Forum Cidade

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Partido Socialista
António Costa

Definição e Objectivos
Empenhada na promoção da participação dos seus militantes e dos cidadãos em geral na vida e no futuro da cidade de Lisboa, a Comissão Política Concelhia de Lisboa (CPCL) do Partido Socialista decidiu criar e institucionalizar de forma permanente um espaço de debate político e social: o Forum Cidade. Contribuir para a construção, em termos programáticos, de uma alternativa de governo para a cidade de Lisboa e alargar a base de participação dos cidadãos na reflexão sobre a gestão da cidade, propondo iniciativas a desenvolver pelos autarcas socialistas numa lógica territorial adequada ao tecido social e urbano em análise são os dois grandes objectivos que o Forum Cidade se propõe prosseguir. O Forum Cidade será uma estrutura informal da Comissão Política Concelhia de Lisboa, que deverá envolver militantes do PS e cidadãos independentes no compromisso de reflectir conjuntamente sobre as potencialidades e os problemas de Lisboa, tendo em vista a procura e a formulação de propostas que visem o desenvolvimento sustentável da cidade, a busca de soluções para questões inadiáveis ou até a tomada de posição em matérias que considere relevantes.
Forum Conclusões Conclusões dos grupos de trabalho do Forum Cidade apresentadas em Lisboa no dia 2005/05/03:
(documentos em pdf)

Conclusões (694 KB)
Qualidade Vida/Ambiente (296 KB)
Escola e Comunidade (177 KB)
Política Urbana (234 KB)
Desporto (241 KB)
Espaço Público (152 KB)
Segurança Rodoviária (258 KB)
Modelo Económico (480 KB)

Forum Conclusões
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quarta-feira, março 31, 2004
 
Lisboa-Torres

Cidade inimaginada

"Você não imagina o que aí vem", anunciava há vários meses um cartaz laranja com o logótipo da Câmara Municipal de Lisboa em Alcântara.
Tratava-se de uma ameaça? Ou seria mais uma promessa do nosso Edil? Que iria a CML fazer ali? Talvez um equipamento ou um jardim?
A ver vamos! - Terá dito o indígena mais céptico que se havia habituado a esta nova maneira de comunicar importada da América Latina.
Passados meses, em sessão anunciada à imprensa com a colaboração da Autarquia, fica finalmente desfeito o mistério: tratava-se de um empreendimento privado, destinado ao mercado imobiliário, desenhado com mestria por Álvaro Siza, cuja faceta mais conhecida da proposta é, alegadamente, romper com a cércea máxima imposta pelo PDM de Lisboa.
Na sessão o Autarca mostrou agrado com o que viu (também ele não imaginava o que aí vinha?) e como homem de causas de cultura achou interessante envolver a cidade num debate cultural em torno da construção em altura. Logo ele, a quem já acusavam de não ter uma ideia de cidade, que no seu discurso de posse havia condensado um programa para o urbanismo na frase lapidar: "cumprir a lei".
O repto estava lançado. Especialistas, homens de letras e outros aparentemente menos dados a leituras encheram páginas de imprensa extremando posições. Uns foram acusados de conservadores (os Velhos do Restelo do costume, que estavam contra) e outros de coniventes com a especulação imobiliária (os alegados progressistas).
Depois foram sucessivos avanços e recuos, em que pelo meio falou-se de outras propostas na frente ribeirinha de ilustres arquitectos internacionais cuja tónica, mais uma vez enriquecedora do debate cultural, centrava-se na construção em altura.
Ironia à parte, apesar de recusar ingenuidade, não me revejo em nenhuma posição simplesmente contra ou a favor.
Insurgi-me contra a demolição do Hotel Estoril Sol em Cascais, que havia surgido num contexto politicamente correcto (ou conservador) de valorização da escala do Chalé da Linha “agredida” há mais de 30 anos por aquela construção em altura.
Nessa medida não me senti beliscado por cartazes e anúncios anónimos, pagos com o dinheiro da Câmara e cujo único objectivo era questionar a legalidade de um acto cometido pela própria Autarquia no licenciamento de duas torres na Av. José Malhoa - palavra de honra que isto não é ficção, é mesmo real!
A construção em altura constitui um marco arquitectónico no tecido urbano, com poder de referenciação. Na cidade histórica assinalava um centro de poder, espiritual ou temporal, sem que se questionasse a legitimidade. Na cidade liberal, fundamentalmente no Novo Mundo e na Ásia, marca a emergência do poder financeiro dos vários grupos económicos em competição por um lugar ao sol - repare-se que a China comunista nas vésperas de recuperar Macau e Hong Kong mandou construir os edifícios mais altos dos dois territórios para albergar a sede do seu Banco Central, num claro restabelecimento de uma ordem face ao poder económico reinante.
A construção em altura sobre uma malha urbana consolidada, mais ou menos estabilizada, num suporte físico com as características sobre o que assenta a cidade de Lisboa, tem carácter pontual e deve ser entendida enquanto tal. Deve surgir numa estratégia de referenciação do tecido urbano, seja como anúncio de uma nova centralidade, marco de emergência de um poder simbólico ou apenas por recomposição formal da malha urbana.
Nessa medida, ao contrário do ventilado, o PDM de Lisboa não limita a cércea em 25 metros, prevê a possibilidade de se propor outras alturas, desde que justificadas em Plano de Urbanização ou de Pormenor. Ou seja, impõe à generalidade da cidade regras de composição a serem cumpridas, admitindo variações desde que previstas em Instrumento de Planeamento Territorial. Chama-se a isto regras claras!
No caso em apreço, não discuto a beleza formal da proposta de Siza, que lhe advém de uma tensão entre a forte horizontalidade do tabuleiro da Ponte 25 de Abril e a verticalidade imaginada pelo autor. Embora não tenha certezas sobre a possibilidade de afronta ao sistema de vistas das colinas adjacentes, pontuadas por dois objectos arquitectónicos dominantes sobre a foz da Ribeira de Alcântara: Palácio das Necessidades, a nascente, e Capela de Santo Amaro, a poente, respectivamente marcos do poder temporal e espiritual.
Siza, em entrevista a um órgão de comunicação social, defende a sua solução enquanto resposta mais adequada à edificabilidade atribuída pelo PDM (índice 2) que lhe parece excessiva(!)...
A área encontra-se enquadrada numa Unidade Operativa de Planeamento e Gestão assinalada no PDM, para a qual considera ser previamente obrigatória a elaboração de Instrumento de Planeamento Territorial que enquadre a reestruturação urbanística da zona, onde a edificabilidade e respectiva distribuição deveria ser ponderada tendo em conta os equilíbrios urbanos e ecológicos em presença.
Como é sabido o direito de propriedade é independente do direito de edificabilidade, devendo este último, numa sociedade democrática, corresponder à satisfação de necessidades humanas colectivamente assumidas.
Sendo sensível aos argumentos de qualificação urbana e ambiental aduzidos pelo projectista, à necessidade de reconversão de uma malha urbana obsoleta, por extinção dos usos industriais, parece-me no mínimo sensato submeter o arrojado projecto a inquérito público, faculdade prevista no Regime Jurídico da Urbanização e Edificação, confrontando-a com as propostas da Câmara de reestruturação da área (se é que existem), com a avaliação dos impactes na rede urbana e nos valores ecológicos em presença.
Não me chocaria a aprovação do projecto enquanto excepcionalidade intencional de planeamento urbano, assumida democraticamente, depois de acautelados os valores de interesse público referidos.
A liberalização da cércea, cavalo de batalha de alguns, corresponde a uma visão mercantilista da cidade e originará transformações não imagináveis nos sítios mais inimagináveis.
Paulo Prazeres Pais
3/31/2004 01:14:00 da manhã . - . Página inicial . - .



terça-feira, março 30, 2004
 
Lisboa-Jardim

Lisboa - Cidade cosmopolita

Para amar a cidade, é preciso conhecê-la melhor e vivê-la! Hoje, corremos, no entanto, o risco de estar a assistir a uma história de populismo e de mera gestão do curto prazo em Lisboa. Basta termos visto as campanhas de propaganda. Não se sente o espírito de uma cidade moderna. Falta o espírito de futuro. Em vez de se criar uma boa mobilização dos lisboetas, assistimos constantemente ao farisaísmo que apenas serve para esquecer o que de mais importante pode haver na renovação da cidade. Os amigos da cidade de Lisboa deverão encetar, por isso, uma autêntica campanha cívica para que a nossa capital se torne mais cosmopolita e europeia. Uma campanha cívica e política por Lisboa obriga a que haja causas positivas. Precisamos de uma sã cultura ambiental, capaz de compreender a importância da paisagem, dos jardins e dos espaços verdes. Precisamos de uma dimensão universalista e aberta da cultura, que evite a tentação uniformizadora. Longe de uma cultura fechada e retrógrada ou das concessões ao lucro fácil, temos de pensar numa cidade para as pessoas, com dimensão humana, com lugares para passear e com jardins, onde tenhamos as vocações tradicionais da protecção, da produção e do recreio, como nos tem ensinado o Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles. Uma cidade cosmopolita tem de ser não só um lugar onde tradições e modernidade se encontrem, mas também um ponto de diálogo para uma cultura da Paz. Reencontremos a Cidade das Luzes e da Razão, símbolo da modernidade, cultivemos a visão de futuro de um cidade do Espírito. A luz (lembre-se o importante projecto Luzboa) é apanágio especial da nossa cidade. Cultivemos o lado solar de Lisboa. A sociedade civil lisboeta tem de unir esforços para lançar um verdadeiro Alerta, a fim de que a cidade se defenda contra as agressões da indiferença ou do negocismo. Precisamos de defender a cidade histórica e o seu património material e imaterial. Precisamos de pensar nas pessoas – e numa cidade aberta, digna de ser vista, sentida e salva. Orlando Ribeiro (1911-1997) dizia que “a Geografia se faz, antes de mais nada, com os olhos e com os pés”. E falava ainda da “severa disciplina da ciência, e da amorosa compreensão da terra e da gente”. A cidade de Lisboa tem de ser vista e enriquecida a partir dessa presença. Precisamos de ter condições para gozar a beleza da cidade e para compreender a terra e a gente. Precisamos, afinal, da disciplina e do rigor num ordenamento humano da cidade, que seja eficaz e exemplar. Uma cidade cosmopolita terá, assim, de estar no mapa das grandes realizações e iniciativas culturais europeias. Lisboa terá de ser uma cidade de intercâmbios e de diálogos fecundos – fiel à sua História… Cidade de mil referências e de várias culturas (a cidade de Rodrigues Miguéis e de Cardoso Pires) – eis a melhor garantia contra as ameaças de hoje. A Cultura da Paz tem de ser cultivada em Lisboa. Ser cosmopolita, não é esquecer os ideais e os valores, mas sim demonstrar o que pode ser feito com resultados práticos. Contra o terror e o medo, temos de saber construir em Lisboa um autêntico diálogo entre culturas, o respeito mútuo, a tolerância e um são pluralismo que não esqueça as causas e os ideais. Lisboa merece o melhor – e quando todos nos solidarizamos com a morte dos inocentes de Madrid no 11M, é chegado o momento de dizer que o terror e os fundamentalismos se combatem com inteligência, com ética e com equilíbrio nas formas e nas cores. A cultura tem de preparar os caminhos da Paz!
Guilherme d’Oliveira Martins
3/30/2004 02:20:00 da manhã . - . Página inicial . - .



segunda-feira, março 29, 2004
 
Vista aérea Parque Nações

O espírito de Lisboa

Ligado ao planeamento e mesmo à gestão urbanística de uma cidade está um seu “modelo” subjacente. Modelo não apenas formal, estético, arquitectónico, mas também funcional e sobretudo, social.
Como modelo social de uma cidade entende-se o estilo de vida que ela patrocina. E, como dizia (cantava) o Vinicius, “a vida é a arte do encontro”, as formas de relação entre os cidadãos, a disponibilidade e a qualidade dos espaços públicos, a mobilidade interna na cidade, os tempos e ritmos existentes e aquilo que torna esse espaço de vida característico, referenciável, memorável, único.
Um sítio terá, assim, uma "alma", que será uma mistura de tudo o anteriormente dito, com cor, clima, comércio, movimento, gente, a idade da gente, eu sei lá. Os chineses acreditam que os lugares são aflorações do dragão da terra e que há, pela prática do “feng shoi”, da geomância, de o não ofender. Todos conhecemos a carga telúrica de alguns sítios, lugares sagrados, lugares malditos, lugares poéticos.
A essa “alma” poder-se-á chamar o “espírito do lugar”, mais ou menos o que os romanos chamavam o “genius locci”. Não sendo regra, é normal que esse espírito seja muito mais presente nas cidades antigas ou nas suas zonas mais antigas, do que nas zonas mais modernas. É qualquer coisa que tem a ver com “patina” da cidade, com referências, cheiros, abrigos, a sedimentação de pequenas adaptações ao quotidiano de milhares de pessoas, uns vasos de flores numas janelas, uma tabuleta original, um canto de jardim para a sueca, a pala numa porta contra a chuva, etc.
É preciso ser-se lisboeta ou ter-se cá vivido muito tempo, para se o aperceber, em muitas zonas da Cidade.
É também um valor social e cultural que há que preservar.
Mas as cidades não são museus ou maquetas à escala natural. Elas devem acompanhar o evoluir das sociedades que abrigam e adaptar-se, nas suas formas, a novos funcionamentos dessas sociedades. Normalmente têm de se confinar a estados já muito comprometidos de edificado, sendo raríssima a oportunidade para o urbanista de partir ex nihil. Em Lisboa apenas o Plano da Baixa Pombalina, o das “Avenidas novas” e, recentemente, a Alta de Lisboa e a Parque Expo, tiveram esse privilégio.
A cidade pode desenvolver-se sem constrangimentos desta natureza e, normalmente, sem preocupações de respeito pelo “espírito do lugar”. Basta adoptar o critério de, nas zonas antigas, reconverter e construir de novo apenas nas modernas. Aliás, em Lisboa, a oferta de fogos e espaços terciários excede a procura. Não tem grande sentido construir-se mais. São, ainda, razões de natureza meramente financeira, para os promotores e Câmaras, que sustentam a dinâmica de construção nova.
Na cidade antiga, consolidada, há que respeitar o acima referido “espírito do lugar”, onde esse aspecto é de grande importância para o “sentido de pertença” dos seus habitantes e para se não avançar numa descaracterização que torne toda a cidade, por entropia, num enorme espaço cinzento, num “anti-lugar” igual a tantos outros espaços de tantas novas cidades que há por esse mundo.
Lisboa, como a generalidade das cidades antigas, é uma cidade diversificada, com zonas antigas e modernas, que permite o uso de diversos modelos urbanísticos e arquitectónicos de forma correcta e adequada ao “espírito” de cada uma. A própria diversidade de imagem e de modelos urbanos, numa cidade, é uma qualidade e não um defeito.
Tem isto a ver com o uso de “torres” (prédios sensivelmente mais altos que os envolventes) que recentemente tem vindo a lume. Qualquer projecto que, pela sua escala divirja substancialmente da do lugar onde se insere, deve ser particularmente analisado quanto aos respectivos impactes locais. Impactes funcionais, sociais, estéticos e paisagísticos.
Se as torres das Amoreiras, as da Expo, as das zonas novas da cidade ou as da imaginada Manhattan de Almada, se afiguram adequadas aos sítios onde foram ou seriam instaladas, já as que se pretendem colocar nas zonas baixas (e históricas) de Alcântara ou Santos, contrariam notoriamente o espírito do lugar e perturbarão a vista sobre a cidade, do Rio (um dos seus ex-libris), como elemento aberrante na massa do casario que se desenvolve pelas colinas.
Não será impunemente que os arquitectos que as propõem, consagradas figuras internacionais, não são lisboetas.
Sérgio Pessoa
3/29/2004 02:43:00 da tarde . - . Página inicial . - .



domingo, março 28, 2004
 
Agenda





Participarão no Blog:

Feira - Sérgio Pessoa
Feira - Guilherme d'Oliveira Martins
Feira - Paulo Pais
Feira - Isabel Cabaço Antunes
Feira - Arnaldo João
3/28/2004 10:30:00 da tarde . - . Página inicial . - .



sexta-feira, março 26, 2004
 
Magritte

Construir em altura

No dia 31 de Março, quarta-feira, realiza-se mais uma tertúlia do Fórum Cidade, desta feita subordinada ao tema "Construir em Altura" e que contará, entre outros, com a participação dos arquitectos Siza Vieira,Gonçalo Ribeiro Telles e Bruno Soares.
O jantar terá lugar no Martinho da Arcada, pelas 20 horas, custa 21 euros e as inscrições devem ser dirigidas a Cândida Cavaleiro Madeira (962364812) ou Rita Cavaleiro Madeira (218410060).
FC
3/26/2004 11:00:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)




 
Lisboa-Túnel



Pela existência de um estudo de impacto ambiental
para o Túnel das Amoreiras


Considerando que as obras de construção do Túnel das Amoreiras se continuam a desenvolver sem que esta Assembleia Municipal tenha acesso às peças que compõem o respectivo processo.
Considerando que já ninguém tem dúvidas de que o projecto em execução NÃO CORRESPONDE ao projecto inicial que obteve o visto do Tribunal de Contas, o que leva a concluir que aquele Tribunal virá a solicitar informações complementares.
Considerando que é absolutamente incompreensível que a Câmara Municipal de Lisboa tenha iniciado esta obra, com os impactos que todos sabemos que ela comporta, sem ter procedido à elaboração de um Estudo de Impacto Ambiental.

Nestes termos, os eleitos do PS na Assembleia Municipal de Lisboa, propõem que a Assembleia Municipal hoje reunida delibere:

1. Solicitar à Câmara Municipal de Lisboa que, com a máxima urgência, ordene a elaboração de um estudo de impacto ambiental para a obra do túnel das Amoreiras;
2. Solicitar, uma vez mais, à Câmara Municipal, que sejam enviadas a esta Assembleia o anteprojecto inicial, com todos os seus documentos, e o projecto actualmente em curso, para que a AML possa fiscalizar as alterações introduzidas;
3. Solicitar à Câmara Municipal de Lisboa o envio, urgente, do contrato celebrado e visado pelo Tribunal de Contas;
4. Publicar esta moção em dois jornais diários.
3/26/2004 02:03:00 da manhã . - . Página inicial . - .




 
Atencao
Devido a uma impossibilidade pessoal de última hora, não é possível apresentar esta semana o texto de Margarida Magalhães como está agendado. Assim, optamos por colocar a moção apresentada pelo PS na Assembleia Municipal de Lisboa, no passado mês de Fevereiro, relativa ao Túnel das Amoreiras.
FC
3/26/2004 01:08:00 da manhã . - . Página inicial . - .




 
Cartaz Prometeu
3/26/2004 01:00:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



quinta-feira, março 25, 2004
 
Cais Sodre

A Segurança e os Transportes Públicos

Os acontecimentos do passado dia 11 de Março em Madrid, representaram para todos os democratas uma manifestação da mais inconcebível barbárie que esperamos não ver repetida, apesar dos inúmeros esforços que todos os fundamentalistas vêm desenvolvendo, qual espiral crescente de intolerância e de irracionalidade.
A esta intolerância e irracionalidade, devemos nós, democratas e humanistas, contrapor o primado da razão e da tolerância, mediante atitudes objectivas de aproximação entre comunidades e culturas e rejeitando os radicalismos e sentimentos de cruzada que alguns querem fazer passar.
Feita esta declaração prévia que se enquadra no plano do puro exercício da cidadania, analisemos uma outra vertente e consequências associadas daquele miserável atentado: a sua concretização em espaços públicos do sistema de transportes colectivos de uma grande metrópole e conclusões que daí se podem retirar.
Como é sabido os sistemas de transportes colectivos das grandes metrópoles asseguram a movimentação pendular de grande parte dos inúmeros cidadãos que, diariamente, têm de realizar as suas deslocações casa-trabalho, ou casa-escola, nomeadamente.
Estes sistemas oferecem meios que são utilizados fundamentalmente pelos cidadãos menos favorecidos, facto social e economicamente relevante.
Por isso e de acordo com as exigências que as nossas comunidades urbanas vêm colocando no sentido da sua equilibrada evolução/consolidação, é essencial assegurar que não haverá alteração dos comportamentos de uso dos modos de transporte pelos cidadãos que as integram, a menos que sejam no sentido do reforço do transporte colectivo e em detrimento do transporte individual.
Para atingir esse desiderato importa que continuemos a trabalhar sem hesitações, integrando de forma inequívoca o grupo dos países desenvolvidos que têm uma perspectiva cultural evoluída e favorável àquele reforço.
Ora, os atentados de Madrid do passado dia 11, ao atacarem em três pontos do sistema pesado de transportes públicos, deverão ser para nós motivo de reflexão e de reacção, de forma a anular eventuais factores de instabilidade psicológica na escolha dos modos de transporte que resultem de uma diferente percepção de risco do seu uso e que possa culminar na adopção de soluções globais de transporte menos eficientes, como seria o caso do incremento do uso do transporte individual.
Obviamente que esta hipótese teria sempre como significativo factor de amortecimento a realidade económica dos utilizadores dos sistemas pesados, que lhes não permitiria com facilidade adoptar o uso do transporte individual, solução significativamente mais onerosa.
De qualquer forma, analisando estes factos e pensando nas eventuais consequências que a continuidade de um clima menos favorável ao transporte público poderia ter no nosso país, importa tomar medidas suplementares de reforço da confiança no sistema, contrariando e invertendo a permanente tendência de diminuição da quota de mercado detida pelo transporte público.
Importa, por isso, aproveitar esta conjuntura para reforçar os mecanismos de Segurança ao serviço das populações utilizadoras dos transportes públicos de massas, reequacionando equipamentos e sistemas e incrementando e optimizando recursos, que poderão passar pela adopção das seguintes medidas, entre outras:
Revisão, melhoria e instalação de novos sistemas de vídeo-vigilância dos espaços envolvidos nos sistemas de transporte, com particular relevo para os espaços fechados e de utilização mais intensa;
Adopção de uma política coordenada e integrada de controlo e gestão dos sistemas e equipamentos de segurança e informação associada;
Reforço e reestruturação da Polícia Ferroviária, de forma a constituir uma força de Segurança direccionada para todo o sector dos transportes, com implantação de carácter nacional e com envolvimento prioritário nas grandes áreas urbanas.
Tudo isto deverá ter um envolvimento objectivo e inequívoco do Governo e das Autoridades de Segurança, nomeadamente no que ao financiamento destas medidas respeita, não esquecendo que a responsabilidade do financiamento de um corpo de polícia afecto aos transportes não poderá deixar de ser assacado às Administrações Central ou Local e não aos operadores de transporte.
Obviamente que ao preconizar este reforço de medidas na Área da Segurança não estou a defender a introdução de medidas características de um Estado policial, ou de excepção, mas tão-somente a concretização de iniciativas que vêm sendo defendidas há muito tempo por várias entidades e grupos de cidadãos e que tardam em ser concretizadas.
Esta deverá ser uma oportunidade a não perder para se tomarem medidas de reforço da credibilidade psicológica do transporte público na vertente Segurança.
Igualmente necessária, segundo a minha opinião, será a promoção de uma agressiva campanha nacional para um uso mais intensivo dos transportes públicos relevando as vantagens da sua utilização, quer para a comunidade, quer para o próprio utilizador. Mas uma campanha para promoção do transporte colectivo e não uma acção de propaganda de qualquer natureza.
Assim o Governo tenha a capacidade de perceber a oportunidade que se impõe aproveitar e não se perca em manobras de diversão e em "acções para Inglês ver" de inócuas consequências para os cidadãos.
Cardoso Reis
3/25/2004 02:08:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



quarta-feira, março 24, 2004
 
Lisboa

Moção apresentada pelo
Grupo Municipal do Partido Socialista em 2004-02-17


A situação dos moradores da Vila Ferro, em Campolide, tem vindo a merecer a atenção dos Lisboetas e, em particular, da comunicação social.

Considerando que a Câmara Municipal de Lisboa em 2001, ainda durante o mandato da coligação de esquerda, se comprometeu com os moradores deste Bairro em realojá-los nos prédios então em construção no Bairro da Bela Flor;
Considerando que o Sr. Presidente da Câmara, Dr. Santana Lopes, logo após a sua eleição, ordenou o embargo da construção destes prédios na Quinta da Bela Flor e posterior demolição de alguns pisos destes prédios, deixando os moradores a realojar, numa situação de natural ansiedade quanto ao seu futuro;
Considerando que o Sr. Presidente da Câmara se comprometeu, no momento em que ordenou a demolição dos pisos superiores destes prédios, a realojar estes moradores nos andares remanescentes dos prédios da Bela Flor, recolocando assim um factor de esperança junto dos moradores da Vila Ferro;
Considerando que, ainda, em Outubro de 2003, o Sr. Presidente da Câmara voltou a reiterar o compromisso de proceder ao realojamento destas famílias;
Considerando que recentemente estes moradores foram confrontados pela Câmara Municipal de Lisboa com a intenção de não promover o seu realojamento nos prédios da Bela Flor;
Considerando que a Câmara Municipal de Lisboa, pela voz da vereadora responsável pelo pelouro da habitação social, se recusa a honrar os compromissos assumidos pela Câmara Municipal de Lisboa, desde 2001;
Considerando que a Vila Ferro não possui as mínimas condições de habitabilidade que salvaguardem a dignidade humana das pessoas;
Considerando as várias tentativas de intimidação feitas aos habitantes da Vila Ferro, de que é exemplo gritante a tentativa de mandar cortar a corrente eléctrica e a iluminação pública.

O Grupo Municipal do PS, na Assembleia Municipal de Lisboa propõe que a Assembleia Municipal de Lisboa hoje reunida delibere:
Recomendar à Câmara Municipal de Lisboa que inicie de imediato um processo de diálogo com os moradores no sentido de proceder ao seu realojamento;
Que este realojamento seja preferencialmente feito nos prédios da Bela Flor;
Que no caso de não ser possível promover a totalidade deste realojamento nos prédios do Bairro da Bela Flor, o mesmo seja efectuado em outras zonas de realojamento da cidade, mas sempre em diálogo com os habitantes da Vila Ferro.
Lisboa, 17 de Fevereiro de 2004
Pelo Grupo Municipal do Partido Socialista
António Dias Baptista
Miguel Coelho
Carlos Rodrigues dos Santos
- Presidente da Junta de Freguesia de Campolide
3/24/2004 10:18:00 da manhã . - . Página inicial . - .



terça-feira, março 23, 2004
 
Lisboa

Moção apresentada pelo
Grupo Municipal do Partido Socialista em 2004-02-17


Nas últimas duas semanas a Câmara Municipal de Lisboa, através do seu Presidente, tem publicitado a intenção de instalar no parque florestal do Monsanto a Feira Popular de Lisboa. Anuncia mesmo a sua inauguração para Junho deste ano.

Não obstante, existe uma deliberação da Câmara Municipal de Lisboa em que se consagra a manutenção em Entrecampos de uma parte da Feira Popular – que tem sido ignorada.
Deliberação integrada no processo de permuta dos terrenos de Entrecampos com os terrenos do Parque Mayer e que visava a reabilitação desta última área de lazer e entretenimento.
Do mesmo modo, visava igualmente a instalação em parte dos actuais terrenos de Entrecampos de um parque de diversões mais moderno e atractivo.
Acontece, que a instalação da Feira Popular no Monsanto trará graves inconvenientes do ponto de vista ambiental.
De facto, estará em risco a desvirtualização da função primordial desta zona da cidade – ser o pulmão de Lisboa.
Igualmente, esta solução poderá colocar em risco a relação do lisboeta com o parque ambiental da cidade uma vez que implicará certamente um abate de árvores e que o Monsanto passe a ser um foco e uma fonte de poluição sonora e atmosférica – basta pensar a par da própria Feira Popular no previsível fluxo permanente de veículos automóveis particulares ou de transportes colectivos.
Acresce, que existem outras zonas de Lisboa mais indicadas para receber esta infra-estrutura, como por exemplo a zona norte do Parque das Nações – se for confirmada a impossibilidade, ainda não explicada, da sua instalação em Entrecampos.
Daí que a Assembleia Municipal de Lisboa considerando que:
Não foram, até à data, convenientemente explicados os pressupostos que parecem conduzir a mais uma mudança de ideias por parte da Câmara Municipal de Lisboa;
O processo de reabilitação do Parque Mayer “marca passo”;
A manutenção em Entrecampos de uma parte da Feira Popular está aprovada pela Câmara Municipal de Lisboa;
A transferência da Feira Popular para o parque florestal do Monsanto tem graves inconvenientes de natureza ambiental; e,
Não está contra a criação do parque de diversões mas sim contra a sua instalação no Monsanto.

Delibera:

Exigir da Câmara Municipal de Lisboa todas as explicações sobre os pressupostos que conduziram a mais esta mudança de ideias – em sede das Comissões Permanente de Ambiente e Qualidade de Vida e Eventual de Acompanhamento da Reabilitação do Parque Mayer;
Manifestar a sua discordância e oposição à instalação da Feira Popular no parque florestal do Monsanto;
Sugerir à Câmara Municipal de Lisboa uma adequada ponderação que possibilite a manutenção da sua deliberação, que consagra a continuidade da Feira Popular em Entrecampos, ou em alternativa o encontrar de uma outra localização que seja ambientalmente menos nociva;
Publicar esta moção em dois jornais de âmbito nacional.
Lisboa, 17 de Fevereiro de 2004.
Pelo Grupo Municipal do PS
António Dias Baptista
Rui Paulo Figueiredo
3/23/2004 10:50:00 da manhã . - . Página inicial . - .



segunda-feira, março 22, 2004
 
Idoso

Construir o futuro em todas as idades

Ser idoso nas sociedades tradicionais significava saber acumulado feito experiência, prestígio adquirido ao longo da vida. Estes valores estão a desaparecer nas sociedades contemporâneas e a importância da velhice desvanece-se.
O corpo, que antes era uma ferramenta de trabalho e reprodução, que era utilizado e se debilitava, para a crente um despojo mortal, o envoltório da alma que importava respeitar com pudor, é hoje objecto de culto. A velhice é desvalorizada, negada, rejeitada e até mascarada. Ninguém quer ser velho.
De igual modo, o culto pela produção e pelo lucro e a competitividade alucinante que caracteriza as sociedades modernas tem dispensado a participação dos elementos mais velhos, reduzindo o seu valor económico, propiciando o seu desprestígio social e marginalizando-os.
É caso para dizer que desperdiçamos os inestimáveis recursos de que dispomos.
Ser idoso, hoje, significa estar mais vulnerável a situações de pobreza e exclusão social. Usufruem de fracos rendimentos, situando-se abaixo do limiar da pobreza. O isolamento social e a perda de laços familiares, dada a quebra das solidariedades primárias da família e a incapacidade desta para os integrar e apoiar, reenvia-os para situações de solidão e exclusão que urge combater.
Por outro lado, as estruturas populacionais das sociedades modernas também se têm vindo a transformar devido ao envelhecimento da população. Estas transformações expressam-se de forma mais intensa no meio urbano, tendo-se o envelhecimento das populações repercutido na organização das dinâmicas locais e comunitárias.
Segundo algumas projecções para 2010, 25% da população de Lisboa será idosa. Se associarmos a este aumento o aumento da precariedade das condições habitacionais e a fragilidade dos equipamentos sociais e serviços de apoio a idosos, verificamos que é importante investir-se em programas de acção que evitem a degradação da qualidade de vida deste grupo populacional e promovam a prestação de serviços de apoio.
É preciso uma nova pedagogia cívica que ensine os mais novos a tratar bem os seus idosos.
O despertar de interesses é importante ao longo da vida, e por isso também na velhice não se deve abdicar dele. Conversar sobre a vida como forma de garantir a continuidade, algo que os nossos antepassados tão bem sabiam fazer, deve ser recuperado, no seio das famílias, dos bairros, com o apoio das autarquias e de centros de convívio para esta faixa etária.
É importante que se criem projectos que permitam a reactivação das redes familiares. Sei que é difícil numa sociedade que promoveu a nuclearização da família, mas é um desafio que temos que enfrentar, podendo retirar ganhos muito positivos na relação avós/netos. Quem melhor que eles dispõe de tempo para os ouvir, promover uma cultura da tolerância e do sonho, da brincadeira construtiva?
Construir o futuro em todas as idades é um dever de cidadania.
Elza Pais (Socióloga)
3/22/2004 12:29:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



domingo, março 21, 2004
 
Agenda





Participarão no Blog:

Feira - Elza Pais
Feira - António Dias Baptista
Feira - Vasco Franco
Feira - Cardoso Reis
Feira - Margarida Magalhães
3/21/2004 09:55:00 da tarde . - . Página inicial . - .



sexta-feira, março 19, 2004
 
Lisboa-Pr. Nacoes

Lisboa, Dia do Pai

Nas montras de muitas lojas da cidade vemos cartazes a lembrar o dia e a sugerir presentes.
E o que oferece a cidade a quem é pai?
Tempo para estar com as suas crianças ou frustração por só as ver de relance?
Equipamentos e serviços de qualidade a preços acessíveis ou respostas de que não há vaga, e, se houver, o custo será incomportável?
Transportes escolares que assegurem as deslocações para casa ou para actividades de tempos livres?
Espaços aprazíveis em todos os bairros onde se pode brincar em segurança?
Passeios sistematicamente livres de automóveis, acessibilidades nos transportes públicos para carrinhos de bebé?
Horários de serviços que reconheçam que as mesmas pessoas têm família e exercem uma profissão e que isso não é um ‘problema delas’ mas uma questão que exige respostas adequadas de organização social?
E o que oferece a cidade a quem é pai já idoso? Bancos nos jardins públicos para jogar às cartas ou a dignidade de cuidados de qualidade a preços acessíveis e sem perda da independência fundamental à autoestima e ao respeito por si?
Lisboa é linda e gostamos muito dela. Mas é uma cidade amiga para os pais?
O cuidado com as pessoas é um valor para a cidade? É uma bandeira para a cidade? Que percentagem do orçamento da cidade é investido no cuidado com as pessoas da cidade?
Qual é a responsabilidade social da cidade face ao cuidado que exigem todas as dependências – as das crianças, as das pessoas que por qualquer motivo não são autónomas?
O que faz a cidade para que os homens pais exerçam o direito à conciliação da actividade profissional com a vida familiar que a Constituição lhes garante?
O que faz a cidade que demonstre o seu respeito pelo valor social eminente da paternidade que a Constituição proclama?
Ou a cidade não tem nada com isso? Ou a cidade entende que isso de cuidar é só tarefa para o Estado e para as mulheres?
Que exemplo dá a cidade capital do país relativamente às pessoas que emprega directa ou indirectamente?
Que influência exerce a cidade capital do país nas empresas que insistem nos ‘recibos verdes’ para a gente nova, impedindo-lhes estabilidade e segurança para pensar responsavelmente em crianças suas, a quem se exige trabalho por longas horas, com total indiferença pelo direito dos jovens homens à vida familiar e pelo direito das jovens mulheres ao trabalho profissional, com total indiferença pelo reforço da segregação da actividade económica em razão do sexo e o efeito negativo dessa visão estreita e rançosa na competitividade, na qualidade de vida, na sustentabilidade do desenvolvimento e na democracia?
Valha-nos a Primavera deste Março e a esperança de que o valor da igualdade que evoca possa iluminar no futuro todos os dias de Lisboa.
Maria do Céu da Cunha Rêgo
3/19/2004 12:00:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



quinta-feira, março 18, 2004
 
Lisboa-Amoreiras

Afirmar Lisboa

Estamos perante um tempo novo no que diz respeito à afirmação de Portugal na Europa e no Mundo.
O alargamento a leste da União Europeia tem todos os ingredientes para potenciar as especificidades negativas da economia portuguesa. É esta a consequência mais grave para Portugal da entrada de dez novos países na União Europeia. Teremos de ser solidários hoje como outros já foram connosco mas temos também de ter presentes as dificuldades com que nos vamos deparar.
Segundo dados apresentados, pela SEDES, Portugal poderá perder até 0,8% do seu Produto Interno Bruto. Os países ganhadores são os produtores de bens e de equipamento, próximos dos países candidatos, como a Alemanha, a Áustria, a Itália, os países do Benelux, a Finlândia e eventualmente a Suécia e a Irlanda. O ganho destes países poderá oscilar entre 0,2% e 0,6% do seu PIB. O Reino Unido e a Dinamarca são países neutros no que se refere ao impacto económico desta entrada. Os perdedores, a par de Portugal, são a Espanha e a Grécia, que poderão ter uma perda entre 0,2% e 0,8% do PIB. Os países da Europa Central e Oriental são necessariamente ganhadores. As estimativas apontam para um intervalo entre 5 e 8% do PIB.
Podendo afirmar-se que Portugal vale hoje no mundo o que valer na Europa e que valerá também pelo modo como souber interligar a sua afirmação e presença na União com as suas ligações atlântistas e aos países de expressão portuguesa chegamos à conclusão que é tempo de, face aos novos desafios, termos uma estratégia, um rumo de afirmação e desenvolvimento.
E Lisboa terá também de ter uma estratégia, um rumo! Lisboa terá de se afirmar no país, na Europa e no Mundo!
Quando o PS assumiu a governação da Cidade de Lisboa esta estava como que paralisada no tempo, rodeada de milhares de barracas e acumulando enormes carências em matéria de saneamento básico, acessibilidades, grandes equipamentos culturais.
Era preciso retomar a iniciativa e iniciar um novo período que permitisse inverter a fase negativa em que a cidade estava mergulhada. E foi na movimentação política e cultural gerada nessa altura que nasceu um programa assente em quatro eixos:
- Recuperar os atrasos herdados do passado, designadamente no que respeita à construção de infra-estruturas de saneamento, acessibilidades e grandes equipamentos urbanos;
- Liquidar essa grande chaga social constituída por 20 000 barracas e bairros clandestinos que enxameavam as zonas periféricas da cidade;
- Fazer de Lisboa uma cidade atractiva para viver e trabalhar, através do reequilíbrio sócio-urbanístico, da protecção e valorização dos recursos ambientais e patrimoniais, do desenvolvimento da acção cultural; e,
- Empreender a modernização da base económica e tecnológica de Lisboa, em ordem a transformá-la, também nesse aspecto, numa grande capital europeia.
Fazendo um balanço, necessariamente breve, da gestão que fizemos podemos concluir que foram atacados com sucesso ou com clara melhoria face ao passado os problemas das acessibilidades, das infra-estruturas de saneamento e higiene urbana, dos equipamentos culturais de iniciativa municipal e da erradicação das barracas. Ao mesmo tempo, deu-se início a uma nova gestão urbanística formulada no Plano Estratégico e no PDM e apostou-se, no último mandato, no incremento do turismo e na qualificação do espaço público nomeadamente das grandes Praças da Cidade.
É no entanto, perceptível que falhámos claramente na modernização da base económica e tecnológica de Lisboa. Se assim não tivesse acontecido não teríamos assumido como objectivo para o mandato 2002/2005 modernizar a base económica e tecnológica de Lisboa.
A Ambelis – Agência para a Modernização da Base Económica de Lisboa passou despercebida ao longo dos anos. Se algo fez foi pouco ou nada apreendido pelos lisboetas. Modernizar a base económica de Lisboa não pode ser apenas criar a Associação de Turismo de Lisboa – passo importante mas ainda incipiente.
É também perceptível que Lisboa perdeu influência no seio do país. Se assim não tivesse acontecido Lisboa não teria perdido habitantes (nomeadamente jovens e classe média – dos sectores mais dinâmicos da população) e não estaria em perda de competitividade e atractividade, na captação de investimento e empresas, para Concelhos vizinhos.
E perdeu também influência no contexto económico da Europa (face a Madrid por exemplo) e mesmo na relação com a União das Cidades e Capitais de Língua Portuguesa – onde pouco apostou.
A Lisboa faltou, nos últimos anos, uma estratégia de desenvolvimento, um planeamento eficaz, um marketing relacional com as pessoas e as empresas. Lisboa, para se afirmar na Europa e no Mundo necessita de se redefinir consigo própria e criar em si as potencialidades que lhe permitam essa afirmação externa.
É preciso, em primeiro lugar, tornar de novo Lisboa atractiva para morar de modo a tornar a Cidade viva, dinâmica e pujante. É preciso por exemplo, fazer descer o preço da habitação nova, incrementar e incentivar a reabilitação urbana para que as pessoas habitem casas mais antigas, ter a coragem de tomar medidas sérias e mesmo impopulares que façam diminuir drasticamente o afluxo de carros a Lisboa, tornem o trânsito mais agradável e potenciem o regresso de habitantes – por exemplo, diferenciar drasticamente os preços do estacionamento entre lisboetas e não lisboetas e condicionar o trânsito de viaturas particulares em várias zonas da Cidade a não residentes na zona e/ou no Concelho.
Ao mesmo tempo, Lisboa deve tornar-se atractiva para as empresas. Esta modernização terá de passar, entre outros aspectos, pela criação de novas centralidades temáticas nas zonas de expansão da cidade. Ou seja: devem ser criadas condições muito favoráveis, nessas zonas de expansão, para a instalação de modernas indústrias de base tecnológica, terciário avançado, centros de ensino e investigação, etc., sobretudo, de pequenas e médias empresas da área das tecnologias da informação e da comunicação, das biotecnologias e em outras áreas de interesse estratégico, como é o caso do turismo e das componentes culturais e ambientais que lhe devem estar associadas.
Essa instalação de empresas deveria ser organizada por grandes temas, o que funcionaria como elemento de marketing e aumentaria a atractividade dessas novas zonas.
Lisboa deveria reforçar o apoio à instalação de novas empresas e à modernização do tecido empresarial tradicional. Para tanto deveria promover a instalação de "ninhos de empresas", a divulgação de oportunidades de investimento, o estabelecimento de redes de negócios com o exterior, em apoio ás pequenas e médias empresas e, muito especialmente, aos jovens empresários.
Atraindo pessoas e empresas, sendo uma Cidade mais agradável do ponto de vista da fruição do espaço público, Lisboa recuperaria uma dinâmica que potenciaria a sua afirmação económica, cultural e mesmo como destino turístico.
Para o efeito, importaria proceder a uma profunda reformulação da Associação de Turismo de Lisboa e da Agência para a Modernização da Base Económica de Lisboa de modo a dinamizar o apoio à modernização das empresas já existentes, a captação de novos parceiros, nacionais e estrangeiros, que invistam em Lisboa e a sua promoção externa enquanto destino turístico.
Uma última aposta, enquanto condição de partida para potenciar Lisboa como Capital de primeiro plano a nível europeu e mundial, deve ser no domínio da integração plena dos estrangeiros que aqui residem. E para além destes daqueles que deles descendem e que têm já nacionalidade portuguesa.
Uma integração plena trará vantagens ao nível da segurança, da coesão social, do desenvolvimento económico e da projecção de Lisboa nas suas terras de origem.
Em suma, um rumo baseado numa aposta nas pessoas e nas empresas parece-me ser o mais adequado para projectar Lisboa. Só reunidas estas condições Lisboa se poderá afirmar.
Rui Paulo Figueiredo
3/18/2004 12:56:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



quarta-feira, março 17, 2004
 
Escadinhas

Mais vale prevenir...

No quadro emocional sob o qual ainda todos vivemos devido aos terríveis atentados de Madrid, e no desempenho de funções autárquicas, tenho reflectido nas últimas semanas sobre o sistema de Protecção Civil, já que, nestas matérias, mais vale prevenir do que remediar e todos nos temos colocado a questão de saber qual seria a capacidade de resposta dos agentes de Protecção Civil se uma situação semelhante ocorresse em Lisboa.
Se é certo que a Protecção Civil é uma actividade desenvolvida pelo Estado e pelos Cidadãos, com a finalidade de prevenir riscos colectivos, inerentes a situações de acidente grave, catástrofe ou calamidade, de origem natural ou tecnológica, se estes eventos chegarem a ocorrer, é missão da Protecção Civil atenuar os seus efeitos e socorrer os feridos.
Ora no que diz respeito aos Serviços Municipais de Protecção Civil, no quadro do Plano Municipal de Emergência, está em curso a implementação de um sistema de Centros de Operações de Emergência nas Freguesias de Lisboa, os COE, com o propósito de criar estruturas locais de prevenção e resposta a catástrofes que orientem e assegurem a ligação aos Serviços Municipais no âmbito da sensibilização das populações e do planeamento das acções em caso de emergência até à chegada dos meios municipais e/ou nacionais.
Nesse sentido, estão a ser montadas estruturas locais de Protecção Civil, assentes num trabalho que irá fazer o levantamento dos meios, recursos e riscos de cada Freguesia com vista à sua sistematização informática e posterior elaboração de documento gizando a resposta da autarquia em caso de calamidade, bem como a formação de voluntários locais que intervenham directamente em caso de catástrofe.
Simplesmente, e é aqui que entra o mas, há sempre um, toda esta estrutura local de emergência foi pensada contando com o voluntariado, ou seja, para além dos executivos das Freguesias, todo o trabalho de levantamento dos riscos, vulnerabilidades e potencialidades e respectiva sistematização informática será feito por munícipes que, vivendo ou trabalhando na circunscrição geográfica, se ofereçam para o efeito, bem como para receber a formação específica em Socorrismo Básico que lhes permita actuar em teatro de emergência.
Se em Freguesias mais pequenas não será difícil sensibilizar e recrutar fregueses para esta importantíssima iniciativa, o mesmo não se pode dizer das Freguesias com milhares de pessoas, pois a ausência de proximidade e de sentido de comunidade leva a que seja complicado recrutar voluntários.
Paralelamente, e não pondo em causa a importância que o voluntariado assume nos dias de hoje, antes pelo contrário, pergunta-se: pode uma estrutura de Protecção Civil, ainda que local e ainda que de apoio ao Plano de Emergência Municipal, depender exclusivamente do voluntariado e dos elementos que compõem os executivos?
Julgo que a prudência aconselha a que não.
Sofia Oliveira Dias
3/17/2004 12:00:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (1)



terça-feira, março 16, 2004
 
Pista Portela

Por uma Lisboa mais competitiva

Lisboa, ao longo das últimas décadas, à semelhança de outras cidades europeias, tem vindo a sofrer um processo de acentuada desindustrialização. Não sendo preocupante, este processo, necessita de ser controlado, direccionado e, na medida do possível, potenciado. Contudo, Lisboa, ao contrário de outras cidades, ainda não conseguiu tirar o melhor partido deste processo.
Com efeito, se existem indústrias que devido ao seu forte impacto ambiental negativo não se devem manter nos aglomerados urbanos, outras há que constituem uma importante mais-valia para a cidade.
A manutenção nos grandes centros urbanos de uma estrutura produtiva, apoiada nas mais modernas tecnologias, afigura-se crucial para a sua competitividade, não só pelo emprego que gera, mas, sobretudo, pelas sinergias que cria com as actividades terciárias (principalmente o terciário superior), proporcionando condições para que estas se desenvolvam de forma sustentada.
Estas empresas desenvolvem-se em estreita ligação com serviços avançados, novas tecnologias da informação, comunicação, investigação e desenvolvimento, atraindo quadros técnicos qualificados, o que constitui, indiscutivelmente, uma importante mais-valia para a cidade.
Lisboa possui um tecido diversificado de pequenas e médias empresas industriais que deve ser apoiado, criando-se condições para a sua modernização, competitividade e internacionalização. Este desafio só pode ser atingido, no entanto, se estas empresas puderem tirar o maior partido das potencialidades oferecidas pela cidade.
Lisboa, enquanto cidade capital, dispõe de todas as condições para proporcionar a estas empresas um ambiente favorável à inovação e desenvolvimento. Primeiro, pelo seu próprio estatuto de cidade capital, que constitui só por si um importante factor de atractividade; depois, porque possui um conjunto de equipamentos e infra-estruturas (aeroporto, porto, universidades, centros de investigação, etc.) que lhe atribuem uma capacidade de atracção acrescida no panorama nacional.
Lisboa possui uma localização privilegiada à escala global, de charneira entre a Europa, a África e a América, que tem de saber potenciar como ponto de encontro, verdadeira plataforma de troca de conhecimento e informação.
O sector do papel e artes gráficas constitui um bom exemplo de uma área de actividade que, embora já registe um dinamismo considerável, necessita de condições e incentivos para que o conjunto de actividades que lhe estão subjacentes (escrita, livro, imagem, informação, comunicação, etc.) possam integrar-se, em regime de complementaridade, com um dos sectores da nossa economia em maior desenvolvimento: o turismo de negócios e cultural (feiras, salões, conferências, etc.).
A sustentabilidade de uma cidade não se joga apenas na esfera ambiental (edificado e componentes do meio físico), joga-se, também, no plano económico e produtivo. Uma cidade que não se apoie numa estratégia de desenvolvimento com este pilar corre o risco de entrar em declínio. Ignorar a estrutura produtiva da cidade significa afastarmo-nos, de forma perigosa, dos trilhos da sustentabilidade económica.
O Plano Director Municipal, enquanto tradução espacial da estratégia de desenvolvimento da cidade, tem de integrar uma dimensão produtiva, equilibrada e sustentável, não podendo, consequentemente, limitar-se a definir regras para a produção de espaço para habitação e escritórios.
Efectivamente, a esfera produtiva da cidade não se limita apenas ao sector do imobiliário e serviços, pelo que se afigura essencial que a estratégia de desenvolvimento a incrementar não só proporcione espaços com outro tipo de características, de forma a facilitar a fixação de empresas e actividades diversas, mas também se apoie na concretização de medidas tendentes à atracção de empresas, num ambiente de saudável coexistência entre as diferentes funções da cidade.
Estas actividades, embora compatíveis com o meio urbano, não se devem misturar de forma aleatória e desordenada com outras funções (como seja o caso da habitação), sob pena de se originar uma promiscuidade funcional potencialmente geradora de entropia, de que resultam óbvios reflexos ao nível da qualidade de vida dos cidadãos.
Ignorar esta dimensão da cidade apenas contribui para a tornar cada vez mais estéril, menos competitiva, conduzindo, a prazo, ao declínio.
Pedro Costa
3/16/2004 12:29:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



segunda-feira, março 15, 2004
 
Torres Alcantara

A polémica das torres:
fundamentalismos, não


Depois da polémica sobre as torres de Siza em Alcântara, o projecto de Norman Foster para Santos promete ampliar a discussão. Basicamente, a questão que se põe é a seguinte: as actuais regras do PDM sobre construção de edifícios em altura, para além dos limites estabelecidos, devem ser intransigentemente preservadas ou, pelo contrário, seria recomendável introduzir critérios mais maleáveis e “inteligentes” na definição dos chamados planos de pormenor? As torres de Siza e a torre de Foster constituem, em definitivo, agressões à harmonia paisagística de Lisboa ou, pelo contrário, são desafios imaginativos e estimulantes a um conceito mais aberto e fluente de intervenção nessa paisagem – e a uma nova visão estratégica da nossa cidade?
Não tenho certezas definitivas, mas, ao contrário de algumas opiniões de teor fundamentalista, não me chocam as torres de Siza nem a torre de Foster (pelo que delas conheço através dos desenhos e maquetes que a imprensa divulgou). Parece-me que em ambos os casos se estabelecem, à partida, “diálogos” e contrapontos visuais enriquecedores com o rio e a ponte 25 de Abril (designadamente no caso das torres de Siza) e que o carácter iconográfico e a beleza “escultórica” das construções propostas valorizam de forma notória a paisagem envolvente. Incomparavelmente mais agressivas seriam construções em bloco, formando barreiras maciças, sem transparência e sem circulação visual entre a cidade e o rio.
Em todo o caso, a construção em altura não pode ser encarada a partir de um dogma absoluto. A qualidade, a originalidade e a especificidade dos projectos, dentro do enquadramento urbano e visual onde se inserem, devem ser ponderadas segundo um cuidadoso regime de excepção. E falo de regime de excepção porque acho que as regras existentes para a construção em altura só deveriam ser “violadas”... excepcionalmente. Ou seja, que não funcionassem como álibis para a criação de precedentes e factos consumados propícios à desordem urbanística e a uma especulação imobiliária desenfreada.
Muito mais do que o fantasma das torres, o que me preocupa é a mediocridade aflitiva e generalizada de certa “nova” arquitectura que vem invadindo Lisboa, em especial os mamarrachos ditos neo-clássicos ou pseudo-pós-modernos que encontramos, por exemplo, nas Avenidas Novas ou na 5 de Outubro (para não falar de algumas heranças inqualificáveis de nível suburbano que a era Abecasis deixou na Avenida da Liberdade). E que se tem feito para evitar isso? A câmara parece impotente e enredada nas malhas de uma burocracia asfixiante, onde o critério das aprovações não obedece a nenhuma norma estética coerente. Então aprovam-se horrores porque a câmara não pode funcionar como “árbitro do gosto” e reserva-se essa arbitragem a meras questões de altura dos edifícios? Será que isso faz sentido?
A constituição de uma espécie de “gabinete de sábios” – integrando arquitectos, urbanistas, artistas e intelectuais de inquestionável reputação – que funcionasse como uma instância consultiva de apreciação dos projectos mais polémicos poderia contribuir para desbloquear uma situação que ameaça desencorajar os melhores gestos de ousadia e renovação da imagem de Lisboa. A verdade é que uma atitude de conservadorismo rígido, ortodoxo e esterilizante tende a encerrar Lisboa numa redoma inviolável que fecha a cidade aos projectos mais inovadores.
Não se trata de preconizar a submissão a qualquer tendência superficial da moda ou à notoriedade internacional dos nomes dos arquitectos. Trata-se, apenas, de separar o trigo do joio, de não temer o futuro e ter uma visão estratégica aberta, esclarecida, dinâmica e cosmopolita de uma metrópole atlântica como é a nossa cidade. Veja-se, por exemplo, o caso de Barcelona e aprenda-se com isso. Fundamentalismos, definitivamente, não.
Vicente Jorge Silva
3/15/2004 10:00:00 da manhã . - . Página inicial . - .




 
Agenda





Participarão no Blog:

Feira - Vicente Jorge Silva
Feira - Pedro Costa
Feira - Sofia Oliveira Dias
Feira - Rui Paulo Figueiredo
Feira - Maria Cunha Rego
3/15/2004 09:55:00 da manhã . - . Página inicial . - .



sexta-feira, março 12, 2004
 
Espanha Luto

Lisboa, cidade aberta

No dia 11 de Março fomos confrontados com mais uma barbária. Em Madrid, um selvagem atentado terrorista, cobarde como todos o são, ceifou a vida a cerca de duzentas pessoas e feriu mais de mil.
Quem viu pela televisão as imagens subsequentes não pôde deixar de se emocionar. Eu emocionei-me e senti raiva. Raiva contra a intolerância, o ódio e o fanatismo, venha ele de onde vier.
Como cidadão de Lisboa senti, e sinto a partir de agora, também receio por nós Lisboetas, por nós cidadãos Europeus. A partir deste 11 de Março ninguém se pode sentir totalmente tranquilo.
Mas se constatamos esta realidade, se com ela vamos ter de conviver, a verdade é que não podemos ceder, nem ao medo, nem podemos ceder nos nossos princípios e consciência.
Estou de acordo que o combate ao terrorismo obriga a uma maior cooperação entre estados e respectivas polícias. Reconheço que as grandes metrópoles têm de investir mais em mecanismos de vigilância, nomeadamente electrónica, e nos locais de grande concentração de pessoas, acho até que em Lisboa o governo e a Câmara Municipal têm revelado uma grande incúria neste aspecto, sem Plano Nacional de Segurança e também sem Plano Municipal de Segurança para o Euro2004, mas se tal reconheço é imperioso que Lisboa continue a ser, e seja cada vez mais, uma Cidade Aberta.
Cidade Aberta a todos os cidadãos do mundo de todas as raças e religiões, cidade fraterna e acolhedora de todas as vítimas de perseguições e manifestações de intolerância, cidade aberta e acolhedora para todos aqueles que aqui vêm procurar a oportunidade que nunca tiveram no seu país de origem.
O terror nunca será vencido se abdicarmos das nossas liberdades, do nosso modo de vida e se fecharmo-nos sobre nós próprios. Não se combate os inimigos da democracia e da humanidade com menos democracia e fraternidade. Uma coisa é a defesa da própria democracia, que tem de ser firme, exigente e vigilante, mas respeitadora dos direitos dos cidadãos, outra coisa é a de abdicarmos de sermos homens e mulheres livres e fraternos.
Aproveitemos o Euro 2004 para mostrarmos aos povos que nos visitarão a nossa fraternidade, a nossa cultura e costumes, a nossa alegria. Aproveitemos para mostrar aos artífices do terror que não nos amedrontamos, que respeitamos todas as religiões e costumes diferentes dos nossos, que gostamos de conviver com outras culturas. Saibamos receber e dar, mostrando a todos o que Lisboa é e sempre foi: Uma Cidade Aberta, Cosmopolita, Tolerante e Fraterna.
É a melhor homenagem que poderemos prestar a uma outra cidade aberta e fraterna: Madrid.
Miguel Coelho
Lisboa, 12 de Março de 2004
3/12/2004 07:46:00 da tarde . - . Página inicial . - . Comentários (0)




 
Picasso
Ainda a propósito do 8 de Março

Há cerca de 3 anos, a quando da comemoração dos 50 anos da Declaração Universal dos Direitos humanos, esse texto revolucionário que, por isso mesmo, teve um parto difícil, com votações quase palavra a palavra, a Assembleia da República resolveu comemorar o facto. E bem.
Para além de uma sessão solene, decidiu-se fazer a edição de um livro, com textos de Deputados sobre cada um dos artigos da Convenção Universal e uma exposição de cartazes/fotografias ilustrando também cada um dos artigos da Convenção.
Pois surpreendentemente (ou não) o livro foi elaborado a partir de textos de Deputados, com uma excepção – um texto da então Deputada Manuela Ferreira Leite. Por um lado, na exposição, os cartazes simbolizando os mesmos artigos da Convenção, eram ilustrados com rostos de mulheres. Todos.
Isto é, aquilo que é universal, aquilo que é solene, aquilo que fica para a posteridade, a palavra escrita, foi feita por homens. Os símbolos da fome, do sofrimento, da discriminação eram ilustrados com rostos de mulheres. Todos.
De alguma forma são essas as representações que desde sempre os géneros tiveram na história da humanidade – simbolicamente o masculino como o universal, o solene, e o feminino como particular, específico e concreto.
A universalidade do masculino está inscrita na própria noção de cidadania, tal como ela se desenvolveu a partir do século XIX. Associa-se o conceito de cidadania a espaço público ao mesmo tempo que se dá o esvaziamento do espaço privado como espaço político. Esta questão conduziu à fraca representatividade das mulheres nos lugares de decisão que ainda hoje tem.
Essa universalidade atravessa a organização social, política, a divisão de trabalho, tornando-se uma dimensão importante para perceber porque é de facto estas coisas mudam tão pouco, embora as pessoas também sintam que tem havido mudanças.
Por exemplo, nos hábitos masculinos começou desde algum tempo a aparecer uma preocupação com a imagem e com o corpo que dantes não existia. E começa a surgir também uma dimensão afectiva, anteriormente rejeitada de uma forma liminar.
Nas últimas décadas houve muitas mudanças do ponto de vista legislativo, porque tem sido entendido ser este o meio mais eficaz para garantir direitos iguais entre os sexos.
Contudo, apesar da importância dessas medidas, facilmente se chega à conclusão que as desigualdades ligadas ao género relevam do sistema no seu conjunto, exigindo-se soluções de ordem sistémica e uma estratégia de mainstreaming para a igualdade de oportunidades.
Tem havido mudanças, de facto, mas tudo foi conquistado a pulso, pela luta de milhares de mulheres mas também de homens democratas que estiveram sempre ao lado das mulheres e do lado do futuro.
Com o 25 de Abril as mulheres puderam votar pela 1ª vez em igualdade com os homens, tiveram acesso à magistratura e à diplomacia, foram estabelecidas regras de igualdade de remuneração para funções iguais, de promoção no emprego, foram criadas valências de planeamento familiar nas instituições de saúde, institucionalizou-se a então chamada Comissão da Condição Feminina, a educação e muitas áreas laborais passaram a ser conjugadas no feminino.
As mulheres passaram também a ter direito a sair do País a ter acesso a cargos políticos, a ter direito a ter voz, etc. etc.
É evidente que há retrocessos, como está a acontecer neste momento com o Governo PSD/PP, mas os democratas, homens e mulheres estão convocados para a luta pela cidadania, contra todas as cortinas de silêncios, cumplicidades, intolerâncias, obscurantismo e, é por isso, que o 8 de Março precisa ainda de ser comemorado.
Celeste Correia
3/12/2004 05:53:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



quinta-feira, março 11, 2004
 
Manuela Jardim

A Mulher e as Cidades

Faz todo o sentido, a propósito do Dia Internacional da Mulher ocorrido esta semana, discorrer sobre a forma como as Cidades se têm organizado e crescido, tendo em atenção todos quantos nelas habitam ou, pelo contrário, se têm servido apenas alguns.
Durante muitos e muitos séculos, os correspondentes ao domínio do espaço das decisões políticas pelo género masculino, as cidades foram concebidas e organizadas de forma a exprimirem essas mesmas relações de poder.
Daí a importância nas políticas de urbanismo da monumentalidade comemorativa dos grandes feitos militares ou das grandes conquistas e do traço da cidade como tradução da vocação de poder de quem a governava.
Estando à mulher reservado o espaço doméstico aí, e apenas aí, se exprimia a sua criatividade e o seu poder de intervenção. O usufruto que fazia da cidade, enquanto espaço proporcionador de serviços ou de oportunidades de cultura e lazer, estava intrinsecamente ligado à sua condição social.
O crescimento da participação das mulheres no mercado de trabalho veio alterar profundamente o paradigma da distribuição das esferas e das tarefas, mas nem por isso se alterou a forma de conceber as cidades nem a forma como elas se prepararam para responder a novas formas e estilos de vida.
Basta pensar na importância, atribuída ou não, ao transporte público, à localização dos equipamentos colectivos, ao arranjo dos espaços verdes, aos horários dos estabelecimentos, ao estado de conservação dos passeios e das ruas, à adaptação destes às dificuldades de mobilidade, enfim um sem número de preocupações que não estão directamente ligadas ao exercício do poder na sua expressão tradicional, mas antes à qualidade de vida de todos e de cada um de nós, porventura mais apelativo para o sentido do útil que é mais fácil encontrar nas preocupações das mulheres, mesmo quando no exercício do poder político.
Reconhecido que está hoje o pleno direito das mulheres à participação em todas as esferas da vida, faz todo o sentido não só o aumento da sua participação nos órgãos do poder autárquico como a sua auscultação e contributo activo na formulação das suas políticas.
Em Lisboa este é, porventura, um momento privilegiado para o permitir. Ganharíamos todos em crescimento democrático, em aproveitamento das capacidades de todos, em desenvolvimento da participação como forma mais responsável de exercício da cidadania e no estreitamento da relação entre eleitos e eleitores.
Vamos a Isso?
Maria de Belém Roseira
3/11/2004 01:42:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



quarta-feira, março 10, 2004
 
Pintura Lisboa

Uma cidade com visão ou um presidente com visões

1. Realiza-se esta semana em Cannes mais uma edição do MIPIM, exposição promovida pelo Mercado Internacional de Profissionais do Imobiliário. Os jornais portugueses noticiaram a presença da Câmara Municipal de Lisboa no certame, com o objectivo de aí apresentar a capital do país como uma “cidade com visão”. É uma boa ideia e deve ser apoiada. A notícia acrescentava que Lisboa “potencia projectos para zonas estruturantes como Alcântara ou o Parque Mayer”. Não sei de que projectos se fala no “stand” de Lisboa o MIPIM. Não há dúvida de que as zonas referidas são realmente estruturantes da nossa cidade. Mas, que se saiba, não só não há projectos já aprovados para essa zonas, como os Planos de Pormenor correspondentes, da responsabilidade do município, também não estão aprovados. Não acredito que Santana Lopes esteja a usar os prestigiados nomes de Siza Vieira e Frank Gehry, autores de estudos para as zonas em causa, sem que tais estudos tenham sido sequer aprovados. É que se for esse o caso, não estamos perante um cidade com visão, mas sim perante um presidente com visões.
2. O Convento de Arroios, notável exemplar de edifício jesuíta classificado como imóvel de interesse municipal em Lisboa, está a ser alvo de um projecto de remodelação que irá alterar profundamente o edifício hoje existente. Tanto quanto sei, o autor do projecto é o arquitecto Miguel Correia. Nada a opor, a não ser o facto de ser este o mesmo arquitecto que a CML contratou para orientar a proposta de alteração do PDM em vigor. Ou seja, uma mesma pessoa define as novas regras do jogo e entra nele, aproveitando a informação privilegiada que tem.
Santana Lopes candidatou-se com a promessa de tornar completamente transparentes os procedimentos de aprovação e licenciamento na CML. Admitir projectos de profissionais com informação privilegiada é exactamente o oposto do prometido. No mercado de valores mobiliários, lidar com “insider trading” é crime. No mercado de valores imobiliários, ainda por cima pela mão da própria Câmara, pelos vistos, ainda não é.
3. O Parque de Monsanto está na iminência de ser tomado pelo frenesim festivo de Santana Lopes. A anunciada transferência da Feira Popular, contra a opinião dos próprios feirantes e de muitos cidadãos, para esse local, é um disparate pegado. De nada valem as promessas de que não serão abatidas árvores. Há usos que são incompatíveis num mesmo espaço, como qualquer pessoa de bom senso pode perceber. A defesa da qualidade ambiental de toda a cidade depende da manutenção e salvaguarda do Parque de Monsanto, já desfalcado por outros usos indesejados. Haverá outros sítios para colocar a Feira. O que não se pode é deixar destruir Monsanto em nome de uma concepção populista, errática e irresponsável de gestão dos nossos melhores recursos.
Helena Roseta
3/10/2004 01:47:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



terça-feira, março 09, 2004
 
Manuela Jardim

Há coisas que nunca mudam, Dr. Santana Lopes...

Os meios de comunicação social e sobretudo a televisão possuem hoje na sociedade da comunicação um efectivo poder de influência na formação de paradigmas de convicções e de comportamentos individuais e sociais. A este fenómeno não estão alheios os políticos, em especial Pedro Santana Lopes que faz política com base neste estatuto dos media de elemento indissociável do próprio sistema político e permanentemente os utiliza como o palco da gestão autárquica e de divulgação das opções para Lisboa. Num contexto de fusão dos meios de comunciação social e onde a sobrevivência de uns em relação a outros é ditada por estratégias de concorrência ferozes onde se valoriza a informação exclusiva, sensacionalista e populista, Pedro Santana Lopes especializou-se em produzir este tipo de comunicação e alimentar os media no contexto desta relação. É esta a sua verdadeira habilidade. O actual Presidente da Câmara de Lisboa tem vindo a transformar a política autárquica numa política meramente informacional que se joga no espaço dos media, procurando apoio para soluções e princípios que defende, muitas vezes sem qualquer conteúdo e estrutura. A presença nos media tem vindo a substituir o debate político sério e a estratégia para a cidade. A estratégia para Lisboa hoje é a estratégia que melhor serve o palco mediático.
Acredito, porém, que as questões que ditam a manutenção ou a eleição de um Presidente de Câmara continuarão a ser questões de ordem ideológica e terão mais a ver com a capacidade de um candidato personalizar um lado humano e de ser, no fundo, uma pessoa que nos inspire confiança; acredito que as coisas verdadeiramente importantes ainda se sobrepõem a esse lado fútil de olharmos para as pessoas. O melhor Presidente de Câmara só pode ser aquele que dá resposta às novas realidades sociais e às necessidades dos seus eleitores e não o que aparece mais vezes nos media. A política autárquica precisa de homens e mulheres iluminados, com mais conteúdo, mais sensíveis, menos sedutores, que lancem o debate intelectual de qualidade, que liderem as transformações sociais, que apresentem propostas concretas em que os eleitores se revejam. Há coisas que nunca mudam, Dr. Santana Lopes....
Ângela Morgado
3/09/2004 07:54:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



segunda-feira, março 08, 2004
 
Picasso

A propósito do dia 8 de Março

Nas comemorações dos dias internacionais é normal fazerem-se discursos que são mais ou menos de circunstância. No entanto, penso que esses dias devem servir sobretudo para fazermos balanços. Balanços do que já foi conseguido e do que há para conseguir.
A propósito do dia 8 de Março, e pensando que este ano também comemoramos os 30 anos de Abril, acho que devemos assumir uma postura de orgulho. A nossa sociedade, a participação das mulheres em todas as esferas da nossa sociedade evoluiu imenso.
Aparentemente até podemos ser tentados a pensar que não há mais nada para fazer em matéria de igualdade das mulheres e dos homens. Olhamos à nossa volta e vemos as mulheres em todo o lado, nas mais variadas profissões como o jornalismo, o ensino, a saúde, as engenharias. E por outro lado, temos um quadro legal bastante completo, que alguns consideram dos mais avançados, quando comparado com os quadros legais de outros Estados-membros da União Europeia. Por outro lado, as jovens universitárias constituem a maioria das comunidades académicas, acabam os cursos mais depressa, com melhores notas.
Os números em si são sem dúvida animadores, mas precisam de ser analisados qualitativamente. Vejamos alguns. As mulheres estão em grande número no mercado de trabalho (72%), mas são também a maior parte do trabalho precário e mal remunerado. Por outro lado, a probabilidade das mulheres perderem o emprego é duas vezes mais do que a dos homens, e a divergência salarial de trabalho igual é cerca de 30%. As mulheres trabalham em média mais duas horas por dia, porque para além das infra-estruturas de apoio à família serem insuficientes, a partilha das tarefas domésticas não acontece e as mulheres acumulam as tarefas profissionais com as familiares. E se formos analisar os números do desemprego também nos podemos questionar sobre quem é mais atingido por este flagelo? As mulheres claro! No desemprego de longa duração, desemprego jovem, mais ou menos qualificado são as mulheres o maior número de desempregados
Também podemos ou somos tentados a dizer que isto só se verifica nas gerações mais velhas, e que o futuro não trará estes problemas.
Pois é, mas se as jovens universitárias são o maior número de universitários, têm melhores notas, acabam os cursos mais depressa, também é verdade que demoram em média mais um ano que os jovens rapazes para arranjar emprego. Ainda de acordo com um estudo recente sobre as relações interpessoais dos jovens em Portugal verificou-se que a violência dos rapazes com as raparigas é francamente preocupante.
30 anos depois de Abril a nossa sociedade conseguiu promover muito aspecto da igualdade das mulheres e dos homens. O que falta agora, e perante os números que invoquei, é concretizar uma organização social mais democrática. As mulheres e os homens são duas partes da humanidade e a sociedade deve organizar-se de forma a poder contar de igual forma com eles e com elas.
A questão não é a de opormos as vítimas aos dos opressores.
Não! Temos é que fazer o bom diagnóstico do impacto das leis, medidas para depois encontrarmos as melhores respostas. E o impacto não é igual para os homens e para as mulheres.
O papel das autarquias é crucial na promoção da igualdade das mulheres e dos homens. As autarquias, porque são o vector de poder mais próximo dos cidadãos e das cidadãs, podem ser decisivas na concretização da igualdade das mulheres e dos homens no quotidiano.
O Espaço Mulher e toda a actividade que a CMG tem desenvolvido é um exemplo de como se pode e deve agir, até porque são poucas, muito poucas mesmo, as câmaras municipais que dão relevo a esta área.
Se a igualdade das mulheres e dos homens é importante, nos dias de hoje é mesmo urgente dar-se prioridade política a esta área.
Com a crise e a subida do desemprego, com o Código de Trabalho que refere a ideia de que a maternidade é coisa exclusiva das mulheres e que os homens são o principal sustento da casa, com a Lei de Bases da Família a ser discutida no Parlamento que promove a ideia de que a família é um corpo apagando a defesa dos direitos individuais dos seus membros, com o desinvestimento nas infra-estruturas de apoio à família, temos todas as razões para estarmos preocupados e muito atentos aos perigos de um retrocesso.
Quem é que beneficia com a realização pessoal, profissional, familiar das mulheres e dos homens? Somos todos nós! É a sociedade
A responsabilidade da promoção de igualdade das mulheres e dos homens é por isso de todos nós, sendo que o PS assumiu esta questão como eixo principal da sua acção. É nessa convicção de que não há desenvolvimento sem promoção da igualdade das mulheres e dos homens, e os objectivos de desenvolvimento para o Milénio da ONU assim o provam. Ainda acerca de quinze dias o Presidente da Comissão Europeia deu uma conferência de imprensa onde dizia que as desigualdades das mulheres e dos homens estão a comprometer o desenvolvimento e a produtividade da União Europeia.
Numa altura de crise, as mulheres têm sido o rosto do inconformismo. Estas mulheres merecem por isso enorme respeito e somos nós, responsáveis políticos, os primeiros a ter que assumir a nossa responsabilidade. O PS assume as suas como sempre o fez no passado passado. A bem do desenvolvimento equilibrado e promotor da qualidade de vida na nossa sociedade.
Sónia Fertuzinhos
3/08/2004 07:08:00 da tarde . - . Página inicial . - . Comentários (0)




 
Dia Internacional da Mulher
Semana da Mulher
O Blog do Fórum entendeu comemorar a presente semana com o mote do dia que a inicia, centrando os textos na visão das mulheres na cidade.
O texto de hoje, da autoria de Sónia Fertuzinhos, Presidente do Departamento Nacional das Mulheres do PS, ainda não está em condições de ser publicado devido a problemas técnicos das telecomunicações.
Para os próximos dias contamos editar textos de Ângela Morgado, Helena Roseta, Maria de Belém Roseira e Celeste Correia.
3/08/2004 04:29:00 da tarde . - . Página inicial . - . Comentários (0)



domingo, março 07, 2004
 
Forum Cidade




Balanços

Com arranque na última semana de Setembro de 2003 o Blog do Forum Cidade já registou até à data:
Unique visitors - 11.600
Page Views - 15.600
Textos publicados - 81
Comentários - 517
Participaram com textos:
Acácio Pires, Ana Bordalo, Ana Paula Vitorino, Ana Sara de Brito, Ângela Morgado, Aníbal José Lamy, António Brotas, António Dias Baptista, António Mega Ferreira, António Rebelo de Sousa, Arnaldo João, Carlos Correia, Carlos Manuel Castro, Celeste Correia, Clara Mendes, Dietter Dellinger, Duarte Cordeiro, Eduardo Prado Coelho, Elisa Ferreira, Elza Pais, Eurico Brilhante Dias, Fátima Dias, Fernando Curto, Filipe Santos Costa, Francisco Cardoso dos Reis, Guilherme d'Oliveira Martins, Helena Roseta, Hugo Mateus Gaspar, Isabel Colaço, J. Anselmo Rodrigues, José Magalhães, José Pedro Rodrigues, José Rosa do Egipto, Leonor Coutinho, Luís Filipe Coelho, Luís Novaes Tito, Manuel Alçada, Manuel Brito, Manuel Portugal Lage, Manuel Valente Alves, Margarida Magalhães, Maria de Belém Roseira, Maria Calado, Maria do Céu Cunha Rego, Miguel Coelho, Natalina de Moura, Paulo Machado, Paulo Noguês, Paulo Prazeres Pais, Pedro Costa, Pedro Tenreiro Biscaia, Rui Paulo Figueiredo, Sofia Oliveira Dias, Vasco Franco e Vicente Jorge Silva.
3/07/2004 04:21:00 da manhã . - . Página inicial . - .



sexta-feira, março 05, 2004
 
Vista Aerea

O Desporto em Lisboa:
Por uma cidade activa e solidária


Hoje em dia, num mundo em constante mutação, quando se estuda e discute um conjunto de problemas relativos ao planeamento urbano é fundamental fazer-se uma referência ao entretenimento e à qualidade de vida dos cidadãos.
Neste sentido, é impensável uma abordagem a estas temáticas sem uma alusão às actividades físicas e desportivas, considerando que elas estão fortemente presentes em ambos os conceitos.
O Desporto é, actualmente, um fenómeno social total. Ele interage com a vida política, económica e sociocultural e a sua gestão tornou-se progressivamente complexa e os seus instrumentos diversificaram-se e multiplicaram-se.
As práticas desportivas são unanimemente reconhecidas como sendo fundamentais no desenvolvimento pessoal e social, na saúde, na educação, na cultura ou no turismo. O desporto é, assim, um poderoso instrumento de desenvolvimento local e de cidadania.
Todavia, a discussão dos problemas ligados ao desporto não pode ficar circunscrita à como é usual questão dos espaços e dos equipamentos (existentes e/ou potenciais) e à realização de eventos (de maior ou menor dimensão). Devemos, urgentemente, ir mais fundo no estudo e na reflexão sobre estas matérias, visando prioritariamente a definição de um modelo para o desporto em Lisboa, que se ajuste às necessidades e motivações dos seus habitantes.
Considero, aliás, que este aspecto tem sido, de há muito, o problema central do insuficiente desenvolvimento desportivo de Lisboa. Nem sempre foi claro que houvesse uma visão e um pensamento estratégico sobre este assunto, tal a opção sistemática por fórmulas algo esgotadas como a prioridade ao apoio financeiro às colectividades, muitas das quais com pouca actividade regular ou capacidade organizativa, em detrimento, por exemplo, da construção de infra-estruturas destinadas ao desporto e à recreação ou ao aumento das competências, dos recursos e dos instrumentos de gestão das Juntas de Freguesia.
É necessário, em suma, uma sólida Política Municipal de Desporto. Isto é, precisamos de um verdadeiro Plano Estratégico de Desenvolvimento que incorpore, por um lado, as preocupações do movimento associativo desportivo mas que, por outro lado, tenha em consideração que num município como o lisboeta, com uma grande dimensão em termos de espaço edificado e uma enorme complexidade de problemas, deve haver uma desconcentração de responsabilidades e tarefas e que as Juntas de Freguesia devem assumir um claro reforço do seu papel neste campo, como uma via adequada para que o desporto em Lisboa seja mais eficaz e tenha uma melhor integração.
Curiosamente, o que se passa com o actual executivo camarário é bem o contrário do que deve ser uma política coerente, integrada e participada em matéria desportiva. As sucessivas alterações de responsáveis políticos, a destruição dos serviços, a anulação de muitas actividades, o desconhecimento público de qualquer orientação programática sobre o desporto municipal, são uma clara demonstração também aqui que há nos responsáveis camarários uma completa ausência de ideias sobre o que deve ser o presente e o futuro do desporto em Lisboa. É contra este navegar ao sabor do vento que devemos reagir e mobilizar os autarcas, o movimento desportivo e os cidadãos, de um modo geral.
Manuel Brito
3/05/2004 05:12:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



quinta-feira, março 04, 2004
 
Lisboa-Elevador Santa Justa

LISBOA – A cidade das e para as PESSOAS

Lisboa com toda a sua beleza, clima ameno e a claridade que a caracteriza, tem de ser a cidade das e para as pessoas. Assim deveria ser e, sempre que há eleições autárquicas, todos os que concorrem falam da cidade das pessoas. Pouco tempo depois, esquecem-se das pessoas e, o que importa, é o betão e o automóvel a tomar conta da cidade não deixando espaço para quem nela habita, a vem fruir ou nela trabalha.
A cidade está a transformar-se num espaço pouco afectivo e onde a felicidade não se encontra.
A cidade está a transformar-se num espaço de grande agressividade e, por vezes mesmo, violento onde se olha sem se ver, onde passam pessoas com pressa, sem parar para observar a própria cidade. Cada um vai para o seu trabalho, local de habitação ou de lazer sem ver o que se passa à sua volta. Dá a sensação que ninguém quer olhar para ver, ou seja, para não ter de se perturbar com o que vê.
Temos portanto uma cidade pouco saudável, pouco acolhedora e muito menos feliz.
Acontece que os carros ocuparam passeios, passadeiras, parte dos arruamentos e constantemente, quem circula a pé, é perturbado e sofre a violência de ter de caminhar pelo arruamento submetendo-se ao perigo de ser atropelado(a), de ouvir impropérios por parte dos condutores com linguagem desbragada e, por outro lado, tem dificuldade em caminhar quando utiliza o passeio pois os dejectos cães são outra praga em Lisboa.
Quanto aos carros onde está a PSP? Não é à PSP que compete regular o trânsito? Circula-se por Lisboa de Olivais a Carnide, Benfica, Campolide e Príncipe Real sem avistarmos um Polícia. Onde estão? Será que já estão junto dos Estádios por causa do “EURO 2004”?
Quanto à limpeza, é à Câmara Municipal que compete manter a cidade limpa, com a colaboração dos cidadãos que devem preservar a sua cidade.
É urgente que a CML perceba que é responsável pela Qualidade de Vida dos que residem ou procuram a cidade para trabalhar.
Para isso é necessário que actuem no sentido de proporcionar segurança, limpeza da cidade, arranjo de jardins, espaços verdes, regulação do trânsito, espaços colectivos aprazíveis para que as PESSOAS vivam a cidade.
É necessário que a cidade não exclua os cidadãos e, o fenómeno dos sem-abrigo, é com toda a certeza a faceta mais expressiva do processo de exclusão social da cidade contemporânea.
A mesma cidade, que é um espaço de referência do exercício de cidadania, de uma urbanidade renovada é, ontem como hoje, feita de contrastes e debilidades que são difíceis de vencer.
Este é um grande desafio para quem tem a responsabilidade da gestão da cidade, face ao qual as respostas têm de ser encontradas em diálogo com as instituições da sociedade civil, pois não há soluções definitivas, nem uma só resposta.
Esta problemática da exclusão social deve ser prioritária, pois há um aumento de pobreza e, com o desemprego a aumentar, torna-se imprescindível que se olhe para estes nossos concidadãos.
A cidade é feita de todos estes contrastes e debilidades que têm de ser resolvidos.
Lisboa tem de voltar a ser olhada com sentido social e cultural.
Ana Sara Brito
3/04/2004 02:22:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



quarta-feira, março 03, 2004
 
Adamastor




Converte-se-me a carne em terra dura,
Em penedos os ossos se fizeram,
Estes membros que vês e esta figura
Por estas longas águas se estenderam;
Enfim, minha grandíssima estatura
Neste remoto cabo converteram
Os Deuses, e por mais dobradas mágoas,
Me anda Tétis cercando destas águas.

Lusíadas Canto V (59)


Em cada passo no bairro, um buraco, uma obra eterna, um obstáculo, um dejecto.
Em cada passo na cidade, uma promessa por cumprir e a demagogia no cartaz.
Em cada passo na metrópole, uma esperança perdida.
Lisboa tem o passo de quem nunca o acertará com os lisboetas.


Com o Cabo das Tormentas dobrado, teremos de relançar os nossos projectos de solidariedade com os jovens e os idosos, recentrar a política no bem estar, recolocar a vida na cidade, reincentivar a diversidade das culturas, retornar o Tejo aos costumes, libertar Monsanto da Roda Gigante, reacertar as acessibilidades, reinventar o enquadramento social, garantir a circulação, repor o passeio seguro nos hábitos das gentes de Lisboa.
Quando a Adamastor ficar para trás, há que de novo relançar a animação, a cidade feliz, o progresso e a paixão.
Quando a megalomania do desfile das elites passar, há que olhar o orçamento com realidade e incentivar os projectos de harmonia que os nossos jovens arquitectos têm para transformar os espaços de papel enquadrados pelos focos e flashs, em espaços de vida.
Tudo isto é tarefa para o Fórum que a Cidade exige no despiste dos factores críticos, na busca de soluções, no esforço do planeamento, na convergência de saberes, na inventiva e inovação, na construção do programa, no assumir dos compromissos perante os cidadãos de Lisboa.
E a fecundidade de Thetis fará escoar no rio as mágoas deste tempo sem tempo sem temperança, sem qualidade e sem esperança.
Luís Novaes Tito
3/03/2004 12:45:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



terça-feira, março 02, 2004
 
Atenção
Devido a problemas com o nosso e-mail, a Telepac alterou o seu visual e não só, estamos, por enquanto, sem acesso ao nosso marco do correio. Por isso, não nos é possível, de momento, colocar o texto de Fernando Curto, como está agendado.
FC
3/02/2004 09:04:00 da manhã . - . Página inicial . - .



segunda-feira, março 01, 2004
 
Limoeiro

Um amor chamado Tejo

A cidade sempre teve uma forte ligação com o Tejo. Nele viu partir e chegar os bravos que deram novos mundos ao mundo. Local de lágrimas e sorrisos, o rio sempre foi uma das identidades máximas de Lisboa. Cidade que não se consegue conceber sem as águas do maior rio da península.
Com o passar dos anos, a ligação entre a terra, as suas pessoas, e o mar tem vindo a perder a intensidade de outras eras.
Os tempos mudaram e as direcções, de quem anda, alteraram, se bem que a margem líquida continuou onde sempre esteve. Outros pontos da cidade tornaram-se mais apelativos e o único poiso junto ao rio situava-se em Belém. Depois, à sombra da Ponte, as Docas piscou o olho aos lisboetas e o gosto de regressar para junto do rio cresceu. Em 1998, com a Expo, finalmente acabava um dos maiores atentados ambientais e paisagísticos da capital, e, aprendendo a lição da Exposição de Sevilha 92 (deixada ao abandono após a realização do evento às margens do Guadalquivir sem qualquer utilidade para as pessoas e para a cidade de Sevilha), Lisboa reconquistou um espaço das pessoas e do rio.
Chegados ao ano 2004, ainda sem o nosso Cais das Colunas e com uma zona pouco convidativa, para as pessoas se darem com o rio, importa, em breve, reavivar, mal terminem as obras da Praça do Comércio, toda a zona entre o Campo das Cebolas e o Cais do Sodré.
Lisboa e o Tejo precisam deste espaço para dar às pessoas a beleza que possuem.
Para uma breve passeata ao princípio ou ao fim do dia, para uma escapadela na hora de almoço e espairecer, para estar com os mais próximos, para os mais novos ou os mais velhos se distraírem, para ver o nascer ou o pôr do Sol, e como ele é inesquecível no Tejo, ou para, e tão simplesmente, estar.
O rio, na parte central da cidade, não pode continuar a ser um objecto que se mira somente a partir de belos miradouros. Ele sente-se, mas só junto dele.
Carlos Manuel Castro
3/01/2004 06:54:00 da manhã . - . Página inicial . - .



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