade e sempre a favor do que é bom para os lisboetas. Sem complexos! E nunca deveremos abdicar de apresentar as nossas propostas e de influenciar as propostas PSD/PP – pois assim estamos a construir uma alternativa política credível, moderada e coerente com o passado.
A arrogância santanista revelou-se na decisão de instalar uma bomba de gasolina em Telheiras/Alto da Faia contra as múltiplas decisões unânimes da Assembleia Municipal de Lisboa, da Junta de Freguesia do Lumiar, da Assembleia de Freguesia do Lumiar e, principalmente, contra os moradores e os pareceres técnicos de serviços da própria CML.
O desrespeito pela igualdade esteve patente no protocolo celebrado com a ANTRAL e na recusa de celebrar um protocolo semelhante com a FPT. Trata-se aqui de uns serem taxistas de primeira e outros de segunda. De uns serem protegidos pela CML e de outros prejudicados. E para piorar as coisas diz-se aos taxistas da FPT que se quiserem apoios devem dirigir-se à ANTRAL. É como se um sócio do Sporting tivesse de ir à Direcção do Benfica para ser apoiado pela CML...
A privatização sem critério que se pretende fazer da EMEL e que se anunciou no Orçamento para 2004 demonstra uma péssima gestão da coisa pública e uma política que não é para beneficiar os lisboetas.
Uma aposta contra os lisboetas foi o começo das obras do túnel das Amoreiras. Vai trazer mais carros para a cidade prejudicando os moradores de Lisboa e beneficiando apenas quem mora noutros concelhos e quer trazer o carro para o centro da cidade.
A falência de uma ideia de segurança para Lisboa esteve patente na reunião da CML em que se debateu o orçamento e o Plano para 2004. Depois de tanto se falar e prometer, de nada se fazer e de os lisboetas elegerem a segurança como a sua principal preocupação só faltava o Presidente da CML dizer que este tema é com o Governo!!
A diferença à esquerda está patente nas posturas do PCP e do BE. A um PCP que se assume como o maior partido da cidade (!!!) e que vota contra tudo sem qualquer critério contrapõe-se um BE construtivamente crítico e com uma agenda própria. O que começa a dar corpo à ideia de que a alternativa de esquerda se poderá consubstanciar num futuro eixo PS/BE.
O desinvestimento no social esteve patente na reiterada recusa da CML em celebrar protocolos com as Juntas de Freguesia para a realização de pequenas obras em habitações particulares propriedade de senhorios sem grandes rendimentos e habitadas por idosos com fracas pensões.
A publicidade ridícula e exagerada teve o seu ponto alto e glorioso nos anúncios em que se atacava a oposição pelo que teria feito em mandatos anteriores. Pedro, já reparou que anda mal aconselhado? Pedro, já reparou que toda a gente goza com isto? Pedro, já reparou que assim não vai lá?
Rui Paulo Figueiredo
12/29/2003 12:41:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



domingo, dezembro 28, 2003
 
Agenda








Participarão no Blog:

Feira - Rui Paulo Figueiredo
Feira - Carlos Manuel Castro
12/28/2003 01:53:00 da tarde . - . Página inicial . - .



quarta-feira, dezembro 24, 2003
 

Natal



Em nome de toda a equipa deste Blog e no meu próprio
desejo a todos os nossos colaboradores e visitantes um Feliz Natal


Miguel Coelho
Presidente da CPCL



Durante a quadra de Natal suspendemos a actividade deste Blog
12/24/2003 01:29:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



terça-feira, dezembro 23, 2003
 
Telheiras

Lisboa mais segura?

Ao folhearmos as páginas de anúncios da venda de imobiliário nos jornais, de uma forma recorrente, deparamo-nos com a promessa de uma vida idílica em locais, vulgarmente, denominados de "condomínios fechados".
Assim, propõe-se a quem deseja mudar para uma casa sita numa zona mais central e histórica, abandonando as agora tradicionais áreas residenciais de habitação do Lumiar, de Carnide, de Benfica ou dos Olivais, a garantia de que o faz para espaços de acesso restrito, objecto de critérios de selecção pessoal e, fundamentalmente, inacessíveis às possibilidades económicas da grande maioria dos compradores.
Ora, que política de desenvolvimento urbano e de revitalização do centro da cidade será esta, onde a coberto de uma ideia de protecção física dos moradores e dos seus bens materiais se criam verdadeiras ilhas dentro das ruas e dos bairros, isolando os beneficiários de tal privilégio da restante população?
Que plano para Lisboa será este, onde para se atrair mais pessoas às suas artérias vitais, se encerram as mesmas em redutos privados?
Que capital está a ser criada, quando a palavra chave de desenvolvimento é a defesa contra uma mitigada violência urbana?
Na sociedade contemporânea a exploração do medo na urbe começa a atingir níveis preocupantes e o culto do receio de contacto com terceiros, transmite-se gradualmente à concepção da habitação ideal e à forma como se concebe o quotidiano dos cidadãos.
Nestes termos, perante a passividade de uma administração autárquica de direita, compete ao maior partido da oposição no município, desdramatizar tais temores instalados, passando a mensagem de que é possível recuperar o centro de Lisboa sem necessidade do recurso à construção de pólos impenetráveis pelo mundo, como se os dramas neste existentes fossem algo exterior a alguns e não a preocupação de todos nós.
Não podemos incentivar um tipo de vida escondida da miséria social, traduzida nas vertentes do pequeno furto, da prostituição, do tráfico e consumo de estupefacientes na via pública, dos mendigos e dos desempregados estrangeiros e nacionais que matam o seu tempo em deambulações errantes, porque tais problemas não desaparecem por virarmos o rosto para o lado e refugiarmo-nos na suposta protecção de lares perfeitos.
Naturalmente que da parte dos governos nacionais se aguarda pela aplicação das necessárias políticas de desenvolvimento solidário que ataquem a raiz profunda do desemprego, da pobreza, da desinserção social e do tráfico e consumo de drogas.
Mas, no concreto, em Lisboa, deixo para o debate de ideias, três posições que passam pela:
• Dinamização do conselho de âmbito municipal para a segurança, envolvendo a participação de representantes autárquicos e de entidades idóneas da sociedade civil, com vista à apreciação a título consultivo dos procedimentos policiais no domínio da tranquilidade pública;
• A cooperação entre eleitos locais, forças policiais e as entidades de apoio e de reinserção social para acompanhamento das situações de marginalidade crónica, abandono familiar, dependência da droga e desinserção social, ponto fulcral, face à crescente vaga de novos imigrantes;
• Apresentação de um plano sustentado de recuperação e de reabilitação imobiliária do centro da cidade aberto à generalidade dos cidadãos, em detrimento de situações pontuais e isoladas que apenas contribuem para o acentuar de injustiças e de abandono social.
Pedro Tenreiro Biscaia
12/23/2003 10:00:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



segunda-feira, dezembro 22, 2003
 
Areeiro (Imagem do Blog Lisboa a Arder)
Natural, adequado e...bonito?

Segundo leio no “Público”, Santana Lopes desistiu do concurso público que prometera realizar para a futura estátua de Sá Carneiro na praça do Areeiro, optando por um convite directo ao autor do actual “monumento” que ali foi implantado em 1991. Segundo o autarca, trata-se da “opção mais natural, adequada e bonita”.
Natural, adequada – e ainda por cima bonita?... É evidente que a pessoalíssima opção de Santana nada tem a ver com quaisquer critérios de ordem estética (terreno em que, como é sabido, o presidente da Câmara se move como um elefante em loja de porcelanas). Mas sejamos caridosos. Santana quer-se um homem de coração grande, sentimental incorrigível e adepto fervoroso do nacional porreirismo. Ora, por mais que apreciemos essas qualidades humanas, seria desastroso confundi-las com as exigências mais elementares do mandato de quem comanda a capital do país.
O escultor Soares Branco, autor do actual e inenarrável mamarracho do Areeiro, ficara ofendido com o anúncio de que a sua obra iria ser arredada da praça. Pois Santana comoveu-se, enterneceu-se, quis ser bom rapaz e rendeu-se ao nobre sentimento de lhe fazer uma segunda encomenda. Promete-nos assim um pesadelo de quatro metros de altura, retratando Sá Carneiro naquele estilo “naturalista” mastodôntico que ficou consagrado nos países totalitários e terceiro-mundistas. Uma espécie de estátua de Saddam antes do derrube pelos invasores americanos.
Não custa reconhecer que Soares Branco será uma pessoa digna do maior apreço pelas suas qualidades humanas. Acontece apenas que, como se comprova pelo mamarracho do Areeiro, as suas qualidades enquanto escultor não o recomendam minimamente para assinar uma obra de envergadura num espaço nobre da cidade. Mas isso é algo que, decididamente, Santana Lopes não entende. Ou seja: não entende esta coisa absolutamente rudimentar – o autor de um horroroso monumento não pode ser a “opção natural, adequada e bonita” para o monumento que irá ser implantado no seu lugar. A não ser que a lógica seja uma batata. Mas, pelos vistos, para Santana Lopes, é isso mesmo.
Estavam redondamente enganados os que chegaram a supor que o presidente da Câmara tirara as devidas ilações da total inadequação do “estilo Soares Branco” a uma imagem qualificada de Lisboa. Não passou sequer pela cabeça de Santana recuperar o resultado do concurso público efectuado no tempo de Nuno Abecasis, que o então presidente preteriu a favor da sua aposta pessoal em Soares Branco. Santana quer apenas o “seu” Soares Branco por troca com o de Abecasis. Ora, “kitsch” por “kitsch”, então deixe-se ficar o “monumento” existente, que já nos habituámos ao seu horror quotidiano e sempre se poupa algum dinheiro.
O ecletismo delirante das “opções estéticas” de Santana cobre a distância infinita que separa um Frank Gehry de um Soares Branco. O que interessa é que os escultores ou os arquitectos sejam escolhidos por ele e não pelos seus antecessores – mesmo quando sucede encomendar uma obra nova ao autor de uma obra velha que quer retirar de cena. A infantil e patológica obsessão de protagonismo e auto-promoção do presidente da Câmara descarrilou num crescendo frenético de incongruências. Ele não sabe o que quer ou quer o que não sabe. Avança às cegas para o Parque Mayer ou para o túnel do Marquês, estimula a pressão do tráfego no interior da cidade ao mesmo tempo que se propõe dissuadi-lo, alimenta-se da ilusão da propaganda que faz a si mesmo enquanto espera que ela o transporte num tapete mágico até Belém. Será tudo isto natural, adequado e...bonito?
Vicente Jorge Silva
12/22/2003 01:43:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



sábado, dezembro 20, 2003
 
Agenda








Participarão no Blog:

Feira - Vicente Jorge Silva
Feira - Pedro Biscaia
12/20/2003 05:47:00 da tarde . - . Página inicial . - .




 
Picanço Ter Voz


Visitas

A equipa do Ter Voz deseja à do Forum Cidade
Boas Festas
Óptimo 2004

Um abraço
Jiminy Cricket, LT e CMC
12/20/2003 01:19:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



sexta-feira, dezembro 19, 2003
 
Monsanto

A Maquilhagem Santanista

Maquilhagem, s.f. (do Fr. maquillage). Acto ou efeito de maquilhar ou maquilhar-se.

Maquilhar, v.t. (do Fr. maquiller). 1. Pintar o rosto. 2. Disfarçar, mascarar. 3. Santanisar 4. O m. q. governar segundo Pedro Santana Lopes.

Não encontro melhores palavras para definir a intervenção do Presidente da C.M.L. no Monsanto, pulmão alfacinha que cedeu espaço para acolher a residência oficial de S. L. enquanto este não abandonar Lisboa tentando outros vôos.
O flagelo da prostituição que atingia todas as estradas e caminhos no Monsanto, pareceu eliminado por uma mágica linha amarela desenhada nas bermas, proibindo clientes de pararem os seus carros e abordarem jovens prostitutas, na sua maioria toxicodependentes.
Durante uns tempos a solução encontrada pareceu resultar, patrulhamentos por parte das autoridades não deram descanso nem vontade de continuar a negociar nos mesmos sítios de sempre.
Tal como a maquilhagem também esta solução se revelou temporária e depressa se revelou a eficácia desta acção amplamente divulgada em outdoors narcisistas e que constituem um monumento à falta de respeito pelos contribuintes, à mais pura demagogia e ao populismo que faz escola na actual legislatura.
A esmagadora maioria das prostitutas toxicodependentes estabeleceu-se agora no parque de estacionamento exterior do Instituto Superior de Ciências Sociais e Politicas, situado no Alto da Ajuda, onde a mágica linha amarela não existe. Aí abordam clientes e não clientes, alunas deste Instituto são confundidas por condutores, alunos estacionam carros ao lado de carros onde o proxeneta espera o seu rendimento diário.
A menos de 50 metros, situa-se o bairro do Casalinho da Ajuda, onde metodologicamente e 365 dias por ano estas mulheres, vitimas do flagelo da toxicodependência, vão aliviar as suas dores, a consciência e, o vício.
A maquilhagem que PSL fez no Monsanto é uma vergonha, expulsou as prostitutas do meio das árvores, disfarçando, mascarando, santanisando, e empurrou-as para o lado de um estabelecimento de ensino com aproximadamente 4000 alunos. Polui visualmente o Monsanto com outdoors cínicos com a frase "Monsanto, é pura diversão!" mas nada resolveu, apenas transformou o seu problema no problema de alunos, professores, funcionários e habitantes do Alto da Ajuda.
Hugo Mateus Gaspar
12/19/2003 12:20:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



quinta-feira, dezembro 18, 2003
 
Basket

Só cimento e alcatrão?

O lamentável episódio que constitui a destruição, a mando do actual executivo camarário, de um recinto polidesportivo descoberto no Alto da Faia (Telheiras) e a sua substituição por uma bomba de gasolina, é bem expressivo quanto ao pouco cuidado e, frequentemente, quanto à pouca sensibilidade que muito decisores políticos têm quanto à necessidade de existirem espaços lúdicos e desportivos na cidade de Lisboa, em quantidade e qualidade.
A este propósito, parece-me útil referir que, em termos da dotação dos equipamentos desportivos, o valor para o Distrito de Lisboa (o pior à escala nacional) é de 1,62 m2/habitante quando, segundo parâmetros internacionais, deveria ser na ordem dos 4,0 m2/habitante.
Por outro lado, tenho assistido regularmente a intervenções de especialistas na área do urbanismo ou da arquitectura e a conversa normalmente incide em políticas que não levam em linha de conta um envolvimento adequado ao crescimento e ao desenvolvimento físico, cognitivo e social das crianças e dos jovens. Os modelos apresentados parece-me que encaram, por exemplo, os espaços verdes como soluções do passado, mas são muito pouco claros no respeitante aos dados do presente e às perspectivas futuras.
Desde há vários anos que temos um grave problema de saúde pública: a reduzida participação dos cidadãos, em actividades físicas e desportivas regulares e sistemáticas. Não sendo um problema exclusivamente nacional, acontece que, em todo o mundo, há campanhas para que todos – independentemente do seu escalão etário ou sexo – tenham uma vida activa e saudável, como condição de base para a sua qualidade de vida.
Sendo estas referências suportadas por inúmeros dados da investigação, parece-me contraditório que, na discussão da cidade que queremos, não esteja com suficiente clareza no discurso de alguns especialistas em planeamento urbano - relativamente a um plano global de desenvolvimento comunitário - a emergência de um vasto conjunto de equipamentos, com qualidade técnica e estética, destinados a combater este verdadeiro “império dos sentados” em que estamos a transformar sucessivas gerações.
Esta matéria, como seguramente muitas outras na vida da cidade, só pode ser equacionada em termos de visão estratégica por equipas multidisciplinares, mas com dirigentes e técnicos atentos a estes problemas. A aquisição cultural da importância do lazer nas civilizações modernas, requer uma profunda transformação das mentalidades. Todavia, será que uma linha do pensamento dominante continua a ser a ditadura do cimento e do alcatrão, independentemente de quem exerce o poder num determinado contexto histórico? Essa não...
Manuel Brito
12/18/2003 01:13:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



quarta-feira, dezembro 17, 2003
 
Rua São Bento

O Encanto e o Desencanto do PER

Durante décadas Lisboa foi vivendo envergonhada com o afrontamento que as inúmeras barracas, que proliferavam por toda a cidade lhe causava, e que eram, apenas, uma face da desumanização da sociedade em que vivíamos.
Recordo, ainda hoje, com algum amargo de boca, uma visita que na quadra natalícia fiz, às barracas, com a minha professora da 3ªclasse, no «caminho da Quinta dos Peixinhos», na freguesia de Santa Engrácia. Vivi, sofri e acompanhei com desencanto, esta triste realidade, onde a vontade de alguns e a inoperância de outros se sobrepôs ao sonho de mudança de tantos outros.
Recolocar e resituar a nossa vontade com a capacidade de sonhar, de mudar e alterar a situação, só se tornou possível e viável com o Plano Especial de Realojamento, vulgo PER, graças ao empenho e à alma socialista dos homens e mulheres, que em boa hora governaram a cidade, confesso que vivi o encanto e bebi a alegria do derrube das barracas da freguesia, onde, por vontade dos munícipes, sou autarca desde a coligação «Amar Lisboa».
O PER não limitou a sua acção de humanização da cidade ao atribuir uma habitação condigna, como direito de cidadania, a todos aqueles que demonstraram viver em situação social instável, previu mecanismos de acompanhamento, às famílias realojadas, quer no âmbito da conservação do parque habitacional, quer ainda, no campo psicossocial. Não alijou a carga social que um programa desta envergadura adivinhava e exigia.
Hoje, igualmente numa quadra natalícia, são outros a decidir o destino do PER, veja-se, então, a degradação do parque habitacional, verifiquem-se os mecanismos de acompanhamento é, novamente, o desencanto.
Natalina de Moura
12/17/2003 03:24:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



terça-feira, dezembro 16, 2003
 
Grafitti

Poder local e cidadania

Um pouco na cola do texto de Duarte Cordeiro (publicado ontem) mas numa perspectiva diferente, gostaria de reflectir sobre a possibilidade da participação cívica dos intervenientes da Cidade.
A organização administrativa, ainda que passível de futuras aglutinações, ou de reorganização para uma gestão mais racional de meios e competências, representa o modelo do poder local.
A cidadania não se pode limitar aos actos de eleger e ser eleito, tem de envolver os cidadãos na gestão dos interesses que lhe estão mais próximos.
Talvez seja esta uma das grandes questões da nossa cidade e da vida política dos portugueses.
É comum nos Estados Unidos os moradores de determinado bairro adquirirem e aplicarem o kit de reparação quando existe um buraco na rua que serve as casas onde moram. Também é verdade que esses mesmos moradores têm poder e são ouvidos nas decisões que dizem respeito às áreas onde residem. É com este envolvimento que os cidadãos procedem de forma diferente dos portugueses, não sujando, não destruindo, não degradando o local onde vivem. Talvez seja por isso, que nesses bairros, se possa andar nos passeios sem o necessário desvio constante dos dejectos dos animais de estimação. Talvez seja por isso que os canteiros das ruas e as floreiras dos edifícios se mantenham em perfeitas condições, proporcionando harmonia e bem estar nessas zonas residenciais.
Dir-se-à que em Portugal também existe o mecanismo de participação nas Assembleias de Freguesia.
Mas com que efeitos práticos?
Quem já teve a oportunidade de participar numa Assembleia de Freguesia de São Domingos de Benfica, ficou de certeza sem vontade de lá voltar. Arrogância, prepotência, falta de educação e de respeito pelos fregueses. Os cidadãos sentem-se excluídos, sentem que não fazem parte da solução dos problemas, distanciam-se e ficam à espera que alguém os resolva por si.
Assim se vão construindo barreiras intransponíveis em Lisboa que conduzem a situações de isolamento, à criação de ilhas onde, quem não dispõe de transporte próprio, fica confinado a fronteiras de betão e alcatrão que não permitem sequer um passeio pedestre.
Ruas que foram projectadas para servirem os residentes, transformam-se sem qualquer aviso em vias primárias de acesso a grandes circulares, infernizando os moradores, reduzindo drasticamente a qualidade de vida e o direito ao lazer.
A transformação de planos de pormenor, a alteração de trajectos de transportes públicos sem consulta das populações, põem-nas perante factos consumados, desvalorizam os investimentos que fizeram, estrangulam todas as pretensões de mobilidade com qualidade para deficientes e de recreio para os mais novos.
Se o Fórum Cidade, que irá arrancar em Janeiro, conseguir soluções que resolvam estas questões e for motor para o envolvimento dos residentes e trabalhadores de Lisboa, estaremos perante uma acção de grande valor político e de concretização da cidadania. Vamos a isto!
Luís Novaes Tito
12/16/2003 01:04:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



segunda-feira, dezembro 15, 2003
 
Grafitti

Câmara Municipal e Juntas de Freguesia na Cidade

Decidi abordar uma questão que me coloca algumas dúvidas e que tem interpretações várias mesmo no Partido Socialista. Será que têm relevância ou não a existência de órgãos entre as Câmaras Municipais e as Juntas de Freguesia?
Este é um assunto delicado e tentarei abordá-lo de forma a evitar polémicas desnecessárias. As Juntas de Freguesia têm uma importância histórica sem comparação e têm uma importância elevada em determinados bairros devido ao apoio que dão à população. No entanto, em especial as Juntas de Freguesia mais pequenas, associadas necessariamente a zonas com menos população, os seus orçamentos e a suas intervenções são limitadas e, em muito, dependentes da Câmara Municipal.
Quando penso na possibilidade de órgãos intermédios não falo obviamente de duplicação de órgãos e de funções falo sim da possibilidade de concentrar recursos em órgãos cujo critério seja territorial e populacional à semelhança das Juntas de Freguesia mas que concentre mais população e dessa forma tivesse maior capacidade de acção política. Esta medida teria necessariamente de implicar a alteração das funções e capacidades das actuais Juntas de Freguesia, em especial as que aglomeram menos população e vocacioná-las mais para o um trabalho de proximidade.
A verdade é que Lisboa é uma cidade com Juntas de Freguesia bastante heterogéneas e com capacidades de intervenção bastante diferentes. Não seria mais profícuo ter os tais órgãos intermédios em número bastante inferior às Juntas de Freguesia e capacitá-los de um conjunto de meios que possibilitassem uma intervenção mais homogénea por todo o território da cidade?
Acredito que esta temática tenha apenas sentido nas grandes cidades, mas terá que ser discutido necessariamente, tendo em conta o crescimento da cidade de Lisboa. Para determinadas zonas a Câmara está a tornar-se um órgão demasiado afastado para intervir localmente e a Junta demasiado pequena para resolver alguns problemas que afectam variadas Juntas e respectivamente várias populações. Adicionalmente haveria ganhos de eficiência e poupança de recursos. Não sou nem serei apologista da extinção das Freguesias e acredito no trabalho, especialmente o social, que desenvolvem junto da população mais nova e mais velha, mas também considero que temos de pensar se esta organização é ou não sustentável no longo prazo.
Duarte Cordeiro
12/15/2003 02:55:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



domingo, dezembro 14, 2003
 
Agenda





Participarão no Blog:

Feira - Duarte Cordeiro
Feira - Luís Novaes Tito
Feira - Natalina Moura
Feira - Manuel Brito
Feira - Hugo Gaspar
12/14/2003 08:08:00 da tarde . - . Página inicial . - .



sexta-feira, dezembro 12, 2003
 
Violência Contra as mulheres

Violência Doméstica e Direitos Humanos

Comemorou-se no passado dia 25 de Novembro o Dia Internacional contra a Violência Contra as Mulheres, e começamos finalmente a sentir que cai o muro de silêncio que em torno desta questão se foi construindo ao longo de séculos. Mas, essa queda ainda não se fez de forma generalizada. Pois, apesar de sabermos já que mais de metade das mulheres portuguesas são vítima de um qualquer tipo de violência, muito poucas são as que iniciaram o movimento de pedido de ajuda. Cerca de 20.000 por ano recorrem à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), sendo que cerca de 25% dessas situações se situam em Lisboa.
Esse pedido de ajuda para ser alcançado exige que as mulheres ultrapassem patamares/obstáculos de dificuldades, que muitas pelas frágeis condições sociais em que se encontram, não conseguem vencer.
Obstáculos, desde logo, sociais, dado serem sempre mais as vozes que apelam à reacção passiva e à não reacção, perpetuando o sofrimento em silêncio como condição social de mulher, que as que estimulam à participação e à denuncia destes atentados aos direitos humanos.
Obstáculos jurídicos, porque, pese embora ser hoje crime público, os maus tratos entre cônjuges, o crivo cada vez mais apertado entre o processo social de ajuda, o processo policial de denuncia e o processo judicial de decisão final, exige desgastes económicos e anímicos que muitas mulheres não estão em condições de sustentar.
A este propósito faz sentido citar Teresa Beleza quando diz que a mulher durante muito tempo foi desprotegida não só pelos costumes como também pela própria lei que atribuía impunidade aos homens que lhes batiam. Hoje, apesar da lei tratar de modo igual homens e mulheres, o peso da tradição ainda se mantém, o que introduz dificuldades acrescidas não só no cumprimento da lei como também na sua aplicação. Senão vejamos:
· as dificuldades existentes no afastamento previsto do agressor da casa de residência da família (Lei 61/91 de 13 de Agosto);
· e, entre outras, previstas na mesma Lei, a dificuldade de instalação de um sistema de garantias adequadas à cessação da violência e à reparação dos danos ocorridos, bem como atendimento directo às vítimas, pessoal e especializado, em secções junto dos órgãos de polícia criminal;
· e ainda, o atendimento em hospital pelos órgão de polícia criminal para encaminhamento imediato de uma queixa crime.
Este tipo de medidas, apesar de contarem com mais de 10 anos de existência, nunca foram até à data regulamentadas, não se sabendo se algum dia o serão.
E enquanto, a acção se fica pela definição da lei e a inacção pela sua aplicação, a violência contra as mulheres vai fazendo as suas vitimas.
Por isso, menos de 1% das mulheres portuguesas vítimas de violência, pedem ajuda. E é tão ridícula a percentagem das poucas centenas de casos que chegam ao momento final da decisão judicial que nem me atrevi a fazê-la.
Temos que nos interrogar. A definição da lei constituí apenas mais um patamar de travagem da desigualdade de género, gerada ao longo de séculos. Apesar das conquistas legais, o peso da tradição ainda se mantém, sendo forte, como diz Lígia Amâncio, a discrepância entre o nível formal da lei e a realidade concreta dos costumes, o que faz com que o reconhecimento legal da igualdade de género ainda não se tenha eternalizado ao nível do senso comum, nem das mentalidades, onde, em última instância, se deverão operar as grandes mudanças. O costume, se não continua a fazer a lei, dificulta a sua aplicação, intervindo o Estado, neste como em tantos outros campos, legalmente para deixar de o fazer socialmente.
É, pois, urgente que deixemos de recordar as vítimas de violência doméstica em apenas alguns dias dos ano, não exercendo em todos os outros o dever de cidadania, que impõe que nos impliquemos na remoção das dificuldades que impediram as mulheres de denunciar um dos maiores crimes contra a Humanidade, como o reconheceu a Declaração de Viena (ONU) de 1993.
Elza Pais
Socióloga - Professora Universitária
12/12/2003 03:12:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



quinta-feira, dezembro 11, 2003
 
Cacilheiro

Humanizar o Transporte Público na Região de Lisboa

Todos temos consciência de que, diariamente, na Cidade e na Região de Lisboa, o Transporte Público está longe de assegurar os níveis de utilização que seria desejável atingir, com as consequências daí decorrentes para a qualidade de vida dos cidadãos.
Todos verificamos diariamente as situações de congestionamento nas várias vias rodoviárias de acesso à Cidade de Lisboa e, estranhamente, também verificamos que os meios pesados de transporte não estão esgotados e poderiam assegurar sem dificuldade muitas mais viagens por dia.
Todos podemos constatar, por outro lado, uma nova qualidade oferecida pelos vários subsistemas de transporte, tanto rodoviários, como ferroviários, quer ao nível dos respectivos veículos (autocarros, eléctricos e comboios), quer ao nível dos espaços de tomada e largada de passageiros – paragens e estações. Isto, não obstante as reconhecidas limitações da oferta produzida.
Face a esta realidade, poder-se-á perguntar:
Tendo nós um sistema regional de transportes com uma oferta de qualidade, tanto ao nível das infra-estruturas, como dos equipamentos de transporte, porque razão o sistema tem uma utilização abaixo das suas capacidades e o automóvel continua a ser rei? Afinal o que falta fazer?
Algumas respostas poder-se-ão avançar sem correr grandes riscos de erro.
Em primeiro lugar será de relevar o facto de a Rede de transportes existente apresentar algumas fragilidades que limitam a sua eficácia, nomeadamente: a falta de oferta por parte do ML na zona Ocidental da Cidade de Lisboa (toda a zona a Poente do eixo Rato – Baixa - Cais do Sodré) e uma menos conseguida densificação da Rede respectiva; a inexistência de sistemas ligeiros transversais, quer a Poente, quer a Nascente, através dos quais seria possível colectar e encaminhar os passageiros para sistemas de nível superior e desincentivar o uso do transporte individual; algum deficit na oferta do transporte fluvial, cujas potencialidades são conhecidas e reconhecidas pela procura; alguma desarticulação entre responsáveis pelo investimento na Rede global de transportes. Face a esta situação torna-se necessário actuar para corrigir estas falhas, não só ao nível das empresas por si só, como a um nível de coordenação e integração correspondente à Autoridade de Transportes.
Em segundo lugar será de relevar a necessidade de alcançar a indispensável adequação tarifária, tendo em atenção as necessidades dos passageiros, bem como a integração total dos sistemas de bilhética existentes e, porque não, a humanização dos espaços públicos ligados ao transporte, quebrando barreiras e facilitando o seu uso, anulando os sistemas de controlo de entradas existentes e substituindo-os a médio prazo por sistemas sem contacto que não introduzam obstáculos à livre circulação dos utilizadores.
Em terceiro lugar, e não menos importante, torna-se imperioso e urgente promover o transporte público e actuar de forma decidida na destruição dos preconceitos e conceitos culturais prevalecentes e que são responsáveis pelo apego sem limites ao uso do automóvel individual e à recusa do transporte colectivo, sem que o uso daquele tenha qualquer sentido económico ou até seja mais eficaz para os próprios utilizadores.
No sentido da correcção destas distorções, insuficiências e ineficiências vinha trabalhando o Partido Socialista nos seus governos entre 1996 e 2002, actuando ao nível do hardware e do software do sistema e criando novas condições para a intermodalidade e para a afirmação de uma Rede de Transportes mais humanizada na Área de Lisboa.
Importante se torna a continuidade desta estratégia, completando e melhorando o que vinha sendo feito, sob pena de o Transporte Público se manter em níveis de prestação ineficientes e penalizadores da sociedade em geral e o predomínio do automóvel se manter por muito mais tempo.
Francisco Cardoso dos Reis
12/11/2003 12:40:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



quarta-feira, dezembro 10, 2003
 
Prédios Telheiras

PDM de Lisboa em Revisão – Um contributo para o debate

Numa primeira leitura, a proposta (versão de trabalho) de revisão do PDM, recentemente apresentada pelo actual executivo municipal introduz um grau elevado de discricionariedade na definição dos parâmetros urbanísticos a utilizar em cada classe de espaço. Esta visão, que se integra numa escola de urbanismo negociado, não tem tradição na nossa cultura urbanística, nem é compatível com o ordenamento jurídico português da administração do território.
A proposta de revisão apresentada, define, para todas as áreas, três tipos de parâmetros urbanísticos – recomendáveis, optimizados e maximizados. Isto significa que o índice de ocupação do solo, o IUB (índice de utilização bruto) a superfície impermeabilizada e a cércea, para além dos valores recomendáveis (regra), podem ser optimizados no âmbito de um contrato integrativo do procedimento vinculando-se o órgão competente à aplicação de parâmetros urbanísticos mais favoráveis mediante contrapartidas. O IUB e a cércea podem ainda ser optimizados. Assim, o IUB pode ser optimizado, em várias situações, passando por exemplo, de 1,7 para 2,2, de 1,5 para 2, e maximizado ainda em mais 25%, tal como a cércea. Para além destes três tipos de parâmetros urbanísticos – recomendáveis, optimizados e maximizados, é proposto um aumento das cérceas face às regras actuais. Embora a regra geral definida seja a da moda da cércea (a altura mais frequente dos edifícios num determinado troço de rua), à semelhança do actual PDM, nas áreas consolidadas terciárias – os eixos estruturantes da cidade – seria permitido elevar as cérceas para 50 metros, no meio do quarteirão, e para 70 m, no caso de remates (o PDM actual limita as cérceas a 25m ou 30m). Em todas as zonas consolidadas, os edifícios em remate poderiam ser ampliados dois andares (assim só, sem mais!). Acresce ainda que, a cércea máxima pode ser sempre aumentada, para além do que já foi dito, em situações consideradas de “excepção”, depois de analisadas e validadas por uma comissão do PDM composta por cinco membros (esta comissão seria composta por dois membros nomeados pela Assembleia Municipal, dois membros nomeados pela câmara e um designado pelo presidente da Câmara). É esta comissão que valida também, através do seu parecer, todos os contratos integrativos do procedimento, ou seja todas as situações em que os parâmetros urbanísticos sejam optimizados e maximizados. Esta proposta de PDM não define regras claras mas um conjunto de regras e contrapartidas a negociar caso a caso. Com a agravante do papel decisivo a desempenhar por uma comissão de especialistas cujo parecer favorável é fundamental nos termos da proposta do PDM. O que se pode construir e o que tem de se pagar na forma de cedências, compensações ou taxas (únicos mecanismos previstos na lei), deve estar claramente definido e não deve resultar de processos negociais. Discutam-se soluções urbanísticas, arquitectónicas e construtivas, premeiem-se as inovações em matéria de poupança de energia e outras, em sede de redução de taxas, por exemplo, mas não se troquem m2 de construção, com todos os impactos urbanísticos que daí resultam, por dinheiro ou outros factores como a qualidade do projecto.
As consequências de mecanismos regulamentares desta natureza são, naturalmente, gravosas para a cidade e para os particulares. Ao excessivo poder discricionário de decisão atribuído ao executivo municipal e à tal “comissão”, que pode optar, como quiser, por um vasto leque de soluções, corresponde a insegurança jurídica dos particulares. O PDM, tal como as leis e regulamentos em geral, deve proporcionar segurança jurídica e não insegurança. Deve identificar, com clareza, o que é permitido fazer e o que não é permitido. Neste quadro, a proposta apresentada afigura-se como uma espécie de roleta russa: será que o projecto vai ter um índice recomendado, optimizado ou maximizado?
Um segundo aspecto, nesta primeira leitura, prende-se com um novo conceito: as áreas de oportunidade. Mas, Oportunidade para quem?
O zonamento do actual PDM identifica e classifica classes de espaço, zonas homogéneas da cidade de acordo com a sua génese, morfologia, identidade, razões culturais e ambientais, cuja percepção é bastante intuitiva. É assim no PDM em vigor e, também, nesta proposta de revisão, à excepção das chamadas áreas de oportunidade que, por definição, não são históricas, não são consolidadas, não são de qualificação, nem de usos especiais ou áreas verdes. Na definição geral para estas áreas, apenas é dito que se tratam das áreas identificadas na planta e das que resultarem da desactivação de áreas de usos especiais e que se destinam a permitir a concretização de orientações estratégicas específicas. Não se poderia ser mais hermético numa definição. Ainda por cima numa definição jurídica. Talvez pela identificação das zonas indicadas em planta se consiga discernir a estratégia subjacente à sua criação. Vejamos:
Conjunto Liceu Camões, Escola Superior de Medicina Veterinária, Instalações da PJ; Terminal Rodoviário do Arco do Cego; Hospitais Miguel Bombarda e Júlio de Matos; Terrenos junto ao Aeroporto; Conjunto do Pólo Tecnológico de Lisboa, INETI e terrenos adjacentes; Aquaparque em Monsanto (zona verde no actual PDM); Docapesca; Área poente da Av. de Ceuta (zona non aedificandi em todos os estudos do Vale de Alcântara); Lar Maria Drosne (o tal terreno cuja hasta pública do Estado ficou deserta após aprovação por unanimidade em Câmara de uma moção proposta pelos vereadores do PSD em 2000); Terreno junto à segunda circular em frente do estádio da Luz cedido pela Câmara ao Benfica em direito de Superfície (conhecido como a pêra do Benfica);
O que haverá de comum nesta lista? O denominador comum da maioria dos casos é tratarem-se de equipamentos ou terrenos que são património do Estado. Será que a orientação estratégica específica é o equilíbrio orçamental do Estado? E a cidade de Lisboa? Como é que fica? A lista continuará a ser preenchida, porque assim que qualquer zona de uso especial for desactivada por decisão unilateral do Estado (hospitais, aeroportos, portos, instalações para fins militares, pólos universitários, infra estruturas, etc.), será imediatamente integrada na classificação Área de Oportunidade à qual se aplicam os parâmetros previstos no PDM para estas áreas, sem mais!
Este aspecto é tanto mais importante quanto para as áreas de equipamento e serviços públicos do PDM em vigor, era fortemente limitada a alteração de uso. Nesta proposta de revisão este tipo de áreas desaparece, tendo sido integradas em áreas de usos especiais (hospitais, escolas, equipamentos culturais, serviços da administração pública, etc.). A proposta de revisão classifica como áreas de usos especiais, instalações militares, prisionais e outras em Monsanto. No caso de desactivação passariam imediatamente à classe de zonas de oportunidade, as quais podem atingir um IUB de 2.
Em conclusão, este novo conceito de áreas de oportunidade parece-me um conceito mais mercantilista do que planificador do desenvolvimento sustentado de Lisboa.
Esta proposta foi apresentada como uma versão de trabalho e estará certamente longe de uma versão final. No entanto, poderão, ainda, referir-se outros aspectos demasiado importantes para não serem mencionados: as plantas do PDM não estão actualizadas com os planos em vigor ou projectos em curso. Isto é notório nos traçados da rede viária, é o caso por exemplo do Plano de Urbanização do Vale de Chelas, do Plano de Urbanização da Alta do Lumiar, do traçado do eixo norte-sul e do eixo estruturante da coroa noroeste (Ameixoeira/Galinheiras). Devo ainda destacar que quintas a reconverter no actual PDM passam a áreas de qualificação urbanística, como é o caso de uma quinta perto do Palácio da Ajuda, com as consequências que daí derivam: passam do actual IUB de 0,6 para um IUB máximo de 2. Uma última nota para os Projectos de Espaços Verdes, nomeadamente no parque periférico, que não vêm tradução na planta do PDM. Esperemos que esta proposta de revisão do PDM suscite uma profunda discussão sobre a cidade que os lisboetas querem, tendo em atenção os seus efeitos a médio e a longo prazo. O actual PDM, com as suas insuficiências, tinha subjacente um conceito estratégico de Lisboa e do seu desenvolvimento. Nos seus dez anos de vigência a cidade modernizou-se mantendo-se fiel a si própria.
Esta proposta de revisão, pelos conceitos que a enformam e pela discricionariedade que lhe está subjacente, fazem-nos temer pelo futuro da cidade.
Margarida Magalhães
12/10/2003 12:29:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



terça-feira, dezembro 09, 2003
 
Praia artificial
A Lisboa que sonho
Sonho com a Lisboa do futuro.
Como qualquer outro cidadão, outro lisboeta … sonho!

Na minha idade os sonhos são algo que queremos ver realizado, que se adequem à expectativa de vida que temos.
Por isso sonho com a Lisboa de 2020.
Um sonho que gostaria de ver cumprido.
Uma cidade amiga dos cidadãos, uma cidade que os lisboetas desfrutem e amem cada vez mais.
Uma cidade libertada.
Uma cidade com os lisboetas livres da pressão da falta de estacionamento, libertos da pressão de não ter onde colocar o carro ao fim de um dia de trabalho, ao longo do fim de semana.
Uma cidade por todo o lado acessível por transportes públicos de qualidade, a custos sociais.
Uma cidade plena de serenidade onde cada lisboeta (ou visitante), em qualquer ponto, se sinta interior e fisicamente seguro.
Sonho com uma cidade de convívio intergeracional onde os mais velhos com os seus netos/bisnetos possam viver e reinventar os tons, as cores e os cheiros das árvores e das plantas ou a textura e os sons da água que flui.
Sonho com uma cidade com alternativa visível aos grandes espaços comerciais onde hoje nos apinhamos sem conviver.
Uma cidade onde para cada uma das grandes superfícies comerciais hoje existentes (Expo, Olivais, Benfica, Bairro Azul, etc.) haja, pelo menos, uma grande infraestrutura de convívio, de lazer, de actividade física.
Infraestruturas cobertas que ofereçam a luminosidade e as cores lisboetas, que disponham de espaços de serviço, sim, mas onde a riqueza do nosso associativismo possa exibir e realizar o seu papel essencial.
Infraestruturas estas que ofereçam a alternativa da praia, dos rios, dos verdes que nos escasseiam, dos espaços de exposição, dos percursos pedonais e de natureza, apoiadas e monitorizadas pelos modernos meios de informação e comunicação, acessíveis em preço e localização a todos os lisboetas, mas também aos bombeiros, à polícia e aos serviços de saúde.
Infraestruturas concebidas para incluir todos, designadamente os cidadãos portadores de deficiências, e que polvilhem e cubram a cidade, que sejam arquitectadas de forma integrada e que as coloquem à distância fácil de pouco mais ou menos quinze (15) minutos de cada um de nós.
Para aqueles que ao lerem estas minhas palavras e ao intuírem estas minhas ideias, com elas não concordem, mas, sobretudo, lhes desejem aplicar o princípio do “realismo” para concluírem da sua inviabilidade, deixo duas imagens (Japão) para lhes aguçar a imaginação e para que as possam contrapor alternativa ou concomitantemente aos actuais grandes centros comerciais que frequentamos.
A cidade com que sonho tem que significar este reencontro das pessoas que são a razão de ser da polis.
A cidade tem que ser devolvida aos cidadãos, aos jovens, aos idosos, aos deficientes, às mulheres … a cada um de nós e ser apetecível a todos os que nos queiram visitar e aos que queremos que nos visitem.
As infraestruturas a criar devem ser concebidas na complementaridade da relação íntima que tem de ser criada entre os lisboetas e o seu rio, os seus poucos verdes e o espaço geográfico e humano em que a cidade se insere mas, sobretudo, estarem disponíveis e apelarem aos projectos da sociedade civil, do município, do governo.
Referimo-nos, no que respeita a estes projectos, a dimensões como a da prevenção e combate à toxicodependência e à criminalidade, bem como à reorientação de comportamentos socialmente desviantes.
Mas referimo-nos, por igual, a grandes projectos que a cidade possa liderar reforçando a autoestima dos cidadãos e mobilizando-os.
Projectos de qualidade que desafiem a nossa capacidade organizativa, que revigorem a nossa economia, que apostem no associativismo, em particular o desportivo, dizendo-lhe que se outros actores políticos não lhes propõem novos records a cidade é capaz de desafiá-los a tanto.
Vem isto a propósito das declarações na RTP 2 do Presidente do COP (Comité Olímpico Português) em que o Comandante Vicente Moura afirmava que Lisboa deveria propor-se à organização dos Jogos Olímpicos de 2016.
São palavras que temos ouvido aos mais diversos agentes desportivos ao longo destes últimos anos.
Por nós temos dúvidas da proposta para o ano de 2016 sabendo que nenhuma organização destas se prepara com menos de doze (12) de distância e que as políticas desportivas para a cidade, no âmbito desportivo, só as contemplarão, talvez, nos programas eleitorais das autárquicas de 2005.
Mas que é uma proposta incontornável isso é e cabe no nosso sonho de cidade.
Por isso ela deve ser discutida no grupo temático próprio do FORUM CIDADE e, desde já, apelamos a que nessas reuniões participem, na condição que entenderem, todo o movimento desportivo federado e o próprio COP.
Porque na minha idade os sonhos são algo que queremos ver realizado e se adequem à expectativa de vida que temos, com atrás já afirmei, não quero deixar de apelar a todos os cidadãos, a todos os lisboetas, ao associativismo em geral, para que participem com os seus comentários neste Blog , mas, em especial, que intervenham nos debates públicos que agora vão decorrer sobre o futuro PDM para que este reserve as áreas necessárias para o desporto, cultura e as artes que admitam os nossos sonhos para a cidade, sendo certo que o PDM que agora entra na fase de discussão pública condicionará, por muito mais do que os cerca de vinte anos a que aqui nos referimos, a cidade que queremos.
Intervenham para que os sonhos se cumpram.
Saudações lisboetas para todos.
Carlos Correia
12/09/2003 01:16:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



domingo, dezembro 07, 2003
 
Agenda





Participarão no Blog:

Feira - Carlos Correia
Feira - Margarida Magalhães
Feira - Cardoso dos Reis
Feira - Elza Pais
12/07/2003 09:56:00 da tarde . - . Página inicial . - .



sexta-feira, dezembro 05, 2003
 
Stop

Populismo e Terceiro Mundismo

A gestão anterior da Câmara Municipal arcando com a impopularidade daí resultante introduziu os parquímetros e avançou mesmo para o sistema de bloqueio das rodas, pretendendo com isso facilitar a circulação automóvel na cidade e fazer respeitar o direito dos peões, designadamente os deficientes, a circularem nos passeios, assim melhorando a qualidade de vida dos lisboetas e daqueles que nos visitam.
Não obstante a propaganda, de legalidade muito duvidosa, que vem sendo feita através de outdoors assinalando a melhoria do bem estar e qualidade de vida na cidade, criando a ilusão da existência de obras realizadas, através do fluxo dessas imagens, o que se verifica actualmente é precisamente o contrário.
O estacionamento não é fiscalizado, as segundas e terceiras filas proliferam pela cidade sem qualquer vontade por parte da Câmara de lhe por termo. Ou seja, a impunidade, a falta de cumprimento da lei graça por toda a cidade. Não há nenhum país da Europa onde tal aconteça.
Só o populismo próprio de um país do terceiro mundo pode justificar tal situação.
A propósito de peões não pode deixar de referir-se a oportunidade perdida pela Câmara com o Euro 2004.
Com efeito com a construção de dois estádios na 2ª circular, que é suposto ser a Avenida Norton de Matos, não se aproveitou para redefinir a leitura urbana daquele espaço. Já se reparou que entre o Norte e o Sul dessa via não há possibilidade de comunicação para os peões não obstante os já inúmeros equipamentos colectivos (estádios, centros comerciais,etc.) e áreas habitacionais aí existentes? Onde está a qualidade de vida? Já se reparou que com a falta dessa comunicação pedonal e viária se mantiveram verdadeiras ilhas muradas entre si? Já se reparou que apesar de os novos estádios terem parques de estacionamento próprios, se continua a ocupar as vias de trânsito e passeios para estacionamento de automóveis?
Afinal que bem estar e qualidade de vida é esta?
J. Anselmo Rodrigues
12/05/2003 01:44:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



quinta-feira, dezembro 04, 2003
 
Gigantones
Santo Amaro, gigantones e cabeçudo
Muito foi escrito e descrito sobre as putativas torres para Alcântara, saídas da enxuta pena do Arquitecto Álvaro Siza Vieira.
Uns contra, outros a favor. O promotor faz-nos compreender que a chancela Siza Vieira é um meio de pressão para levar a uma excepção, do ainda em vigor, PDM (Plano Director Municipal) de Lisboa.
Esta excepção, segundo ouvi, fundamentava-se no diálogo entre os putativos objectos a criar, três; um paralelepípedo rectângular, um cilindro, e por último um paralelepípedo troncocónico, com os pilares gémeos, suportes da ponte 25 de Abril, que lhe irão ficar próximos.
Podemos pegar nestes pressupostos e relatar o diálogo entre massas ciclópicas existentes no local, os pilares da ponte, e ouvir o seu diálogo sobre a futura companhia:

Cenário:
Manhã radiosa com o sol a realçar o relevo da encosta de Santo Amaro coberta de construções de escala humana. Os dois pilares gémeos, Pilar Gémeo Nascente e Pilar Gémeo Poente, depois de lerem os matutinos e beberricarem uma odorosa bica com arábica numa esplanada na encosta de Santo Amaro.

Actores:
Pilar Gémeo Nascente, adiante PGN
Pilar Gémeo Poente, adiante PGP

P.G.N. – Nós desempenhamos uma tarefa ao povo desta cidade, permitimos-lhe a passagem segura para a outra margem segura para a outra margem.
P.G.P. – Eu diria mais, permitimos a todo o Portugal que nos passe por cima e mire as tágides amigas de Camões que à noite sobem as doces margens com milhares de construções a si arrimadas, onde dormem os alfacinhas que sem o saberem sonham doces encontros afagados por elas.
P.G.N. – Mano, és indubitavelmente um poeta de Lisboa. Deixa-te disso porque somos dos lisboetas vão ser atormentados pela futura companhia que nos vão dar.
P.G.P. – Companhia? Como?
P.G.N. – Então, poeta distraído, não sabes que o “Senhor dos Carroceis” lavrou um documento que se chama “Áreas de Oportunidades” que permite a oportunistas invadirem a serena mansidão da nossa solidão.
P.G.P. – Vamos ter mais pilares gémeos junto a nós para servir os portugueses?
P.G.N. – Pilares, sim, mas para servir os mais admirados animais do “Senhor dos Carroceis”, os famosíssimos “ Anas Crecca” ditos “patos bravos”.
P.G.P. – Bonita atitude, vamos ter longos pilares para suportar ninhos de pato que serão lugares seguros para evitar predadores e aborrecidos apagões.
P.G.N. – Mano! Mano! Tanta bondade, tanta tolice. A companhia será de três gigantones.
P.G.P. – Mano...Que vergonha, uma ménage-à-trois perante os olhos de toda a Lisboa.
P.G.N. – Mano, o “Senhor dos Carroceis” é um homem muito voltado ao espectáculo, lembra-te das enormes pancartas e telões cenário dissiminados por Lisboa. Agora a cenografia é mais vigorosa feita para especuladores, desculpa, apreciadores de espectáculos hardcore.
P.G.P. – Irmão, como me envergonha ao lembrar-me do Santo Amaro, no seu alto, a ver tal espectáculo.
P.G.N. – Mano, “O mundo pula e avança” como diria António Gedião, nem que seja à cabeçada.
P.G.P. – Esta noite olhemos as lindas tágides que por enquanto vão subindo a encosta de Lisboa e abraçam os distraídos lisboetas.

Por ser verdade,
Luís O Alfacinha
Luís Filipe Coelho
12/04/2003 01:29:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



quarta-feira, dezembro 03, 2003
 
Telheiras - Lisboa

Lisboa, cidade amigável tanto para homens como para mulheres

Numa cidade amigável toda a gente se sente bem. E mesmo quem vem de fora pode identificar-se com o espaço à sua volta e fazê-lo seu. Uma cidade amigável toca-nos e comove. E faz de nós pessoas melhores. Há cidades que nos pertencem e não moramos lá. Ofereceram-nos memória e conhecimento, alegria e espanto, encontro e percurso, diversidade e conforto. Souberam ‘cativar-nos’. Parece que estão à nossa espera e que fazemos falta. Quiseram que gostássemos delas, que nos lembrássemos delas e que voltássemos lá.
Também há cidades hostis. Olha-se para as casas e pela sua degradação vê-se mal como é que alguém pode ser feliz lá dentro. Olha-se para as ruas e sente-se que não foram pensadas para ligar, mas para dividir. Olha-se para o chão e está esburacado e é irregular, sendo indiferente que lá se possa cair ou torcer um pé. Olha-se à volta e a desarmonia provoca irritação e só pode gerar violência. Olha-se para o espaço entre casas, ruas, lojas, escritórios e tudo o mais que uma cidade tem, e percebe-se logo que não foi pensado para acolher quem quer que fosse que gostasse de sair de casa: para ver árvores e se lembrar que há natureza, para se sentar a uma sombra sem barulho de trânsito, se calhar a ler ou a pensar, para passear, para falar com outras pessoas, para poder levar as crianças a apanhar ar sem ter que fazer disso um esforço desmedido. Olha-se para quem passa e tem-se medo. Das caras fechadas e da agressividade latente. Dos assaltos e dos roubos. Numa cidade hostil não apetece viver nem criar filhos. A uma cidade hostil não se oferece energia, nem criatividade, nem participação. De uma cidade hostil sai-se logo que se pode. E faz-se por esquecer.
Gostaria que Lisboa fosse sentida como uma cidade amigável por quem a habita, por quem nela trabalha, por quem nela investe, por quem a quer conhecer. E que isso acontecesse em todos os seus bairros. Também naqueles em que abundam pessoas mais velhas. Que precisam de mais transportes de proximidade, de mais luz nas ruas, de mais tempo para atravessar nos semáforos.
Gostaria que Lisboa fosse a capital amigável de um país amigável. E que entendesse que não o será, se não reparar que as pessoas que serve são homens e são mulheres. Para quem o quotidiano na cidade tem custos desiguais. Em segurança. Em mobilidade. Em tempo. Em conciliação da actividade profissional e da vida familiar. Em recursos. Em lazer. Em capacidade de intervenção. Em poder. Gostaria que Lisboa procurasse responder de forma justa aos direitos e aos interesses dos homens e das mulheres que serve, e se preocupasse seriamente em compensar, em cada medida administrativa que tomasse, as assimetrias óbvias e as difusas que resultam de uma normatividade social já reconhecida incompatível com os direitos humanos, mas que não mudará sem intervenções decididas e consistentes, também a nível municipal.
Gostaria que Lisboa fosse gerida em paridade por homens e por mulheres. E se orgulhasse disso. Simplesmente porque o povo de Lisboa é o conjunto dos seus homens e das suas mulheres. E porque as duas metades deste povo têm direito à democracia na cidade.
Maria do Céu da Cunha Rêgo
12/03/2003 02:45:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



terça-feira, dezembro 02, 2003
 
Idoso Eléctrico - Lisboa

As malhas que a (C)idade tece

Os factos são conhecidos: a Lisboa menina e moça da alma do poeta foi envelhecendo e é hoje a cidade portuguesa com a maior proporção de idosos (um em cada 4 residentes tem mais de 65 anos) e a capital da UE mais envelhecida. Aqui nascem cada vez menos crianças, e nela vivem cada vez mais idosos, sendo que cerca de 45% com pelo menos 75 anos de idade. A maioria destes “lisboetas” são mulheres, mas apenas uma parte aqui nasceu.
Exactamente 2/3 vivem sós ou acompanhados pelo seu companheiro/a. Uma parte não desprezível (17%) são analfabetos. Em geral com fracos rendimentos, habitam as casas mais antigas e degradadas da cidade, e as suas condições de vida – incluindo os rendimentos mensais - espelham um trajecto de vida com muitas dificuldades que o presente não afastou. São pelo menos 15% os que apresentam uma deficiência (motora, visual, auditiva) que agrava o seu quotidiano. São milhares os que carecem de um apoio domiciliário, e apenas uma parte dele beneficia. Alguém consegue saber quantos velhos mendigos existem em Lisboa?
Nos últimos 6 anos, mais de 3.000 idosos foram vítimas de um acidente rodoviário dentro da cidade e, destes, um em cada dez faleceu. Em igual período, pelo menos 1.600 peões idosos foram vítimas de um acidente ao atravessarem uma via, 1/3 dos quais em passadeiras sem sinalização.
Em algumas zonas de Lisboa as principais vítimas de delitos (como sejam o roubo, furto por esticão) são idosos. A acessibilidade aos transportes (horários, carreiras, tarifas, condições de uso) é marcadamente discriminatória.
Os dados de que dispomos são eloquentes: a cidade não cuida com respeito dos seus moradores de maior idade: não os protege e pouco investe na dignificação das suas condições de vida.
Do actual Executivo Camarário obtemos, entretanto, as seguintes respostas (recolhidas das Grandes Opções para 2003-2006) para tão complexo quadro social:
· Reforçar verba para a Acção Praia Campo Sénior e para o programa Lisboa Feliz;
· Lançar os projectos Bodas de Ouro e Música Ligeira Portuguesa – Anos Dourados;
· Comemorar, com inúmeras actividades, o Dia dos Avós;
· Lançar ou concluir novos Centros de Dia
Sem comentários!
Precisamos de uma política de natureza horizontal para a velhice da cidade, com uma inerente cultura política solidária e humanista, que erradique o preconceito assistencialista e a folclorização da 3ª idade, as acções de fachada, o desencontro entre as propostas fugazes e as necessidades sociais, em nome de uma sociedade mais justa e com acrescida coesão geracional.
Paulo Machado
12/02/2003 12:54:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



segunda-feira, dezembro 01, 2003
 
Agenda





Participarão no Blog:

Feira - Paulo Machado
Feira - Maria do Céu Cunha Rêgo
Feira - Luís Coelho
Feira - Anselmo Rodrigues
12/01/2003 01:23:00 da manhã . - . Página inicial . - .



This page is powered by Blogger. Some Text