Forum Cidade

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Partido Socialista
António Costa

Definição e Objectivos
Empenhada na promoção da participação dos seus militantes e dos cidadãos em geral na vida e no futuro da cidade de Lisboa, a Comissão Política Concelhia de Lisboa (CPCL) do Partido Socialista decidiu criar e institucionalizar de forma permanente um espaço de debate político e social: o Forum Cidade. Contribuir para a construção, em termos programáticos, de uma alternativa de governo para a cidade de Lisboa e alargar a base de participação dos cidadãos na reflexão sobre a gestão da cidade, propondo iniciativas a desenvolver pelos autarcas socialistas numa lógica territorial adequada ao tecido social e urbano em análise são os dois grandes objectivos que o Forum Cidade se propõe prosseguir. O Forum Cidade será uma estrutura informal da Comissão Política Concelhia de Lisboa, que deverá envolver militantes do PS e cidadãos independentes no compromisso de reflectir conjuntamente sobre as potencialidades e os problemas de Lisboa, tendo em vista a procura e a formulação de propostas que visem o desenvolvimento sustentável da cidade, a busca de soluções para questões inadiáveis ou até a tomada de posição em matérias que considere relevantes.
Forum Conclusões Conclusões dos grupos de trabalho do Forum Cidade apresentadas em Lisboa no dia 2005/05/03:
(documentos em pdf)

Conclusões (694 KB)
Qualidade Vida/Ambiente (296 KB)
Escola e Comunidade (177 KB)
Política Urbana (234 KB)
Desporto (241 KB)
Espaço Público (152 KB)
Segurança Rodoviária (258 KB)
Modelo Económico (480 KB)

Forum Conclusões
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Estrutura informal da Comissão Política Concelhia de Lisboa
segunda-feira, maio 31, 2004
 
Lisboa-Cruzamaento Amoreiras

[129/2004]
Por uma nova política urbana

Durante os doze anos (1990/2001) que esteve à frente dos destinos de Lisboa, a coligação liderada pelo Partido Socialista demonstrou uma vitalidade e uma capacidade de concretização notáveis.
Ao longo deste período, o estado da cidade transformou-se radicalmente, tendo-se superado muitos dos atrasos estruturais existentes e invertido o processo de descaracterização e decadência herdado dos anos oitenta.
Concebeu-se um quadro estratégico de referência para a cidade, com expressão num modelo de ordenamento urbano e materialização em diversos instrumentos de planeamento. Data deste período a elaboração do Plano Estratégico de Lisboa, do Plano Director Municipal e de duas dezenas de Planos de Urbanização e de Pormenor.
Contudo, nos últimos dois anos, Lisboa sofreu um enorme retrocesso em matéria de desenvolvimento urbano, com óbvias consequências ao nível da organização da cidade e do seu funcionamento. A inépcia e a falta de cultura urbanística que têm caracterizado a actual gestão municipal, conduziram a que Lisboa seja hoje uma cidade estagnada, sem visão e sem projecto.
Consequência de uma prática urbanística alheada dos mais elementares princípios do planeamento urbano e dos reais interesses da população, alicerçada no mediatismo de curto prazo, visando apenas a alteração dos instrumentos de planeamento em vigor, de acordo com a lógica de alguns interesses privados, Lisboa afasta-se, perigosamente, da rota da sustentabilidade.
Esta lógica, que encontra também eco ao nível do licenciamento urbanístico, caracterizado cada vez mais pela morosidade de procedimentos, tem contribuído profusamente para a instalação, na população em geral e nos agentes do sector em particular, de um clima de descrédito e de falta de confiança.
Lisboa é hoje uma cidade que apresenta significativas descontinuidades territoriais que importa articular e estruturar de forma equilibrada e urbanisticamente sustentada.
Nos últimos tempos, têm vindo a ocorrer um conjunto de modificações no estilo de vida dos cidadãos ? particularmente ao nível dos padrões de consumo e da forma de ocupação dos tempos livres ? com importantes impactos na mobilidade e, consequentemente, na organização da cidade, que importa equacionar e enquadrar no âmbito das políticas sectoriais da autarquia.
Urge dar início a um novo ciclo da vida da cidade, um ciclo de maior investimento na qualificação, tanto do território como do cidadão, a desenvolver, necessariamente, num quadro de maior coesão social e cooperação intermunicipal.
As políticas urbanísticas a incrementar deverão, assim, corrigir fenómenos de segmentação funcional do território, proporcionando espaços dimensionados e organizados de forma a garantir a mistura de funções e a diversidade populacional, com especial preponderância para a organização dos bairros, onde as diversas dinâmicas se devem desenvolver à escala do peão, favorecendo as deslocações a pé e diminuindo o tráfego automóvel.
No quadro das novas concepções de cidade, inspiradas nos movimentos mais recentes, a política urbana, cujo pólo central é o peão, evita a excessiva densificação, promovendo, ao invés, a integração espacial, social e funcional do território, salvaguardando, numa óptica sustentável de gestão de recursos, o que de melhor existe nas heranças patrimoniais e dando primazia à produção e qualificação de espaços públicos amplos e descongestionados.
Um espaço urbano humanizado, qualificado do ponto de vista ambiental, apoiado numa política de defesa do património edificado e de qualificação do espaço público, condição essencial para o reforço da identidade e cultura urbana.
Neste âmbito, o Plano Director Municipal, enquanto principal instrumento da política de ordenamento do território e urbanismo da cidade, expressão territorial da estratégia de desenvolvimento urbano, deve afirmar-se como um instrumento de mudança.
Um instrumento inovador (tanto nos métodos e procedimentos como no incentivo ao uso das novas tecnologias e energias alternativas), que se assuma não só como um efectivo apelo à participação da população, na busca de soluções para os seus problemas, posicionando o cidadão no centro do processo de formulação das políticas urbanas, mas, também, como um verdadeiro contributo, por via da harmonização do espaço, para que se operem as mudanças nas relações sociais e culturais que se ambicionam.
A política urbana subjacente a este instrumento de ordenamento, para além de uma dimensão de natureza territorial e demográfica, deverá, também, dar resposta à dimensão social que se desenha em torno das complexas alterações dos comportamentos e das relações sociais que se produzem nas grandes urbes.
O modelo de ordenamento da cidade do futuro terá de ser, necessariamente, sustentável, integrando, numa perspectiva sistémica, medidas tendentes à melhoria da qualidade ambiental, tanto no que se refere aos edifícios e infra-estruturas, que terão de estar adaptadas às novas exigências e necessidades da sociedade contemporânea, como no que se reporta às componentes do meio físico, elemento fundamental para o equilíbrio ecológico da cidade.
Neste quadro, emergem oito vectores estratégicos para a mudança:
1. Um ciclo de maior investimento na qualificação, tanto do território como do cidadão, num quadro de maior coesão social e cooperação intermunicipal;
2. Um espaço urbano humanizado, com especial preponderância para a organização dos bairros, onde as diversas dinâmicas se devem desenvolver à escala do peão, favorecendo as deslocações a pé e diminuindo o tráfego automóvel;
3. O redireccionamento da política urbanística para as questões da sustentabilidade e da humanização da cidade, elemento determinante para a integração espacial, social e funcional do território;
4. A integração no processo de planeamento urbano de uma efectiva abordagem sistémica das questões tendentes à melhoria da qualidade ambiental, tanto na sua componente biofísica como humana;
5. A qualificação do espaço público como factor de reforço da identidade e cultura urbana;
6. A gestão do território enquanto processo de mudança, coesão social e aprofundamento dos mecanismos de participação da população no futuro da cidade;
7. A resposta a novas procuras, resultantes do desenvolvimento e da globalização, em áreas diversas como os espaços livres, a cultura, o sistema de ensino/formação, o recreio e o lazer;
8. Uma política urbana apoiada num novo modelo de desenvolvimento, alicerçada num novo quadro estratégico de referência para a cidade e numa nova geração de instrumentos de ordenamento dinâmicos, com equidade e eficácia.
Pedro Costa
5/31/2004 03:31:00 da tarde . - . Página inicial . - . Comentários (0)



sábado, maio 29, 2004
 
Sousa Franco

[128/2004]
Comício de abertura da Campanha para as Europeias
5/29/2004 07:20:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



sexta-feira, maio 28, 2004
 
Lisboa-Amoreiras

[127/2004]
Participação cívica

O exercício da acção política, a qualquer nível - nacional, regional ou local - tem como objectivo final melhorar o bem-estar das pessoas.
É hoje questão de princípio, pois, que a metodologia para a tomada de decisão em política, para além do cumprimento de todos os passos requeridos pela natureza da matéria, adopte uma postura de avaliação do impacto dessa mesma decisão, tendo em conta o objectivo final acima identificado.
Com efeito, frequentes são os exemplos de tomadas de decisão cujo impacto final produz os efeitos contrários aos pretendidos.
Um dos que pode passar a fazer parte das antologias é, precisamente, o do Túnel do Marquês. Antes da tomada da decisão da sua construção o responsável por ela avaliou o seu impacto em termos micro e macro?
Em termos micro o seu impacto directo na fluidez do trânsito, na facilitação da circulação na entrada na cidade, na circulação dentro dela, e na saída dela, tendo como objectivo facilitar a vida às pessoas?
Em termo macro, o responsável ponderou as consequências políticas de uma decisão que é tomada, por uma entidade pública, ao arrepio das regras que o Estado impõe para o comum dos cidadãos, regras essas que se destinam a proteger, quer os direitos das gerações actuais, quer os das futuras.
Estando em causa problemas tão importantes quanto a segurança - que o mesmo é dizer a vida ou a capacidade das pessoas - não pode haver transigências nem facilitações. Estas são próprias de países pouco desenvolvidos ou autocráticos que preferem a demonstração do autoritarismo do que exercer o poder como um dever.
E estando ainda em causa questões tão importantes quanto a necessidade de aprofundar o respeito dos administrados relativamente a quem os administra, como é que isso é possível se é a própria Administração que falta ao respeito que deve a si própria.
Urge desenvolver a outra vertente da democracia - a participativa. Só com movimentos cívicos fortes, liderados por pessoas sérias, competentes e determinadas, e com a assumpção por cada um de nós de que nos cabe um dever de vigilância geral para fazermos valer os nossos legítimos direitos e os daqueles que dependem de nós, mas também um dever de vigilância especial dirigido aos eleitos, é que poderemos evitar situações destas.
Não ficamos livres da incomodidade e do forte prejuízo que causa uma cidade desventrada em áreas vitais para a fluidez do trânsito e tão próximo de visita acrescida de cidadãos estrangeiros.
Mas reforçamos o mérito da democracia por força da intervenção de um cidadão que resolveu levar a peito matéria tão importante quanto a defesa de princípios e de direitos fundamentais.
Maria de Belém Roseira
5/28/2004 01:13:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



quinta-feira, maio 27, 2004
 
Lisboa fim tarde

[126/2004]
PubliCIDADE

Uma cidade é toda a vida que comporta, mas é também o que nela se vê. Não só as pessoas que lá moram ou lá vão, mas também as "coisas" que a marcam e que a enchem. Monumentos e casas, edifícios vários, praças e ruas, jardins e museus, veículos diversos, paragens de transportes públicos. E também - grandes e pequenos, ao alto ou em baixo, com moldura ou sem ela - cartazes e painéis publicitários.
Olhar essas fotografias, desenhos e mensagens para captar os seus apelos e reparar na interacção que visam provocar com o público, parece-me exercício interessante, que nos revela muito sobre o modo como uma sociedade se vê a si própria e sobre a projecção dos seus desejos de bem-estar e felicidade.
Como nos aparecem, ainda hoje, as imagens de homens e mulheres na publicidade que nos salta à vista, que nos ataca mesmo, de tão invasiva, de tão agressiva, de tão excessiva? Chamar a atenção é o objectivo, diz quem sabe. E despertar a vontade, a necessidade de comprar.
Como são, o que fazem, onde estão, os homens e as mulheres que é suposto induzirem o nosso consumo? Como são tratados os seus corpos? O que sugerem as suas atitudes? Uma sociedade que vê as mulheres e os homens a desempenhar, independentemente do seu sexo, qualquer função na vida privada, na vida familiar, na vida profissional, na vida pública? Ou o reforço sistemático e consistente de uma ideologia de desigualdade para a qual as mulheres são sexo e nele se esgotam - seja em sedução seja em reprodução traduzida em cuidado da família e da casa - e os homens têm sexo, mas sobretudo têm poder, têm dinheiro, têm estatuto, têm tempo e têm direito? Até quando estaremos disponíveis para a naturalização desta violência e para que a prática da vida contrarie, a cada passo, os valores que, em teoria, defendemos?
A cidade pode mostrar muita coisa. Mas talvez não fosse mau pensar na oferta disponível e reagir, com os meios que temos, àquilo que nos afronta. Ou então procurar perceber porque é que não nos afronta o que é objectivamente intolerável e objectivamente incompatível com o respeito devido à igual dignidade dos homens e das mulheres. Afinal, uma das bases em que assenta a República Portuguesa, como proclama o primeiro artigo da nossa Constituição.
Maria do Céu da Cunha Rêgo
5/27/2004 02:36:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



terça-feira, maio 25, 2004
 
Candeeiros Lisboa

[125/2004]
O Umbigo

As histórias de Lisboa e de Portugal, ao longo dos séculos, confundem-se, parecendo, quantas vezes, que Lisboa e o país são uma mesma unidade. O Dr. Santana Lopes sabe que ser Presidente da Câmara de Lisboa é estar constante a ser avaliado não só pelos lisboetas como também por todo o país. Quis ser Presidente da Câmara porque quis mais visibilidade; quis ser Presidente da Câmara porque ficava mais perto de Belém e de São Bento; e, quis ser Presidente da Câmara, porque politicamente, é bom dizê-lo, em 2001, contribuía fortemente para que o PSD voltasse ao Governo de Portugal. A Figueira da Foz não era suficientemente grande para o Dr. Santana Lopes.
Não se pense que aquilo que faço aqui é apenas a crítica fácil e pessoal. O substantivo da crítica que faço está, essencialmente, na forma e na ausência de conteúdo político em que se baseiam continuamente as posições do Dr. Santana Lopes. Um afã contínuo na exposição pública; uma personalização do cargo; um vazio de ideias para Lisboa e a para a resolução dos problemas dos lisboetas. O importante é a carreira política; o importante é estar bem colocado para aceder ao (próximo) cargo; e, o importante é chegar o mais longe possível.
A forma, o gesto desconexo (porque não ligado a uma verdadeira política de cidade), entre outros aspectos, caracterizam um político que encontra o centro do mundo no seu umbigo. Lisboa é um 'trampolim'. Voltar a ser candidato à CML é algo que o Dr. Snatana Lopes não quer. É, para ele, um lugar "gasto", sem interesse. Se o Dr. Durão Barroso pedir muito, talvez ele lhe faça o "frete"; as bases do PSD, que o amam, querem-no como um seguro de vida política (pensam eles, que lhes garante um vitória eleitoral - "o Dr. Santana Lopes não perde" - dirão muitos deles).
Todavia, os lisboetas pensam, têm vontade própria, e esperam por um verdadeiro projecto político para a cidade; ganhar as próximas eleições não deve (e não vai) depender da fulanização das candidaturas. O PS ganhará em Lisboa se perceber que perante o vazio de ideias do Dr. Santana Lopes deve apostar nos projectos que resolvem problemas. Nas próximas eleições autárquicas não vamos discutir se o Dr. Santana Lopes é, ou não, um bom candidato a Presidente da República; vamos discutir e sufragar projectos políticos. O nosso será (é) o melhor; e os lisboetas saberão avaliá-lo.
Ainda assim, fica um aviso: é importante resistir à tentação de responder na mesma "moeda": sem projecto é com protagonismos pessoais. A nossa matriz ideológica não nos permite esse tipo de abordagem populista. Os eleitores de Lisboa não o perceberiam e iriam penalizar o PS.
Eurico Brilhante Dias
5/25/2004 01:45:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



segunda-feira, maio 24, 2004
 
Escrita
[124/2004]
O REGRESSO DA BARBÁRIE

Interpelado por tremendas imagens que agora mesmo passam na TV, interrompo o texto que alinhavava sobre tema respeitante a Lisboa e, por momentos, vejo-me transportado aos meus já distantes dez ou onze anos!
Lembro-me bem, jamais o esquecerei: chamava-se "O FLAGELO DA SUÁSTICA" o livro que indevidamente me veio parar às mãos, surripiado da estante dos adultos (naquele tempo dizíamos "os grandes"!) na pequena biblioteca que havia em casa dos meus pais! E aí vi, horrorizado, as primeiras imagens do terror da barbárie que a minha memória reteve para todo o sempre (e, não sei bem porquê, a que regressava de tempos a tempos): era, soube-o depois, um campo de concentração, creio que Auschwitz . Um ser humano (!) arrastava outro ser humano (um judeu), por uma trela!... Imagens tão iguais às que agora mesmo vejo na televisão e me causam este arrepio. Tudo igual (até que ambos os carrascos sorriam!) menos dois pormenores: naquelas o carrasco era um homem, um SS; nestas o carrasco é uma mulher, uma tal Lynndie England, soldado da Polícia Militar americana, no Iraque. A outra diferença é que 60 anos (!) separam os actos que as duas imagens registam..., estamos já no Séc. XXI e práticas tão horríveis e que críamos (queríamos) definitivamente banidas nos entram, actuais, pelas nossas casas dentro! Não é possível isto estar a acontecer, penso comigo, perplexo e atordoado!
Mas logo a ignomínia e o horror impõem novamente e da mesma forma brutal a sua face horrenda! É ainda o telejornal a gritar novo impossível! Agora mostram uma multidão indefesa a ser metralhada a partir de helicópteros e carros de combate. As vítimas, homens, mulheres e crianças, são palestinianos. Os carrascos são descendentes daquela cobaia de Auschwitz! Algures em entrevista, o responsável máximo, um certo carniceiro chamado Sharon, gabava-se de que, na sua quinta, até as ovelhas fugiam dele quando passeava!...
O Fórum Cidade que me desculpe!
Hoje não consigo escrever sobre Lisboa!
Arnaldo João
5/24/2004 02:22:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



sexta-feira, maio 21, 2004
 
Ken

[123/2004]
Lisboa não se conquista...!

Lisboa não se conquista, souberam-no os castelhanos do rei João em 1383-1385 e dos reis Filipes entre 1580 e 1640, as tropas francesas do General Junot e todos aqueles que por ânsia desmedida de poder, se quiseram alcandorar ao Poder não respeitando nem amando Lisboa.
Lisboa ama e deixa-se amar por todos os que simplesmente desejam passear de braço dado com o Tejo em manhãs soalheiras, que regateiam, bisbilhotam na Feira da Ladra, peregrinam pelas ruas estreitas, travessas e becos de Alfama, da Mouraria, da Madragoa, que acariciam as pedras dos monumentos do vasto património que uma história milenar lhes legou e que sentem como sua.
Lisboa sonha e precisa das incursões dos milhares de turistas que vêm à procura das suas belezas, dos seus costumes e tradições, da afamada gastronomia, comer a sardinha assada e, assim, ainda permitem que Alfama não tenha nenhum túnel que a esburaque.
Lisboa anseia que todos se sintam seguros para poder desfrutar de um passeio nocturno pelas avenidas, para visitar teatros abertos e vivos onde se possa rir e pensar, para saltitar pelos cafés abertos para as tertúlias, para as conversas de amigos, que se tenha uma Cultura que nada se relacione com Casinos, para dar azo a todas as perturbações psicológicas de jogo-dependentes.
Lisboa navegava rumo a isso mas...
Mas certo dia, chegou alguém, meio herói, meio galã dos anos 40, directamente dos braços de uma outra paixão, traindo promessas de fidelidade figueirense, sorrindo como o Ken, elegante, palavroso, desinibido, cheio de promessas de amor eterno, de tudo ir fazer para dar a Lisboa, toda a alegria, felicidade, novos vestidos, jóias de fino desenho...
Mas como todos os que casam e descasam ficou-se pelas promessas. Promessas que esta Lisboa, não tardou em entender, que não passavam disso mesmo; que afinal aquele galã não a tinha conquistado por boas intenções. Somente procurava servir-se dela para uma outra paixão onde o Poder era mais alto, que não só ele não lhe oferecera novos vestidos como foi rasgando os que ela possuía, que as jóias não passavam de miragens nunca concretizadas, que o seu sorriso escondia miriades de formigueiros de criminalidade, abertos por ele mesmo, lá para os lados do Intendente, que não permitia que ela descesse de noite à rua, que a noite serena se transformara em bares a abrir já no frio da madrugada, sempre de ponta e mola em riste, que enquanto ele escrevinhava o seu livrinho de charme para a nova amante lhe ia rasgando os seus documentos, asfixiando os seus centros de cultura, esvaziando os pequenos e humildes clubes de bairro, acabando com o desporto, despreocupando-se com as escolas e os centros de lazer, e nem sequer a mesada ao fim do ano dava a tempo e horas às Juntas de Freguesia...
Lisboa perdeu o seu brilhante sorriso, ficou desiludida, mas ainda estupidamente crente no seu don juan, e a única coisa que foi recebendo foram umas meras jóias de pechibeque, transformadas em out-door?s sem tino nem nexo para anunciar as promessas que nunca viu.
Lisboa está triste mas vai recuperar, voltar a sorrir, brilhar ao sol e iluminar-se na noite... precisando apenas que afastemos do seu caminho galãs de pacotilha, com o cuidado de perceber que estes conseguem enganar várias vezes a mesma amada, e que se arranje um candidato a... sério. Alguém que conquiste não só as ruelas do Alfama, mas também a Alta de Lisboa, que vá da Graça aos Olivais com o mesmo "à vontade" e com o espírito que é Presidente da Câmara a tempo inteiro.
Hugo Xambre Pereira
5/21/2004 01:19:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



quarta-feira, maio 19, 2004
 
Rock
[122/2004]
"BENVINDO"

À falta de obras estruturantes para apresentar, em contraposição com as trapalhadas nestes quase dois anos e meio de mandato (a título de exemplo, para recordar: Parque Mayer/Casino - Túnel do Marquês/embargo - Feira Popular/Monsanto - Parque de estacionamento Alvalade/Av. Igreja), continuam os lisboetas e os turistas nacionais e estrangeiros a serem bombardeados com publicidade da CML/PSL. A avalanche é tal - recordemos entre outros os outdoors a alertar os cidadãos: - já reparou que a rua ... foi arranjada?; - como Lisboa é boa para viver/morar? - que nem sequer cuidam de proceder a uma cuidada revisão dos textos e do bom português que os deve caracterizar. O mais recente sobre o «Rock In Rio» começado pelo nome próprio "Benvindo" é mais um disparate que reflecte um pouco a precipitação que por ali campeia bem como a qualidade profissional dos que rodeiam o actual Poder autárquico. Em vez de gastar dinheiro dos contribuintes em rios de publicidade, para mais defeituosa, o Sr Presidente da Câmara e a sua equipa deviam preocupar-se com o estado lastimoso com que se encontram grande parte dos passeios das ruas de Lisboa, o caos no estacionamento e circulação em outras tantas.
Mário Lourenço
5/19/2004 10:48:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



terça-feira, maio 18, 2004
 
Adamastor
[121/2004]
Lisboa e a Toxicodependência

As palavras não acompanhadas de acções visíveis, quando proferidas por políticos, ficam desprovidas de sentido. É este o comentário que me apraz fazer ao artigo "Toxicodependência uma prioridade" da vereadora da Acção Social da Câmara Municipal de Lisboa, publicado no Público em 9/05/2004. Dizer que o Plano Municipal de Prevenção Primária hoje em curso na cidade de Lisboa «foi mil vezes prometido e mil vezes adiado» é no mínimo não perceber nem a origem dos Planos Municipais de Prevenção da Toxicodependência em Portugal, nem a filosofia que presidiu à sua implementação numa lógica de construção de uma Rede Nacional de Prevenção Primária proposta pela Estratégia Nacional de Luta contra a Droga e implementada pelo Plano de Acção Nacional - Horizonte 2004. Passo a explicar.
A Rede Nacional de Prevenção Primária começou a ser construída em 2000/2001, dirigindo-se num primeiro momento às autarquias onde não existia qualquer intervenção estruturada ao nível do combate à droga. Foi então estabelecida a meta de 2004 para a cobertura de todo o território nacional, de acordo com o Plano de Acção ainda hoje em curso, apesar de irremediavelmente comprometido na sua eficácia e muito aquém dos objectivos traçados.
Acontece que a prevenção da toxicodependência teve na capital um caminho próprio e percursor. Lisboa foi a primeira cidade do país a ter, logo no início dos anos 90, um projecto de prevenção primária, cujo desenho se deveu à sensibilidade que desde sempre mostrou por esta temática o então presidente do município, Jorge Sampaio. Um projecto de grande qualidade, fruto do esforço de uma equipa de irrefutável nível técnico e científico que o traçou e implementou. Devo salientar que foi aqui que também nos inspirámos no IPDT para construir, em 2000, a rede dos actuais Planos Municipais de Prevenção.
Em 1996, perante o drama humano e social que se vivia no Casal Ventoso, decidiram o governo e a autarquia, nesta fase já sob o comando de João Soares, implementar um Plano Integrado de Prevenção da Toxicodependência no bairro do Casal Ventoso, com os resultados que se conhecem e que foram visíveis até há bem pouco tempo. Foi com esse esforço que Portugal conseguiu pôr fim à sala de chuto a céu aberto que tanto nos envergonhava aos olhos do mundo. Foram então criados Centros de Abrigo, Centros de Acolhimento, Gabinetes de Apoio (entretanto desmantelados) e Equipas de Rua, para aproximar os toxicodependentes dos cuidados sanitários e restituir-lhes a dignidade perdida, como aconteceu a milhares de cidadãos. Assumiu-se assim não só a prevenção como também a redução de risco como uma prioridade nacional para pôr fim às elevadas percentagens de consumos problemáticos que colocavam o nosso país, a este nível, no topo da escala europeia, facto bem documentado nos estudos que entretanto promovemos e que foram coordenados pelo prof. Jorge Negreiros da Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto, tal como nos relatórios do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência.
Numa lógica de proactividade, como é cientificamente recomendado, o projecto do Casal Ventoso alargou-se depois a outras zonas da cidade com os chamados Pontos de Contacto (hoje desmantelados), actuando em rotas prioritárias bem definidas com novas equipas de rua. Assim se evitou, por exemplo, que se instalassem na Curraleira os problemas que se tinham resolvido noutros bairros. O mesmo não se pode hoje dizer relativamente ao Intendente, nova zona de consumo problemático da cidade de Lisboa, situação agravada pelo regresso da droga ao Casal Ventoso, como muito bem é descrito pela jornalista Catarina Serra Lopes em reportagem do Público publicada em 18/04/2004.
Em Lisboa, como no resto do país, a luz ao fundo do túnel que começava a ver-se, por força das acções articuladas de uma intervenção estruturada, está neste momento a apagar-se... Há indicadores recentes que revelam o aumento do consumo de heroína, que durante os últimos anos tinha registado quebras significativas. Sinal dos novos tempos e do desinvestimento numa política que deveria ser prioritária em cada estado membro da União Europeia, como recomenda o Plano de Acção Europeu contra a Droga aprovado na presidência portuguesa e ainda em vigor.
A senhora Vereadora precisa de estar mais atenta e estudar melhor os dossiers que lhe estão atribuídos. O anterior executivo de Lisboa não chegou a prometer e por isso não podia ter cumprido nem uma única vez o plano a que se refere, quanto mais mil, como enfaticamente refere no seu artigo. E não prometeu porque Lisboa já tinha um Projecto Integrado de Prevenção. A nível nacional, em matéria de Planos Municipais, houve que dar prioridade aos distritos do interior, continuando ainda hoje muitos sem Planos, nomeadamente para responder às preocupantes revelações de um estudo promovido pelo antigo executivo sobre consumo de drogas em meio escolar, onde se mostrava claramente que os consumos se faziam cada vez em idades mais precoces e se deslocavam do litoral para o interior do país.
Infelizmente, dois anos de «Portugal em Acção» revelam, também no domínio do combate às drogas, mais inacção que outra coisa. Em Lisboa, como em Portugal, pede-se mais acção e menos propaganda.
Elza Pais
Ex-Presidente do IPDT
P.S.- Artigo publicado no jornal Público no passado dia 16 de Maio.
5/18/2004 01:49:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



segunda-feira, maio 17, 2004
 
Lisboa - Restauradores

[120/2004]
Transportes em Lisboa: Tenham vergonha e organizem-se?

Ao longo dos últimos 20 anos tenho trabalhado na área do urbanismo e transportes. Há mais de 15 anos que sou militante assumida do Partido Socialista. O profissionalismo e isenção que sempre exigi a mim própria, auto impõem o exercício isento da minha actividade profissional, separado da minha intervenção política. Tenho trabalhado com técnicos de todos os quadrantes políticos e, é justo reconhecer, que tive a sorte do meu percurso se ter cruzado com excelentes profissionais, também de todas as áreas políticas. Por isso e porque entendo que assim deve ser, sempre procurei centrar a minha actividade política no debate de ideias, procurando não cair na tentação de achar "que as nossas ideias são melhores porque nós somos melhores que eles". Não hesito em afirmar que as soluções de "esquerda" têm tipicamente um conteúdo social inigualável pelas soluções de "direita", mas isso não implica necessariamente que estas últimas não sejam viáveis tecnicamente.
No entanto, nos últimos 2 anos, a minha estupefacção perante a situação política, no país e em Lisboa, atinge níveis que já ultrapassam o mero desconforto. De facto, não sei se a incompetência, se o desconhecimento ou se o desleixo, que grassam pelos gabinetes do poder, têm impedido que se encontrem soluções socialmente aceitáveis, por um lado, e, por outro, eficientes e equilibradas, quer do ponto de vista técnico e da gestão dos dinheiros públicos, quer no que respeita ao funcionamento do mercado. O desnorte dos poderes central e municipal têm conduzido em Lisboa a soluções facilitistas e demagógicas, com "barracas" públicas recorrentes. A exiguidade do espaço de que disponho, obrigam-me a seleccionar apenas três dos exemplos mais gritantes.
1. A tão ambicionada Autoridade Metropolitana de Transportes (AMT) atingiu uma situação que no mínimo se pode apelidar de vergonhosa. Apenas se tem uma Comissão Instaladora já fora de prazo, que não instala coisa nenhuma pois nem sequer tem orçamento, o que de resto não é nenhuma surpresa pois não foi previsto no Orçamento 2004, aprovado no Parlamento em finais de 2003 quando já estava anunciada a criação da dita Autoridade. Este facto é agravado por não poderem recorrer aos expedientes a que nos têm vindo a habituar, isto é, não podem fazer transferências de outras entidades pois, como se sabe, estas debatem-se todas com dificuldades orçamentais gravíssimas, tendo até dificuldade em pagar os vencimentos dos membros da Comissão Instaladora. É lamentável ouvir intervenções públicas chorosas de vários membros dessa Comissão confessando a sua incapacidade por falta de meios! Só resta perguntar quem primeiro irá ganhar vergonha: a) o poder político com uma de duas alternativas: ou extingue a AMT, reconhecendo que foi mais um flop, ou a dota com os meios necessários; ou b) os membros da Comissão demitem-se por inexistência de condições para o exercício das funções para que foram nomeados.
2. Depois de tantos anos a criticar as compensações por serviço público às empresas públicas de transportes, o governo de direita abriu um precedente gravíssimo ao gastar milhões de euros para comprar a manutenção das empresas privadas no passe social. Para quando a revisão das concessões de transporte rodoviário de passageiros? Andam tão entretidos a tentar estragar, por razões que tento não tentar vislumbrar, as concessões de transporte criadas pelos governos PS que resultaram de concursos públicos internacionais, e pagam "de mão beijada" milhões aos privados rodoviários? Pois é, quando não se sabe (na melhor das hipóteses!), a única forma de calar é pagar?
3. E, finalmente ("the last but not the least"), a telenovela tipo venezuelana em que já se transformou o caso do túnel do Marquês de Pombal (o qual, estou convencida, se pudesse já teria descido do pedestal e teria tido o pudor de ir discretamente corar de vergonha para outra freguesia, ou, em alternativa, já lhes teria largado o leão). Já nem há palavras para descrever este caso, só já faz lembrar aquela velha canção "Chamem a polícia...". Que mistura de erros: de planeamento de transportes, de engenharia e jurídicos. Como se isso não chegasse, temos agora mais este episódio de troca de galhardetes nas colunas dos jornais entre o Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa e um Professor Catedrático do Instituto Superior Técnico. Quando pensamos que o Dr.Santana Lopes atingiu o máximo das suas tentações mediáticas, eis se não quando ainda tira mais um coelho da cartola...
Organizem-se!...
Ana Paula Vitorino
5/17/2004 01:17:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



sexta-feira, maio 14, 2004
 
Lisboa-Rio

[119/2004]
Lisboa, uma cidade sem planos

É sabido que existe uma relação estreita entre os ciclos económicos, particularmente os longos, e os ciclos urbanos, o tipo de cidades que se desenvolvem e as teses urbanísticas que lhes estão subjacentes.
Com efeito, o desenvolvimento de um determinado modelo de acumulação integra uma dimensão territorial, com implicações a várias escalas, designadamente a urbana.
Esta coerência encontra-se presente ao longo da história da cidade, sendo perfeitamente perceptível, por exemplo, na famosa Carta de Atenas (1933) e no discurso do chamado movimento moderno, que tanto influenciou as cidades do pós-guerra.
As concepções de Henry Ford, Keynes e Taylor identificam-se claramente no quadro de pensamento urbanístico de Corbusier (grande embaixador da Carta de Atenas) e das teses "funcionalistas" da época.
A morfologia e a estrutura da cidade são, portanto, sintetizadoras de modos de produção passados e presentes, reflectindo as ideias, os interesses e a visão dos diferentes grupos sociais e políticos que assumem, num determinado período, o destino da cidade.
Para compreender a cidade actual, importa, pois, conhecer a forma como tem evoluído a sua organização económica e social, tal como para planear o futuro é preciso ter presente a sua evolução histórica, as grandes transformações que nela ocorreram ? a saída da crise de um determinado modo de produção acarreta profundos reflexos na organização do território e no sistema produtivo.
As transformações mais recentes intimamente ligadas às alterações operadas ao nível do sistema produtivo, às novas tecnologias da informação e comunicação e aos traços da globalização, do ponto de vista conceptual, têm sido fruto, grosso modo, da actuação conjunta de movimentos de descentralização e centralização.
No primeiro caso, estes movimentos traduzem-se pela localização em áreas periféricas aos grandes centros urbanos, mas bem servidas de infraestruturas de transportes, de concentrações de actividades e empresas.
Concentrações de empresas industriais e de serviços (utilizadoras de novas tecnologias), em espaços do tipo tecnopólo (parques científicos e tecnológicos e centros de negócios e escritórios), concentrações de actividades comerciais, em parques de actividades comerciais, e concentrações de actividades de lazer, em parques de diversões. Este movimento de descentralização reflecte-se, ainda, ao nível da habitação, assistindo-se a um aumento de residências secundárias em periferias cada vez mais distantes.
Contemplada também por estas deslocações, a coroa do CBD (Central Business District) constitui um alvo preferencial para a implantação de empresas de serviços, configurando-se como uma espécie de desdobramento do antigo centro.
Por sua vez, os movimentos centralizadores conduzem quer a uma reocupação dos CBD, quer à criação de novas centralidades no interior das áreas urbanas onde se concentram tanto empresas de serviços (serviços avançados, instituições financeiras, seguros, imobiliárias, serviços relacionados com transportes, etc.), como empresas de carácter comercial e industrial. Ao nível da habitação é a alta qualidade que predomina.
De um modo geral, os antigos espaços ligados a actividades produtivas ou a serviços (quarteis, hospitais, prisões, fábricas, armazéns, instalações portuárias, etc.) que a reestruturação económica e social tornou obsoletos, constituem excelentes exemplos de áreas onde se têm registado este tipo de intervenção.
Os elevados preços dos terrenos na área central propiciam processos de segmentação espacial e sectorial das actividades económicas, uma vez que determinado tipo de actividades, por não possuirem capacidade económica para suportar as elevadas rendas praticadas no centro (e em outras novas centralidades), vêem-se obrigadas a optar por áreas de menor prestígio.
Estes movimentos devem ser orientados e potenciados em benefício da cidade, uma vez que constituem uma excelente oportunidade não só para reorganizar e renovar a sua estrutura produtiva, como, também, para empreender medidas de reestruturação económica e reconversão urbana, permitindo revitalizar o tecido produtivo e atenuar problemas de desemprego e de despovoamento. Em suma, criar condições com o objectivo de captar investimentos e melhorar a qualidade de vida da população.
Estas dinâmicas, com as especificidades próprias de cada cidade, também se encontram presentes em Lisboa, tendo começado a desenhar-se na segunda metade dos anos oitenta.
A elaboração do Plano Director Municipal (PDM), no início dos anos noventa, visou, entre outros objectivos, o controlo destas dinâmicas, num quadro de reordenamento das actividades, funcionalmente sustentável e racionalmente equilibrado, marcado, prudentemente, por alguma contenção.
Na sequência deste processo de planeamento, e materializados os primeiros reflexos do novo ciclo, foi possível verificar, no final da década de noventa, que se encontravam reunidas as condições para avançar para um novo modelo de desenvolvimento urbano, apoiado numa nova visão estratégica para a cidade. Foi por isso que, em 2001, se tornou imperioso desencadear o processo de revisão do PDM.
Entendeu, porém, a actual gestão que lidera a cidade, poucos meses passados sobre a sua posse, que devia interromper aquele processo para, depois, desenvolver o seu próprio projecto de revisão do PDM.
Decisão legítima, sem dúvida, mas que ? volvidos mais de dois anos sem que se conheça sequer uma proposta formal de revisão do PDM, nem tão pouco os objectivos específicos que lhe estarão subjacentes fundamenta não menos legítimas preocupações.
E estas são tanto mais justificadas e agravadas quanto, ao invés de um projecto de cidade, aquilo a que temos vindo a assistir é a consecutivas tentativas de alteração do PDM de forma meramente casuística e não devidamente sustentada - como está bem patente na intenção frustada de suspender parcialmente o PDM e promover alterações em regime simplificado.
Consequência de uma prática urbanística alheada dos mais elementares princípios do planeamento urbano e dos reais interesses da população, alicerçada no mediatismo de curto prazo, estas iniciativas vêm apenas confirmar que a actual gestão não tinha nem revela ter um projecto de cidade. E o mais problemático é que, na sua actuação, nada permite acalentar a esperança de que se preocupe em vir a tê-lo no futuro.
Pedro Costa
5/14/2004 03:09:00 da manhã . - . Página inicial . - . Comentários (0)



quinta-feira, maio 13, 2004
 
Sem abrigo

[118/2004]
Lisboa necessita de um novo paradigma

É frequente ouvirmos dizer "Menos Estado, melhor Estado". Nesta mesma lógica, do que precisamos para Lisboa é de "menos propaganda, melhor gestão".
Todos sabemos que as atitudes que mais caracterizam a actual gestão da nossa cidade são a arrogância, o populismo e o casuísmo, à medida dos interesses de quem governa. "Nós ganhámos, quem manda somos nós"
Esta forma de gestão não proporciona o envolvimento dos recursos humanos da autarquia, não é incentivadora do estabelecimento das necessárias parcerias, nem incentiva à participação dos cidadãos. Em suma, estamos perante uma gestão autista.
Como consequência desta gestão sem visão integrada e sem projecto, é fácil perceber porque razão a execução do plano de actividades de 2003 (53,5%) é a mais baixa desde 1987, e a execução do plano plurianual de investimentos é a mais baixa de sempre (47%).
Para inverter este estado de coisas são necessários novos protagonistas com novas políticas e, sobretudo, com uma prática política diferente.
A política só faz sentido se for exercida com as pessoas e para as pessoas.
A Cidade tem de ser um espaço de cidadania, de reconquista dos direitos sociais, inclusiva e dos afectos.
A boa gestão de uma cidade implica a adopção de políticas participadas que respondam às novas exigências e necessidades resultantes da complexidade das sociedades modernas.
Implica a adopção de uma gestão inovadora, capaz de permitir que cada cidadão assuma um papel activo na gestão da cidade. O que implica a capacidade de criar sistemas eficazes de comunicação, capazes de responder à necessidade de educar e consciencializar, envolver, partilhar e co-responsabilizar.
A gestão da cidade necessita, pois, de um novo paradigma. Com menos autismo e mais parcerias. Com uma gestão mais eficiente e eficaz porque mais transparente e participativa. Só assim teremos uma cidade orientada para os cidadãos e não para a promoção pessoal dos seus gestores. Uma cidade que contribui para a credibilização da vida política. Uma cidade onde será verdadeiramente bom viver.
Jacira Fonseca
5/13/2004 01:04:00 da tarde . - . Página inicial . - . Comentários (0)



terça-feira, maio 11, 2004
 
Chiado

A cidade precisa de vida

A humanidade humilde e nostálgica das pequenas lojas
Onde os caixeiros dobram e desdobram fitas e fazendas

Sophia de Mello Breyner Andresen, Dual.

A cidade precisa de vida. Está a realizar-se a quarta edição da Festa no Chiado. São centenas de iniciativas que têm lugar sob a coordenação do Centro Nacional de Cultura. Está em causa um conceito de cidade em que a sociedade civil seja protagonista e em que se multipliquem as acções a partir de diversos pólos. Museus, teatros, galerias, comércio, livrarias, alfarrabistas, igrejas, clubes - todos se mobilizam para tornar a cidade viva. O Chiado de outro tempo foi um lugar de encontro e de grandes acontecimentos. Houve tertúlias de escritores e pintores, de políticos e intelectuais - na Brasileira ou no Café Chiado, na Sá da Costa e na Bertrand. O Marrare e a Havaneza fazem parte das memórias míticas... As "portas abertas" procuram revelar o que normalmente está fechado ao público - o Grémio Literário, o Círculo Eça de Queirós. Os "monumentos com música" dão a conhecer a fecundidade do diálogo entre o património e a criação. Os "encontros à esquina" transformam passeios em invocações da memória dos lugares. As exposições revelam artistas - Gracinda Candeias, Laura Cesana, ou o percurso de escritores - Ruben A., invocado no CNC, a "casa" de Sophia de Mello Breyner. O "electric paper" permite descobrir o mundo à volta da carreira "28" dos eléctricos. Eça de Queirós confunde-se com as suas personagens. Luísa e o Conselheiro Acácio estão sempre presentes, ao lado de todos os outros. Fernando Pessoa e Almada Negreiros são "habitués" - e o "Orpheu" faz parte do espírito do lugar. Aquilino, Abel Manta, Manuel Mendes, Pulido Valente renovaram o Chiado que fora de Herculano, José Fontana, de Antero e Jaime Batalha Reis... Quando o pavoroso incêndio destruiu o Chiado, no fim da década de oitenta, houve quem julgasse que não haveria salvação possível. Tudo acabara. Felizmente, o Chiado voltou à vida. Os jovens voltaram a este lugar mágico. A história está-se a renovar e a actualizar. Os novos escritores, os novos artistas, os jovens músicos estão a transformar o Chiado na sua capital dentro da capital. Mas há uma lição a tirar. A cidade precisa das pessoas e das suas iniciativas. É preciso romper com a ideia de que a cidade é de alguns, ou de uma burocracia, de um grupo, ou de uma parcela. A lógica populista, que vai surgindo, tenta fazer-nos crer que tudo pode depender da vontade de alguém ou do impulso de um qualquer intérprete messiânico. A cidade pode tornar-se acolhedora, se todos sentirem que a sua voz e as suas iniciativas podem marcar e melhorar a vida de todos. Eis porque é indispensável fazer do espírito crítico uma marca positiva. É preciso que muitos digam o que pensam e apontem o que não está bem e o que deve ser melhorado. E se há um mecanismo de "alerta", que se saiba, com rigor, quais os resultados - quem colaborou, quem interveio e que consequências práticas se obtiveram. Urge multiplicar os foros de alerta e de debate e saber como é possível tornarmos a cidade mais hospitaleira e mais nossa.
Guilherme d'Oliveira Martins
5/11/2004 03:01:00 da tarde . - . Página inicial . - . Comentários (0)



segunda-feira, maio 10, 2004
 
Rato




Ainda o trânsito
e o ruído em Lisboa


Pode ler-se no jornal A Capital de hoje que, segundo os últimos dados recolhidos pelo Observatório do Turismo de Lisboa para a Associação de Turismo de Lisboa, referentes ao mês de Março e ao período da Páscoa, os aspectos negativos que os turistas estrangeiros mais apontam a Lisboa são o trânsito e o ruído, entre outros.
Ora não pode deixar de notar-se que é precisamente ao nível do trânsito e dos ruído, para além de outros áreas, que as consequências nefastas do Túnel do Marquês maior impacto terão na qualidade de vida da capital.
Aceitando a premissa de que os turistas não estão a soldo dos lisboetas que repetidamente têm chamado a atenção para o facto de a construção do Túnel do Marquês ser grossa asneira pelos efeitos secundários que terá, parece de elementar bom senso deverem estes resultados do Observatório do Turismo de Lisboa ser devidamente estudados pela Câmara Municipal de Lisboa.
Sofia Oliveira Dias
WebSite da Concelhia de Lisboa
5/10/2004 02:23:00 da tarde . - . Página inicial . - . Comentários (0)



quinta-feira, maio 06, 2004
 
Alfama


E está tudo dito!

"Se quiséssemos montar uma operação mediática, tínhamos colocado lá 'outdoors'."
Foi com estas precisas palavras que um assessor de Pedro Santana Lopes ao Público, edição de hoje, recusou a ideia de que a Rua da Madalena não abriu totalmente para a seguir abrir, com Euro 2004 e circunstância, em Junho!
Diz-se que uma imagem vale mais que mil palavras, mas neste caso pode dizer-se que algumas palavras valem por todos os outdoors colocados pela Câmara Municipal de Lisboa.
Então não é que um assessor do Presidente da Câmara revela, sem mais, que os cartazes estrategicamente espalhados pela cidade, e pagos com o dinheiro dos contribuintes, são todos, e cada um deles, “(...) uma operação mediática (...)?!? Nós já sabíamos, mas vê-lo assim dito, preto no branco, e com a autoridade de um assessor, tem outro peso.
Não se pode enganar toda a gente o tempo todo!
Sofia Oliveira Dias
WebSite da Concelhia de Lisboa
5/06/2004 10:02:00 da tarde . - . Página inicial . - .



terça-feira, maio 04, 2004
 
Parque estacionamento

Parque subterrâneo na Av. da Igreja

Santana Lopes insiste em beneficiar a BragaParques com um parque subterrâneo que vai bloquear a Av. Da Igreja durante 18 meses, pelo menos, e depauperar ainda mais o comércio local e a vida das pessoas, em lugar dos dois parques liderados por associações de moradores previstos para o Largo Frei Heitor Pinto e R. José Duro. Pese embora S. João de Brito seja uma freguesia de população predominantemente conservadora, estamos certos que os eleitores, no próximo ano, não deixarão de avaliar a incompetente gestão da sua freguesia por um executivo PSD/PP, com um presidente ausente das grandes causas locais e um presidente de câmara que só se lembra do bairro de Alvalade para o seu folclore eleitoral.
A miséria avança em Lisboa
Noticia A Capital que: "67000 pessoas, das quais 27000 crianças recebem ajuda do Banco Alimentar contra a fome. Mais de 2600 famílias inscreveram-se em 2003 na St. Casa Misericórdia de Lisboa, candidatas ao Rendimento Social de Inserção, ascendendo o número global nesta instituição a 29.000 famílias". Mais que números são pessoas que foram empurradas para situações aflitivas por uma insensibilidade social atroz não só de um governo central de centro direita incapaz, como também da sua réplica na autarquia lisboeta, recheados de notórios figurões que se arrogam praticantes cristãos, mas que, afinal, não passam de hipócritas fariseus, agentes assumidos de um capitalismo selvagem que se reflecte nas políticas neo-liberais que tanto defendem para o nosso País. Os portugueses e os lisboetas em particular, precisam de novos governantes para que as políticas mudem e as portas de muitas Igrejas e outros edifícios bem como o Coreto da Pç José Fontana deixem de ser representativos das novas modalidades de "residência" permanente para que têm vindo a ser conduzidos tantos deserdados deste sistema de governação à direita
Mário Lourenço
WebSite da Concelhia de Lisboa
5/04/2004 02:02:00 da tarde . - . Página inicial . - .



segunda-feira, maio 03, 2004
 
Rua Augusta

Inexistência de obra

A actual gestão camarária da maioria PSD/PP tem sido marcada por uma infindável sucessão de trapalhadas:
- A obra do Túnel das Amoreiras marca uma gestão arrogante, descuidada e pouco preocupada com os lisboetas e com a legalidade dos procedimentos;
- O Parque Mayer "não ata nem desata". Já houve permuta, anulação da permuta, visitas ao local, esboços de ideias ...;
- O processo referente ao Casino foi o que foi;
- Quanto à Feira Popular está fechada e não se sabe para onde vai e quando abre! Ia para o Monsanto, era inaugurada dia dez de Junho, já não abre, vai para Loures, vai haver um parque de diversões a par da Feira, entre outros avanços e recuos;
- O Monsanto tem sido alvo de todos os projectos possíveis e imaginários de pura especulação imobiliária; e,
- O populismo grassa nas atitudes face à construção em altura e na convocação de manifestações de apoio face a decisões dos tribunais.
- E muito mais exemplos poderiam ser dados!
Acresce, que a par destas trapalhadas a gestão de Pedro Santana Lopes bateu em 2003 dois máximos históricos ao nível da inexistência de obra:
- A menor taxa de execução de sempre do Plano Plurianual de Investimentos (48%);
- A menor taxa de execução, desde 1987, do Plano Anual de Actividades (55,5%).
Já para não falar da insensibilidade à contestação a projectos aberrantes, que nunca deveriam ter sido aprovados pela CML, como os referentes à construção de parques de estacionamento na Av. da Igreja e na Praceta Lins do Rego.
Por tudo isto, o PS/Lisboa não poderá deixar, na reunião de amanhã da Assembleia Municipal, de votar contra estes dois projectos e contra o relatório de Gestão de 2002.
E face a toda esta trapalhada em que transformou Lisboa o que faz Santana Lopes?
Fala mais uma vez de Presidenciais!!!
Rui Paulo Figueiredo

Atencao


P.S. - Esta semana, por motivos de agenda, os textos publicados no blog Fórum Cidade são os artigos colocados diariamente no site da Concelhia de Lisboa do PS. Regressa, na próxima semana, o agendamento tradicional do blog.
5/03/2004 06:38:00 da tarde . - . Página inicial . - .



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